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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

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A Roménia volta a salvar a nossa face na ditadura automóvel

MC, 12.03.12

Há tempos descobri que não estávamos assim tão isolados na Europa no que toca ao paradigma da gestão do espaço público. Não é só cá que o estacionamento automóvel é mais importante que a circulação dos peões, afinal na Roménia também há responsáveis autárquicos que defendem publicamente o estacionamento no passeio.

Ora, eu andava desconfiado de que Lisboa seria a única capital europeia onde as ruas chegam a ter quatro faixas de estacionamento legal, como é o caso nas Avenidas Novas, na própria Avenida de Liberdade, etc. Por essa Europa fora não se parte do pressuposto que cabe aos organismos públicos arranjar espaço para o estacionamento do veículo privado, de modo que habitualmente as ruas não têm sequer estacionamento, algumas uma fila, poucas têm duas.

Mas entretanto o Google Maps Street View chegou a Bucareste, e eu pude tirar os nabos da púcara. Depois de algum esforço descobri uma rua com quatro faixas de estacionamento:

 

Descobri ainda um bónus: por lá também é habitual ver carrinhos de bebé a circular no alcatrão, por os passeios estarem ocupados com... carros estacionados!

 

Vale a pena passear um pouco com o Street View por Bucareste para comparar. Em geral, os passeios acabam por ser mais largos lá do que cá.

De qualquer modo, hoje já me sinto mais europeu!

 

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E o link aconselhado de hoje, um vídeo da StreetFilms chamado Parking Reform.

Afinal não estamos sós no estacionamento

MC, 12.11.09

Embora todas as cidades se deparem com o problema do estacionamento, muitas têm sido as soluções para este problema. Num extremo temos cidades como Tóquio e até Bombaim (!) onde os residentes têm de provar que possuiem um lugar de estacionamento fora das ruas para poder comprar um automóvel. A solução intermédia, que acontece em quase todas as cidades europeias, é obrigar os residentes a pagar uma quantia - tipicamente de 50€ a 200€ anuais -  pelos poucos lugares disponíveis para desincentivar a posse de automóvel e incentivar o uso de estacionamento particular. Algumas cidades, como Amesterdão, têm um número fixo de licenças de estacionamento para residentes o que obriga por vezes a esperas de vários anos para obter um lugar pago na rua.

No outro extremo temos as cidades portuguesas onde se parte do estranho pressuposto de que cabe aos municípios arranjarem estacionamento para os residentes. Por cá ou não há controlo, ou os residentes podem estacionar gratuitamente. A esta permissividade junta-se o facto de Lisboa ser provavelmente a cidade europeia com mais estacionamento na via pública por km² na Europa. Para lá chegarmos foram foram arrancadas árvores, reduzidos passeios e  transformados outros espaços pedonais em estacionamento (ex. corredor central nas Avenidas Novas em Lisboa).

Mas não estamos sós. O presidente da Câmara de Constanţa - uma cidade média turística na costa romena - decidiu atirar a lei que obriga os passeios a ter 1,5m de largura às urtigas.  Vai assim proceder à sua redução até 1m (melhor que Lisboa) para aumentar a oferta de estacionamento. Vai ainda arrancar as árvores nos passeios (replantando-as noutros locais) com o mesmo objectivo.

Portugal e Roménia, juntos nas soluções de futuro na mobilidade urbana.

 


Para quem ainda não está deprimido, aconselho a leitura da posta O exemplo de Montpellier no A Nossa Terrinha.