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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

Menos Um Carro

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Injustiças

TMC, 05.02.11

A radicalidade de uma reacção não violenta de alguém para com a autoridade mostra uma de duas coisas: a dimensão da rectidão moral ou a dimensão da percepção errónea acerca do acto de que se foi vítima. O critério para dizer o que é um acto tresloucado ou um acto defensável nunca é absoluto, antes depende dos valores de cada época. O que pode ser um acto justificável numa época pode ser visto como uma parvoíce à luz de outra. Os valores mostram sempre as prioridades da sociedade que se pretende.

 

Dono de carro rebocado paga multa com 16 quilos de moedas

  

 

  

O proprietário de um automóvel rebocado pela Polícia Municipal do Porto resolveu pagar a multa de 75 euros com um saco de mais de 16 quilos de moedas, revelou a autarquia na sua página de internet.

 

Alguém reagir assim mostra a quase completa identificação entre si próprio e o seu carro: uma multa a este é um atentado àquele.

 


 

Segundo um estudo da DECO/PROTESTE, Lisboa e Porto são as cidades com mais poluição atmosférica devido ao tráfego rodoviário.

 

Apologia dos pilaretes

TMC, 20.01.11

Um carro estacionado no passeio, parcial ou totalmente, aponta, na ausência de lugares vagos, para uma escolha do condutor acerca de quem prefere ele incomodar; sendo o espaço disponível limitado, o condutor manifesta com esse comportamento que prefere invadir o espaço dos peões do que incomodar os colegas automobilistas, estacionando na própria rua onde circulava. Uma buzina e as típicas bocas dos enfurecidos do trânsito podem mais que os peões cabisbaixos e desgraçados que “andam por onde podem”.

 

Uma rua com estacionamento abusivo pode transformar-se numa rua com passeios agradáveis de duas maneiras. Através da dissuasão por acções fiscalizadoras das autoridades ou por pilaretes, por impossibilidade física. A Polícia Municipal de Lisboa, por exemplo, convive com situações crónicas de estacionamento abusivo em locais bem identificados; ou é incompetente, ou não tem agentes suficientes, ou pretende manter a situação favorável aos condutores. Esta última hipótesse é explicada por absurdo: se a Polícia Municipal tivesse uma acção profissional e banisse significativamente ou de vez o estacionamento abusivo, acabava-se o seu propósito e os seus efectivos teriam de ser reduzidos. Fiscalizando, multando e bloqueando esporadicamente, vai conseguindo injectar nos cofres da autarquia alguns milhares de euros. É do seu interesse manter o estacionamento abusivo. Só que não é do interesse dos peões que essa situação se mantenha, tal como não deve ser de qualquer autarquia ou freguesia.

 

Um Polícia Municipal da capital ganhará à volta de 900€ e fiscalizará o estacionamento de uma rua durante um mês; passado esse mês, a situação, aos poucos, voltará ao normal e os automobilistas continuarão a fazer o que sempre até aí tinham feito.

 

Um pedreiro ganha o ordenado mínimo mais o pagamento à hora e num dia consegue instalar 40 pilaretes (eu próprio perguntei). O preço de um pilarete varia muito, podendo ir desde os 30€ aos 150€, consoante a função e a estética pretendida. Num mês, um pedreiro conseguirá instalar mais ou menos 800 pilaretes; se a distância entre pilaretes for de 1,5m, um pedreiro conseguirá impedir permanentemente o acesso a cerca de 530m de passeio.

 

A EMEL de Lisboa é bastante mais eficiente que a PM e funciona na mesma lógica; a sua fonte de lucro são as infracções dos condutores, pelo que não lhe interessa acabar completamente com essas infracções. Só que a EMEL administra e gere também parques de estacionamento, frequentemente vazios, pelo que conseguiria justificar a sua existência se endurecesse a sua fiscalização.

 

Acabe-se com a Polícia Municipal e invista-se o dinheiro nas freguesias que deverão contratar empresas que instalem pilaretes. Os peões agradecem. Outra questão que ignoro é se será legal associações de moradores comprarem elas próprias os seus pilaretes e resolverem a invasão dos seus passeios de vez.

 

Os automobilistas continuarão com falta de espaço para estacionar, claro; só que com a solução pilaretes instalada só poderão estacionar na própriar estrada, ao contrário do que costumam fazer. E nesse caso serão os outros automobilistas em trânsito a sentirem o seu espaço invadido, tal como deveria ser. O problema gerado por condutores retorna ao respectivo domínio: deve ser resolvido pelos condutores, e não pelos peões.

 

Nota: não quis defender que os pilaretes são uma solução universal para todas as situações de estacionamento abusivo. Em ruas estreitas não fazem sentido absolutamente nenhum:

 

 

 

 


Ver a situação desoladora do estacionamento na cidade de Coimbra; já antes o blogue A Nossa Terrinha tinha retratado a situação na Universidade de Coimbra; de certeza que assim serão património mundial da humanidade.

Notícias sobre "caça à multa" vão aumentar

TMC, 10.12.10

Trânsito de Lisboa e Porto passa para as polícias municipais.

Tal como o vejo, a medida destina-se a maximizar competências e a dar à Polícia Municipal, sob a alçada das autarquias, um maior controlo sobre as infracções ao trânsito e ao estacionamento. Se juntarmos a isto o tempo de vacas magras em que vivemos e os aumentos recentes do IMI, é expectável que as câmaras vejam na cobrança de multas uma forma de aumentarem o seu financiamento. E qual é o problema? :-)

 

 

 

 

A última experiência que tive foi em Lisboa. Fui à FIL no carro de um amigo que reside fora de Lisboa ver uma exposição de arte comtemporânea, e estacionámos a cerca de 2km do local. Um sítio frequentado por "pessoas de bem", ou "elites com muito bom gosto" e em que as crianças saltitavam por todo o lado, entusiasmadas que estavam com as obras de arte expostas. Ao percorrermos o local, a paisagem era a mesma, quer na Av. 24 de Julho, quer na Rua da Junqueira: bólides nos passeios sem qualquer pudor, muitas vezes com uma fresta mínima para os peões mais atrevidos passarem. À porta da FIL estavam dois agentes da PSP que, perante a minha queixa, arrebitaram o olho e estranharam quem lhes recomendava que fossem multar e rebocar uns carros, por ser o trabalho deles. Para que os leitores saibam, a PSP pode multar um carro mal-estacionado, mas a multa só chega a casa do dono do carro passado uns 4 meses e sem que este saiba, ou se lembre, do motivo pelo qual recebe a multa. É preciso dizer mais alguma coisa?

 

E sorte têm os tripeiros. Só tenho boas coisas a dizer do Porto e do seu urbanismo. Há mais amor. A capital está uma nojeira.

 

 

 

Das palavras

TMC, 25.10.10

Jornalista acha que deve ser notícia a PSP do Porto cumprir o seu papel. Também acha que os infractores eram livres como pássaros até serem caçados. São pontos de vista que demonstram que o jornalista parte de dois pressupostos:

 

1) as multas a condutores são raras (facto demonstrado pelo MC

2) tais multas são injustas porque excepcionais.

 

Ou seja, desta perspectiva, a polícia está a usar um subterfúgio legal para diminuir a liberdade dos condutores de circularem como quiserem, mas felizmente isso deve ser pontual.

 

Sugestão de título isento: "PSP tenta prevenir número de atropelamentos em passadeiras" ou "PSP tenta incutir respeito pelos peões". A melhor prova que os peões são tacitamente desrespeitados é ver como quase todos atravessam uma passadeira: a correr ou à pressa. Porque o que está implícito na sua consciênca é que "invadiram" um território onde correm perigo e do qual têm de fugir o mais depressa possível.


Para quem ainda não tiver votado no Orçamento Participativo de Lisboa, espreitar a proposta de um antigo aluno da Universidade de Lisboa que pretende reduzir a carga automóvel no campus

Zona Pedonal em Almada protegida pela Polícia de Intervenção para deixar passar os Carros

António C., 18.01.09

Quando hoje recebi um e-mail com um relato dos acontecimentos, esta sexta-feira, de uma acção pacífica e de festejo da criação de uma zona pedonal em Almada fiquei boquiaberto e arrepiado.

 

O relato que recebi pode ser lido aqui. Um grupo de pessoas (200 segundo o comunicado da polícia mas que parece exagerado) juntou-se ao final do dia a partir das 16 horas para disfrutar de um espaço que foi recentemente requalificado para se tornar numa zona pedonal e que aparentemente permite a circulação automóvel a familiares de alunos da escola que fica na zona e também a várias carreiras de transportes públicos. A circulação motorizada deve ser feita a 10 km/h. Escusado será dizer que são poucos os automobilistas e condutores de autocarros que respeitam este limite.

 

Segundo as poucas notícias que fui encontrando e tentando formar um ponto de vista moderado sobre o assunto, a acontecido é no minímo, chocante. Ao que parece, uma banda que fazia parte dos festejos e onde participavam crianças foi varrida aos empurrões por membros da polícia de intervenção com a justificação de que estavam a impedir a circulação automóvel, na zona pedonal.

 

Resultado de tudo isto, 2 pessoas detidas e 3 feridas e uma mãe com uma criança ao colo atirada ao chão.

 

Tudo isto me parece surreal, e comentar este despotismo desporporcinado da polícia já seria razão de sobra para indignação.

 

Para acrescentar a isso, parece que a polícia se deu ao trabalho de apagar fotografias de pessoas que assistiam incrédulas aos acontecimentos e que registavam nos seus aparelhos o sucedido.

 

Lançamos aqui o repto, para que nos sejam enviadas fotos ou videos deste abuso policial, porque nos parece de todo descabido que se agrida pessoas pelo simples facto de estarem a andar a pé numa zona pedonal. (mesmo que impedindo de alguma forma o trânsito).

 

Finalizando deixarei todos os links que fui encontrando para esta notícia e deixo a pergunta, antes que me venham para aqui dizer que eram hippies revolucionários ou qualquer outra coisa estapafúrdia. O que será que acontecia aos peões se estivessem a festejar uma vitória de um clube de futebol ou, por exemplo, a participar numa procissão religiosa?

 

Media: (Actualizado)

 

http://diario.iol.pt/sociedade/almada-psp-manifestacao-policia-protesto-detencoes/1033520-4071.html

 

Blogs: (Actualizado)

http://supergreenme.blogspot.com/2009/01/ontem-fui-relembrada-pouco-suavemente.html

http://agitacao.wordpress.com/2009/01/17/de-quantos-carros-precisa-uma-zona-pedonal/

http://utopia-dos-sentidos.blogspot.com/

http://gaia.org.pt/node/14730

http://gaia.org.pt/node/14726

http://blogue-do-ogre.blogspot.com/2009/01/quantos-carros-precisa-uma-zona-pedonal.html

http://a-sul.blogspot.com/2009/01/almada-pedonal.html (caixa de comentários)

http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/2009/01/carga_policial.html