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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

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Existe diferença entre um 'acidente' de viação e um homicídio por negligência?

MC, 27.03.12

A palavra acidente já é, por si, uma escolha de mau gosto. O dicionário diz que é um "acontecimento casual ou inesperado", um "acaso". Dá a ideia de algo fora do nosso controlo, exclui à partida a existência de culpa, quando na realidade transportar uma caixa metálica de 2 toneladas, a 20 metros por segundo, no meio de uma povoação, é por definição uma atividade de enorme perigo.

Na verdade,  atropelar mortalmente um peão é um homicídio por negligência tal como um disparo mal-direcionado de uma arma, como ter um médico a não tomar atenção a todos os sintomas de um paciente, um educador de infância que deixa uma criança cair de uma janela. A única diferença é o homicida ter um volante na mão. Tal como em tantas outras coisas, um cidadão com um volante na mão não é igual a um cidadão sem.

A Scotland Yard lançou o repto na Inglaterra: vamos tratar uma morte na estrada como um homicídio por negligência. Esperemos que o debate se alastre pela Europa.

 

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Via bananalogic, recomendo hoje úma história de automobilistas que julgam ter mais direitos que os peões.

Mais um homicídio e uma tentativa de um outro

MC, 11.01.08
Hoje no DN, no fundo de uma página, mais duas pequenas notícias a passarem despercebidas: uma mulher que foi morta por atropelamento ao passar a passadeira depois de sair do autocarro em Viana do Castelo, e outra que foi atirada para o hospital e está em perigo de vida porque atravessava outra passadeira em Rio Maior.
Como sempre a notícia (e o mal está na sociedade, não no DN) pouca referência faz aos homicidas.
Como sempre os casos são tratados como se de acidentes naturais se tratassem, ou seja obra do mero acaso e totalmente inevitáveis, e não como consequência da mais bárbara negligência humana.
Como sempre há um total inversão de valores no caso do homicídio de Viana do Castelo onde não se questiona o comportamento do homicida, mas sim a localização da paragem de autocarros! A culpa é quase atribuida a quem a pôs ali. Até pode ser que a localização seja má, mas a localização não mata ninguém, ao contrário de quem conduzia sem o mínimo cuidado.
E ainda temos que aturar com hipocrisias que referem a necessidade de educar os peões a usar a passadeira... A estas duas vítimas pouco serviu estar na passadeira, só não vê isso quem não quer ver.

Já agora, o primeiro caso é mais um excelente exemplo do quão importante pode ser a lei alemã (aqui referida) que obriga o trânsito a circular devagar junto a autocarros.