Quarta-feira, 10 de Outubro de 2018

CML acha que é sua função construir um estacionamento por cada casa

Fernando Medina diz explicitamente que é obrigação da CML criar um lugar de estacionamento por cada casa em Lisboa, e que está a trabalhar nisso. Isto é a resposta que dá aos Deputados Municipais do LIVRE em Lisboa*, quando lhe perguntam se ele não vê a incoerência entre proclamar a importância de uma mobilidade sustentável, ao mesmo tempo que a CML gasta tantos recursos a criar milhares de estacionamentos.

Ter uma câmara a gastar recursos público em mais estacionamento é ERRADO, porque cria mais facilidades ao uso do automóvel. Quem dantes tinha dúvidas porque não sabia se encontrava lugar no regresso a casa/no seu destino, agora deixa de ter. Quem estava indeciso entre ter carro no centro da cidade, deixa de estar. Não admira que Zurique tenha proibido o aumento do estacionamento, tirando um lugar na rua, por cada estacionamento privado criado - nem se põe a hipótese de ser criado na rua. Tóquio só deixa as pessoas registarem um automóvel, se provarem que têm lugar para estacionar.

Ter uma câmara a gastar recursos público em mais estacionamento é INJUSTO, quando o espaço urbano é algo tão valioso e há outros usos tão mais deficitários. Num momento em que é impossível encontrar um quarto a menos de 300€ na cidade, a CML vai gastar recursos públicos para garantir que há um lugar de estacionamento (requer aproximadamente a mesma área que um quarto, curiosamente) para cada casa a 1€.

 

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publicado por MC às 15:52
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

As portagens não chegam a pagar o custo das auto-estradas

O lóbi automóvel bem se pode queixar de ter de pagar portagens, mas até nas auto-estradas onde o autombilista dá uma contribuiçãozinha, esse valor não é suficiente. O automóvel continua a ser subsidiado pelos outros:
"Encargos líquidos do Estado com as antigas SCUT totalizaram 1137 milhões, em 2017. Receitas não ultrapassam os 334 milhões."

ortagens só pagam 23% do custo das PPP Encargos líquidos do Estado com as antigas SCUT totalizaram 1137 milhões, em 2017

Ler mais em: https://www.cmjornal.pt/economia/detalhe/portagens-so-pagam-23-do-custo-das-ppp?v=cb
Portagens só pagam 23% do custo das PPP Encargos líquidos do Estado com as antigas SCUT totalizaram 1137 milhões, em 2017

Ler mais em: https://www.cmjornal.pt/economia/detalhe/portagens-so-pagam-23-do-custo-das-ppp?v=cb
Portagens só pagam 23% do custo das PPP Encargos líquidos do Estado com as antigas SCUT totalizaram 1137 milhões, em 2017.

Ler mais em: https://www.cmjornal.pt/economia/detalhe/portagens-so-pagam-23-do-custo-das-ppp?v=cb
publicado por MC às 14:58
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Agora é Pontevedra a mostrar que cidade com menos carros, é cidade mais viva

Os nossos irmãos galegos a mostrar como as cidades devem ser: para as pessoas e não para os automóveis, pondo Pontevedra em destaque no Guardian. O centro estava morto e entregue aos automóveis. Mal a cidade foi devolvida às pessoas, tudo voltou a florescer: uma cidade menos poluição sonora e atmosférica, com mais comércio, mais pessoas a querer viver nela. O parágrafo essencial é este:

Miguel Anxo Fernández Lores has been mayor of the Galician city since 1999. His philosophy is simple: owning a car doesn’t give you the right to occupy the public space.

Artigo completo: For me, this is paradise': life in the Spanish city that banned cars

 

publicado por MC às 14:55
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2018

Será Lisboa a cidade mais atafulhada de carros estacionados no mundo?

Será Lisboa a cidade mais atafulhada de carros estacionados no mundo?

Este post estava pendente há anos (!) e é também um pedido da vossa ajuda. Estava pendente porque não queria ser injusto mas tendo acabado de visitar quatro novos países, menos "desenvolvidos", fico cada vez mais convencido que não haverá no mundo uma grande cidade que dedique tanto do seu espaço público ao estacionamento automóvel como Lisboa, seja estacionamento legal ou ilegal. Aliás, conhecendo cinquenta países, sempre com atenção à mobilidade, não consigo claramente dar um exemplo pior.
Responder seriamente à pergunta implicaria anos a recolher dados, mas posso dar quatro razões (ver fotos) que me levam a pensar assim.

20m4estacionamentos.png


1) Nunca vi ruas de 20m de largura, onde se conseguisse enfiar 4 filas de estacionamento automóvel (para lá de 2 vias de circulação), e Lisboa tem dezenas de exemplos assim.

5m1estacionamento.png

2) Nunca vi ruas estreitas, onde os passeios têm apenas meio metro, mas há espaço para estacionamento.

2520129_9OjAd.jpeg

3) Pequenos cruzamentos urbanos onde chegam a haver 4 carros impunemente estacionados em CADA esquina, pondo em perigo os peões e tapando a passadeira (quando existe).


4) É muito comum haver ruas e avenidas sem qualquer estacionamento à superfície no centro das cidades (tentem uma cidade ao calhas no google maps). Nos países mais "desenvolvidos" chegam a ser mais de metade. Em Lisboa conta-se pelos dedos das mãos, os casos assim.

Sei que Fernando Medina discorda - ainda há dois meses repetiu que um dos grandes problemas de Lisboa é a falta de estacionamento, e vocês conhecem algo pior?

publicado por MC às 13:03
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2018

EMEL manda os automobilistas bloquerem o passeio

Não, o título não é exagerado, e não é temporário. Nas fotos vemos várias dezenas de lugares marcados recentemente* pela EMEL a indicar estacionamento sobre o passeio.

Já não é novidade nenhuma a CML autorizar estacionamento no passeio é legal (Av Gago Coutinho entre muitos outros), este caso é especialmente vergonhoso porque 1) indica que se deve bloquear por completo o passeio, 2) é estacionamento recentemente "ordenado" pela EMEL, 3) do outro lado do quarteirão abriu há menos de dois anos um parque de estacionamento subsidiado por todos nós.

IMGP5568 (case conflict).jpg

 

IMGP5569 (case conflict).jpg

 

publicado por MC às 12:56
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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2018

Jovens adultos cada vez menos interessados no automóvel

Em Inglaterra os jovens adultos estão a usar bem menos o automóvel, de acordo com a BBC.

In the 1990s, 80% of people were driving by 30; now this marker is only reached by 45.

Men under 30 are travelling only half the miles their fathers did.

 

 

publicado por MC às 19:19
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Terça-feira, 10 de Outubro de 2017

Não podemos estar indiferentes à escolha dos outros

É apelativa a ideia que não devemos interferir na escolha de mobilidade dos outros, tal como ninguém tem nada a ver com o que eu como, visto, leio, etc. Só que por um lado já vimos que é impossível uma câmara municipal não interferir nessa decisão por muito que queira; ao escolher quanto espaço urbano vai para alcatrão e quanto vai para passeio, já tem uma enorme influência. Por outro, mesmo que fosse possível não interferir nas escolhas pessoais, isso não seria desejável pela natureza do que está em causa.

  • É muito frequente ouvir pessoas que dizem que não andam de mota, bicicleta ou até a pé (idosos) por medo dos automóveis. Quando eu escolho comer pizza não estou a impossibilitar os outros de escolherem outra refeição, mas quando escolho o automóvel estou a interferir e até restringir a escolha dos outros.
  • Se muitas pessoas escolhem o automóvel, então teremos congestionamento que fará perder muito tempo a muitas pessoas (até às que andam de carro). Quando escolho vestir uma camisa azul, não vou fazer com que outros que têm camisas azuis ou blusas verdes, percam 1h do seu dia.
  • O aumentado de sinistralidade causado por mais uma pessoa a andar de automóvel, é muito maior que a sinistralidade causada se essa pessoa tivesse feito outra escolha. Quando escolho ver um filme, não estou a causar perigo a quem decide ver um jogo de futebol.
  • A poluição atmosférica e sonora criada pela pessoa que escolheu o automóvel cria um rol infindável de problemas ambientais e de saúde aos outros. Quando escolho ler um romance não causo doenças respiratórias a quem decide ler um policial.

Não podemos ver a escolha do transporte como uma decisão inteiramente pessoal como a escolha da camisa que vou vestir. Escolher andar de automóvel na cidade deve sim, ser visto como a escolha de quando toco bateria no meu prédio.

publicado por MC às 15:19
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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

É fisicamente impossível as câmaras serem imparciais sobre o transporte que escolhemos

Vai à janela.
Repara na largura da estrada e na largura do passeio. Alguém teve de decidir isso.
Repara qual a largura de cada via (faixa) de rodagem, e quantas há em cada sentido. Alguém teve de decidir isso.
Repara se há estacionamento, se é em espinha ou longitudinal, se é contínuo ou interrompido por bancos ou árvores, se houve cuidado para evitar estacionamento ilegal no cruzamento ou se houve condescendência com isso. Alguém teve de decidir isso.
Repara se há bus, ciclovia e qual é o material do passeio, se a estrada é alcatrão ou empedrado e se tem lombas (e que lombas?). Alguém teve de decidir isso.
Repara na velocidade máxima e se alguma vez alguém a controlou aí. Alguém teve de decidir isso.
Repara se há parquímetros, quanto custam, qual o período máximo de estacionamento, se há lugares para moradores. Alguém teve de decidir isso.
Repara se o estacionamento legal ou ilegal é controlado por alguém, quantas vezes é controlado, qual é a multa, quantos pontos se perde na carta. Alguém teve de decidir isso.
Repara se o passeio é um canal livre para os peões, ou se tem obstáculos como pilaretes, cartazes publicitários, bancos, árvores, vidrões, sombra. Alguém teve de decidir isso.
Repara se a rua tem passadeira, passeio rebaixado na passadeira, passadeira levantada, passeio central ou tem barreiras que impeçam os peões de atravessar.
Repara se há paragem de autocarro, paragem de metro ou paragem de taxi. Alguém teve de decidir isso.
Repara na frequência do autocarro, o preço do metro, o imposto de circulação do automóvel, o ar condicionado do metro, o preço da licença do taxi. Alguém teve de decidir isso.
Repara no cruzamento ao fundo, e se ele tem semáforos, quanto tempo abrem os semáforos para cada direção e para os peões, se todos as mudanças de direção são permitidas, qual o raio de curvatura, se há exceções para autocarros, amarelos intermitentes ou botões para os peões pedirem verde. Alguém teve de decidir isso.

Lembra-te que em qualquer cidade há centenas, milhares de troços de rua iguais ao da rua à tua frente, e em todos eles as mesmas decisões tiveram de ser feitas.

É que ao contrário do tipo de fruta que escolhemos comer, da rádio que escolhemos ouvir, do café onde decidimos comer, na mobilidade é impossível as câmaras serem imparciais tratando todos os modos de transporte por igual. E todos estes milhões de decisões que elas têm de tomar condicionam fortemente as nossas escolhas individuais de mobilidade no dia-a-dia.

Quando alguém diz que as câmaras municipais devem deixar as pessoas escolher livremente, ou está a ser burro ou desonesto.

 

 

publicado por MC às 15:20
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Quinta-feira, 27 de Julho de 2017

O planeamento urbano centrado no automóvel causa sedentarismo e obesidade

O sedentarismo é provavelmente o maior problema de saúde pública mundial neste momento, responsável por mais de 5 milhões de mortes por ano.
Um estudo inovador publicado na Nature, teve acesso ao número de passos dados no dia-a-dia, registado por 700 mil smartphones em todo o mundo. O estudo mostra que a obseidade está fortemente relacionada com estes dados.Mostra ainda que quanto mais uma cidade for feita e pensar nas pessoas em detrimento do automóvel (mais "walkable"), menos obesidade há. E isto acontece para todas as idades, géneros, níveis de rendimento, etc.
No gráfico vemos que a "activity inequality" (associada à obesidade), tem um agravamento de 40% devido apenas à qualidade do espaço urbano.

Ter cidades mais amigas dos peões, com passeios mais largos, com menos esperas nos semáforos, sem pontes e túneis pedonais, sem vias-rápidas no centro da cidade, com travessias mais seguras para os vulneráveis, sem estacionamento (legal ou ilegal) a dificultar a circulação pedonal, etc. é um dever de saúde pública.

In more walkable cities, activity is greater throughout the day and throughout the week, across age, gender, and body mass index (BMI) groups, with the greatest increases in activity found for females. Our findings have implications for global public health policy and urban planning and highlight the role of activity inequality and the built environment in improving physical activity and health.

http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature23018.html#sf9-inarticle

 

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publicado por MC às 15:29
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E também não, um carro em movimento não ocupa apenas 6m²

Se parado um automóvel já precisa de muito espaço urbano em exclusividade, a circular a coisa ainda fica pior. Não, um carro a circular não ocupa apenas os seus 8m², porque precisa de distância aos carros em seu redor, seja atrás, frente ou dos lados.
Na imagem estão dois exemplos onde até há MAIS automóveis do que a média das nossas cidades: à espera de um semáforo, e a circular numa via-rápida com trânsito intenso mas fluído. Na primeira estão 35 viaturas em 1240m², na segunda 33 em 4830m². São 35m² por automóvel na primeira e 136m² na segunda em situações, insisto, onde a densidade de automóveis é maior que o resto.
Quando alguém se queixar dos passeios serem "largos", ou exigir mais vias para a circulação automóvel, lembrem-se quanto do precioso espaço urbano é preciso para apenas um carro!

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publicado por MC às 15:27
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