As rodas são todas iguais, mas há umas mais iguais que outras
Há quem ande de rodas grandes por opção
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Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas
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Há quem ande de rodas grandes por opção
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Do pior que se pode fazer a quem vive numa cadeira de rodas, é roubar o pouco de autonomia que têm. Seja por culpa de quem estaciona no espaço dos peões, ou por culpa dos municípios que atribuem mais espaço ao estacionamento que aos peões, um deficiente motor não pode fazer autonomamente coisas tão simples como ir ao café da esquina ou ir ao supermercado nas cidades dominadas pelo automóvel. E mesmo que houvesse espaço para circular, quem se sentiria seguro a cruzar as vias-rápidas em que se transformaram as nossas rua, sentado numa cadeira de rodas? Das coisas que mais chama a atenção nas cidades do Norte da Europa, é o número de pessoas de mobilidade reduzida que se movimentam autonomamente.
Achamos natural que os condutores se revoltem quando o trânsito automóvel é interrompido, mas calamo-nos quando estas pessoas são presas em casa por decisão dos outros.
Nota: Esta série de postas serve para lembrar que há muitas, muitas coisas pequeninas que nem nos apercebemos mas que todas somadas provam umas das principais mensagens do Menos Um Carro: andar ou não de automóvel não é uma escolha meramente individual como escolher entre chá ou café, mas é uma escolha que afeta os outros, tal como tocar bateria às 4 da manhã.
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Sugestão de leitura no Lisboa Bike, Do peso das palavras, que mostra como a nossa sociedade é sempre vista do ponto de vista do automóvel:
"Comboio abalroou viatura e provocou dois mortos", noticiava hoje o Público. [...] Não é por acaso que o título não diz por exemplo "Utentes de linha X sem serviço devido a acidente com automóvel" ou algo como "Idiota contorna cancela e ignora avisos sonoros, provocando colisão com comboio".
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Deficiente motora numa rua central de Amesterdão
Umas das maiores vítimas da ditadura dos automóveis nas nossas cidades são os deficientes motores e os invisuais. Se o espaço urbano já pouco é pensado para os peões "normais", para pessoas com necessidades quase nada é feito. Os invisuais não se conseguem deslocar numa cidade onde cada rua é uma via-rápida. Os deficientes motores não se podem movimentar nos passeios empilhados de carros estacionados, nos passeios estupidamente estreitos para criar mais lugares de estacionamento à superfície (off-topic: reparem que na foto não há estacionamento à superfície, como em muitas ruas das cidades do Norte da Europa), nos passeios cheios de obstáculos... e muito menos no próprio alcatrão como a senhora da foto! Aliás, alguém numa cadeira eléctrica a deslocar-se assim numa rua de Lisboa só entraria mesmo num filme trágico-cómico. Só é possível em cidades onde a pessoa é colocada em primeiro lugar e onde a acalmia do tráfego é levada a sério.
O JN tem um artigo recente exactamente sobre isto.
O Ricardo do Utilizar a Bicicleta na Cidade actualizou a sua lista sobre as possibilidades de levar bicicletas nos transportes públicos de Lisboa.
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