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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

Brussels Express

MC, 23.05.12
O ponto central deste documentário de 18 minutos é uma companhia de estafetas em bicicleta em Bruxelas (tal como a Camisola Amarela de Lisboa, e a HandBikeHand do Porto), mas ele acaba por falar de todo o trânsito na cidade, da maneira como a bicicleta era visto como algo marginal - incluindo a habitual "sim, gosto de passear ao domingo" - e foi entrando na cabeça das pessoas, como a cidade é irracionalmente dominada por automóveis, etc. 
E como Bruxelas também é uma cidade de várias colinas (até há uma cena de um estafeta a descer uma colina com a bicicleta no elevador), este documentário poderia ser sobre Lisboa ou Porto.
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A ler, o estudo Infrastructure and cyclist safety feito pelo Transport Research Laboratory do Reino Unido.
Um cheirinho:

Of all interventions to increase cycle safety, the greatest benefits come from reducing motor  vehicle speeds. Interventions that achieve this are also likely to result in casualty reductions for all classes of road user. This may be achieved by a variety of methods, including physical traffic calming; urban design that changes the appearance and pedestrian use of a street; and, possibly, the wider use of 20 mph speed limits.  
Most cyclist injuries in multi-vehicle collisions take place at junctions. Reducing the speed of  traffic through junctions appears to be an effective approach to reducing cycle casualties, and  physical calming methods are a reliable means of achieving such a reduction. 
Providing segregated networks may reduce risks to cyclists, although evidence suggests that the  points at which segregated networks intersect with highways can be relatively high-risk, sometimes of sufficient magnitude to offset any safety benefits of removing cyclists from the  carriageway. 

Criada maior Zona 30 do mundo

MC, 17.11.10

Esta notícia tinha ficado perdida para meter numa nota de rodapé, mas pensando bem merece mais destaque.

Em 1983, Buxtehude foi a primeira cidade do mundo a ter uma zona 30, um bairro onde todos têm que circular a menos 30 km/h. Em 1992, Graz fez dos 30km/h a regra e dos 50km/h a exceção. Em Londres estima-se que isto tenha reduzido os acidentes rodoviários em mais de 40%.

Há dois meses Bruxelas criou a maior Zona 30 do mundo, 4,6km2. E não foi num local qualquer, foi todo o centro de Bruxelas. A página da iniciativa explica porquê:

  1. Mais segurança, num atropelamento a probabilidade de morte, cai de 45% para 5%.
  2. Distância de travagem passa para metade, de 26m para 13m.
  3. Mais convivialidade, circulação zen, uma cidade mais humana.
  4. Melhor coabitação entre os utilizadores, a este velocidade todos se apercebem dos outros, integrando as bicicletas com os automóveis e protegendo crianças e idosos.
  5. Menos poluição.
  6. Maior fluidez, especialmente nos cruzamentos.
  7. Menos ruído.
  8. Menos trânsito pelo efeito dissuasivo.

 

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E uma boa notícia cá da terra, em Funchal é possível agora levar a bicicleta na traseira de alguns autocarros.

Boas notícias de Bruxelas

MC, 08.03.10

A Comissão Europeia está a considerar a um imposto sobre as emissões de carbono a nível dos 27.

Um dos problemas da implementação de impostos ambientais num país é a desvantagem económica que trazem em comparação com os países vizinhos. Uma fábrica situada na Finlândia, Suécia ou Dinamarca (os países que já têm impostos sobre o carbono) está em desvantagem com uma na Alemanha. Se este imposto for criado a nível comunitário, essas dificuldades desaparecem.

E porquê este imposto? Ele vai penalizar as pessoas/empresas que poluem mais beneficiando as que poluem menos (com a baixa de outros impostos). E não é só uma questão de justiça, mas de incentivo a um uso energético menos intensivo em carbono. Por exemplo, o transporte de mercadorias por ferrovia poderá passar a ser mais vantajoso em vários casos em comparação à rodovia.


Bruxelas pediu aos países europeus para acabar com os incentivos à troca de automóvel.

Vários países europeus, pressionados pelo lóbi automóvel, estiveram nos últimos tempos a pagar centenas de euros a quem quisesse trocar de carro. Esta medida travestida de medida verde (um greenwash estatal que o lóbi agradece) deverá acabar este ano, tal como outras medidas excecionais que apenas duraram nos anos mais duros da crise financeira.

 


E mais uma boa notícia. A Nicola (marca de café) colocou várias frases nos pacotinhos de açucar sobre o tema "Hoje é o dia".  Uma das escolhidas diz "um dia começo a ir para o trabalho de bicicleta". Todos os dias há milhares de pessoas a ler esta frasesinha enquanto bebe café. Para elas, espero que amanhã seja o dia.

Quatro fotografias

MC, 28.01.10

1. Há uns tempos mostrei que um dos passeios que saia da principal praça do país tinha a certa altura 10 centímetros de largura, isto numa rua com 4 faixas. Graças à remodelação da Praça do Comércio, este passeio está a ser aumentado.

 

2. Esta também já tem uns meses. A praça nass traseiras da Estação do Rossio, foi durante largos anos um horrível parque de estacionamento ao ar livre, em plena zona nobre de Lisboa. A praça foi limpa  e onde havia estacionamento há agora uma esplanada.

 

 

3. O greenwash aos carros pseudo-verdes está cada vez mais difundido. Em alguns parques de estacionamento há agora lugares específicos para estes carros (provavelmente nem lugar têm para bicicletas). Mas por quê? Será que ocupam menos espaço a estacionar?

 

4. Uma cena comum em Bruxelas (uma cidade que é plana segundo Helena Matos, apesar de ir dos 20m aos 130m de altitude). Não há que ter vergonha de subir a pé uma rua mais inclinada quando se vai de bicicleta. Se os automobilistas não têm vergonha das desvantagens do carro (meia-hora para encontrar um lugar para estacionar e vocês insistem em andar nessas coisas quando há alternativas?!) por que haveríamos nós, ciclistas, de ter?


Quem atrapalha o trânsito são os carros! II

MC, 03.11.08

Mais três exemplos de como os carros são os causadores dos conflitos na ocupação do espaço urbano, que leva a semáforos, regras, conflitos, sinistralidade, sinais, congestionamentos, etc.

 

1. Peões & Transportes Públicos

 

 

Não são necessários semáforos e regras, bom senso e atenção são suficientes para a convivência.

 

2. Peões & Bicicletas vs Peões & Carros

 

 

Apesar de ser um cruzamento com igual número de carros, peões e bicicletas, reparem que não há nenhuma linha - muito menos semáforos - no local onde os peões e as bicicletas se cruzam... o mesmo já não se pode dizer dos carros. Aliás, alguém já alguma vez viu um semáforo a regular um cruzamento de bicicletas com peões?

 

3. Carros & bicicletas

 

 

Rua de sentido único para automóveis, MAS de duplo sentido para bicicletas (e para peões, já agora!). Este caso é muito comum nos países onde a bicicleta é vista como um transporte. E percebe-se porquê, a bicicleta por ocupar muito menos espaço não atrapalha se for em sentido contrário. Um carro em sentido contrário provavelmente nem caberia (e por lá não se reduzem passeios).

 

Quem atrapalha o trânsito são os carros! I


Histórias de Lisboa por outros blogues.

Um carro-dependente que se queixa da EMEL rebocar carros estacionados em cima do passeio, quando "não existe nenhum sinal de proibição de estacionar"!! - "Oh seu guarda, não sabia que era proibido roubar, não havia nenhum cartaz a avisar na loja!"

A vergonhosa condescendência da polícia lisboeta para com o estacionamento ilegal.

Um post que eu queria escrever, mas que alguém escreveu por mim: o egoísmo de quem não se dá ao trabalho de deslocar alguns metros a sua carripana, prejudicando assim imensas pessoas.

A praça mais monumental do país transformada em parque de estacionamento.

Como em Bruxelas...

MC, 13.05.08

A Helena Matos escreveu hoje um absurdo (por não estar minimamente informada sobre o que fala) artigo de opinião sobre as bicicletas e os automóveis. Não o vou comentar, porque já aqui foi feito e muito bem.

Aproveito só esta frase "querem obrigar os cidadãos de uma cidade quente e inclinada como Lisboa [...] a andar a pé ou de bicicleta como os de Bruxelas" para mostrar mais umas imagens dessa tal cidade "plana" onde tem havido um fortíssimo incentivo por parte das autoridades à bicicleta como transporte urbano.

 

 

 

A última foto serve apenas para mostrar que em Bruxelas há várias ruas a passar por cima de outras devido ao relevo, tal como acontece em Lisboa.

Estes belgas são parvos...

 


Post recomendado: Video da campanha da ACA-M sobre a sinistralidade dos peões há um ano n'O Carmo e a Trindade

Recicle a sua matrícula

MC, 29.04.08


Campanha do governo belga pelos transportes públicos e contra o automóvel em Bruxelas. Na página pode-se ler que 25% das deslocações de automóvel na cidade são inferiores a 1km!! E 65% inferiores a 5km. Basicamente o que está em causa é a oferta de um passe anual para os transportes públicos ou de uma bicicleta + uma inscrição anual no sistema de car-sharing de Bruxelas para quem renunciar ao registo do automóvel durante um ano,  oferta esta duplicada para quem abater o automóvel! A ideia é convencer os habitantes de Bruxelas a não terem automóvel, dando-lhes um meio de transporte alternativo e a possibilidade de um aluguer fácil (mas pago) de um carro em caso de necessidade.
Isto é que uma política séria de promoção de transportes públicos, não é colocar uns smileys anónimos nas janelas dos autocarros, como se fez em Lisboa.


Post recomendado: Moradores fartos do ruído do Eixo NS em Lisboa n'O Carmo e a Trindade

Poluímetros

MC, 07.03.08

Foto de Jeroen Verhoeven do Friends of the Earth

Nas entradas de Bruxelas há vários destes pollumètres que indicam em tempo real a qualidade do ar no local. Este pollumètre que indica uma qualidade de ar "muito medíocre" está, por uma ironia bem negra, em cima de um cartaz de incentivo à compra do campeão destacadíssimo da poluição atmosférica e sonora nas cidades, o automóvel.
Em Portugal este tipo de informação também está disponível (não em tempo real) na página qualar.org, mas acho fundamental que ela esteja bem explícita e espalhada por todos os cantos das cidades, como em Bruxelas. Não tanto para avisar a população dos perigos que está a correr, mas para lembrar, relembrar e martelar bem na mente dos automobilistas que as suas decisões individuais não afectam apenas eles próprios - como deitar cedo ou tarde, tomar café ou chá, ir ao teatro ou ao cinema - mas têm um forte impacto negativo na vida dos outros.

Bruxelas

MC, 03.03.08
Acabo de chegar de Bruxelas, onde pude verificar que o programa de incentivo da bicicleta por parte da Câmara (bicicletas públicas, algumas ciclovias, muitos parques de bicicletas, prioridade para as bicicletas nos semáforos - as bike boxes, autorização para as bicicletas circularem em ruas ou em sentidos de trânsito proibidos aos carros, etc...) começa lentamente a ter bons resultados!
Bruxelas tem os mesmos problemas que Lisboa e Porto para a bicicleta: cidade caótica, durante muito tempo pensada para o automóvel, avenidas transformadas em vias-rápidas, trânsito pouco civilizado e... relevo. Claro, não tem a colina do Castelo ou do Bairro Alto, nem a Ribeira mas são pouquíssimas as zonas da cidade realmente planas, e a inclinação na grande maioria da cidade é muito semelhante a Lisboa e Porto. O que fazem os ciclistas, cujo número aumenta de mês para mês, nas subidas? Mudam a mudança (essa inovação tecnológica de ponta que parece desconhecida em Portugal), e sobem mais devagar! Na foto uma rua onde havia várias bicicletas a circular. A perspectiva não é a melhor, mas pela montra no lado esquerdo dá para ter uma noção da inclinação.



Deixem-se de desculpas: Lisboa e Porto só não são cidades cicláveis, porque não queremos.

Outro pormenor curioso: foi nas zonas mais ricas e zonas de escritórios da cidade que vi mais bicicletas. Lá, como cá, a bicicleta é "para pobres" e quem tem vergonha de parecer pobre não anda de bicicleta. E depois há quem não ligue...
Ah, e a grande maioria dos ciclistas eram trintões e quarentões, muitas mulheres e muitas bicicletas dobráveis (mais do que alguma vez tinha visto, provavelmente para combinar com os transportes que aparentemente não levam as normais).

Mapa do relevo de Bruxelas

MC, 11.10.07
As autoridades da região de Bruxelas (que em termos de relevo padece do mesmo problema de muitas cidades portuguesas)  preocupadas em aumentar o número de viagens em bicicleta na  cidade, decidiram realizar um mapa das ruas de Bruxelas usando cores diferentes consoante a inclinação das ruas. Assim os ciclistas poderão mais facilmente planear o caminho a tomar.
Apesar de 99% do trânsito de Lisboa NÃO passar por subidas de Santa Apolónia ao Castelo ou de Santos à Estrela (como os críticos das bicicletas muito gostam de dar a entender), o relevo é um problema para as bicicletas em Lisboa. Quem diz isto, diz da Ribeira à Batalha no Porto, do Largo da Portagem à Universidade em Coimbra. Uma iniciativa deste género seria excelente para Portugal tanto para quem já anda e quer fazer um percurso fora do habitual mas especialmente para quem quer passar a usar a bicicleta como transporte. Isto porque quem está habituado a pensar nos percursos dentro da cidade em termos de viagens de automóvel não tem, ou não quer ter, a plasticidade mental para perceber que muitas vezes um pequeno desvio de um quarteirão é suficiente para evitar uma subida (exemplos disto há aos milhares).  Pessoalmente nunca deixo de fazer uma deslocação de bicicleta por causa do relevo.
Já agora lembro que a bicicleta tem muito mais flexibilidade dentro da cidade do que o automóvel, porque não fica presa no trânsito e porque pode fazer percursos proibidos para o automóvel - por exemplo, virar à esquerda nas avenidas pode sempre fazer-se levando a bicicleta durante uns metros pela mão nas passadeiras. Logo fazer desvios é muito mais fácil.

Por fim tenho que admitir que ando com esta ideia na cabeça há muito tempo, mas rapidamente chego à conclusão que é difícil medir a inclinação de uma rua "a olhómetro ". Voluntários?



(notícia via Rad-Spannerei Blog)