Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

Afinal há alternativas ao automóvel para o dia-a-dia III

MC, 28.05.08

Sempre que ando nos autocarros da Carris - e descontando o período nocturno - há algo que me chama sempre à atenção, a enorme quantidade de mulheres a bordo. Não é raro haver 20 mulheres e um homem, mas é raro ver mais homens que mulheres.

O que me leva a questionar... será que as mulheres vivem em bairros especiais com melhores transportes públicos que os bairros onde vivem os homens? Será que elas trabalham, estudam, vão passear a locais com melhor cobertura da Carris, enquanto os homens trabalham em locais à parte?

Boas notícias da súbida do petróleo

MC, 21.05.08

No dia de mais um record no preço do crude, fiquei a saber de mais algumas boas notícias causada por este aumento.

 

1. Diz a SIC que a Carris sente mais passageiros desde o ano passado... Até ver uma boa análise dos números, eu desconfio sempre, mas diria que é verdade.

 

2. Leio no Carfree Times 50 - jornal online que recomendo muito - que o preços das casas nos subúrbios americanos têm caído a pique  chegando aos 18%, especialmente nas zonas sem transportes públicos. Isto quer dizer que os americanos preferem agora arranjar casas mais centrais e casas com fácil acesso a transportes devido ao aumento do combustível, que por lá é bem maior. Ou seja começaram a tomar atitudes mais racionais morando mais perto do trabalho em detrimento dos arredores, andando mais de transportes do que anteriormente. Assim reduz-se o congestionamento, o stress, a sinistralidade, a poluição, a "necessidade" de fazer mais e mais auto-estradas,  aumenta-se o número de pessoas nos transportes o que permite baixar os seus preços, etc...

 

Peço desculpa por me repetir, mas é exactamente por isto que defendo portagens, parquímetros e afins. Quando alguém toma uma decisão tem que ter noção dos custos reais dela. Os americanos que dantes queriam morar longe, já têm essa noção.

Notícias de Lisboa: uma boa e uma que não é carne nem peixe

MC, 28.04.08
O Governo anuncia hoje a reformulação dos comboios em Alcântara, tal como eu defendia aqui há uns tempos: os comboios que vêm de Cascais vão poder entrar directamente em Alcântara para o centro norte da cidade (Campolide, Sete Rios, Entrecampos, Areeiro, etc... até Oriente) graças a um novo túnel. Vai ser uma revolução para quem vem de ou vai para a linha de Cascais. Já agora podiam facilitar (em termos de bilhetes) o uso desta linha dentro de Lisboa, para que seja mais fácil chegar a Belém e Algés.

A Carris vai passar a alugar carros por curtos períodos de tempo, o chamado car-sharing. A ideia é haver carros disponíveis em vários pontos no centro da cidade, para conjugar com os transportes públicos. Talvez promova o uso de transportes públicos fora da cidade, mas dentro da cidade... Nem percebo como pode poupar a ocupação do espaço urbano, como diz a Carris.
Para uma opinião mais esclarecida e assumidamente favorável, leiam a Ana (que está quase sempre sintonizada com o que se escreve por aqui).



Post recomendado: Mais sobre a falácia dos biocombustíveis no Futuro Comprometido

Lisboa, cidade do automóvel segundo a Carris

MC, 20.04.08
O presidente da Carris veio fazer várias acusações aos decisores políticos de Lisboa. E não foi brando nas palavras... Lisboa "está a pagar o preço da incapacidade e da sucessão gigantesca de asneiras" perpetradas por "executivos de todas as cores ao longo dos últimos 30 anos". "O congestionamento automóvel permanente penaliza gravemente a qualidade de vida e a competitividade da cidade"

1. O poder de decisão está dividido por 1001 capelinhas, cada uma preocupada com o seu quintal.
2. A CML deve deixar de planear a cidade para o automóvel.
3. Limitar e tornar mais caro o trãnsito automóvel, e fiscalizar o seu estacionamento é algo que a CML deveria fazer de imediato mas não faz. "O estacionamento não pode continuar a ser feito da forma que o fazemos em Lisboa, sem regras claras e sem uma política rigorosa".
4. Diminuir estacionamento disponível: "Aumentar o espaço de estacionamento na cidade é andar ao contrário do que deve ser feito. É relativamente fácil gerir esta variável e, se na AML não a gerimos adequadamente, então na cidade não a gerimos de todo: é só ver as segundas filas, os passeios cheios de carros, a falta de fiscalização e o sentimento de impunidade generalizado dos cidadãos". "Dizem que querem uma cidade descongestionada e depois anunciam novos parques no centro da cidade. Qual a coerência deste modelo?"
5. Aumentar faixas BUS: "Se estiver parado nos sinais e vir os autocarros a avançar, se calhar até penso mudar de meio de transporte". "A nossa frota anda uma média de 14,5 quilómetros por hora. Se nos deixassem andar a mais um quilómetro pouparíamos cinco milhões de euros por ano."
6. Tem que haver lógica de rede na Grande Lisboa em termos de transportes públicos.
7. O sistema de bilhetes tem que ser unificado. "Há 400 bilhetes diferentes na AML e até nós não sabemos qual é o título mais adequado a cada viagem. Não se pode continuar a fingir que o problema não existe só porque a reformulação do sistema comportaria um aumento das tarifas".

Nada que eu não tenha escrito por aqui... mas é sempre bom ver alguém que está realmente por dentro do assunto, a dizer exactamente o mesmo que nós. Ou será que o presidente da Carris e ex-vereador é um fundamentalista anti-automóvel perigoso?



Post recomendado: A Guerra Civil no Random Precision

Bicicleta no Metro (e na Carris?)

MC, 31.05.07
Graças à contínua pressão da FPCUB o Metro alargou o horário em que as bicicletas podem ser transportadas GRATUITAMENTE dentro do metro. O novo horário, que entra em vigor a 1 de Junho, passa a ser das 20h30 aos dias de semana e durante todo o dia ao fim-de-semana.
A Carris informou também que será possível transportar bicicletas nos autocarros a partir do fim do corrente ano e em carreiras a definir, estando para isso previstas algumas adaptações nos autocarros.
Tal como o Comité Económico e Social Europeu defendeu, a bicicleta é fundamental como complemento aos meios de transporte para uma mobilidade sustentável nas nossas cidades. Os horários ainda não são os melhores, mas agora cabe aos lisboetas aderir.
NOTA: as bicicletas dobráveis podem ser transportados em qualquer transporte público, a qualquer hora.

Fim da governação Carmona/Santana

MC, 17.05.07
Chegou entretanto ao fim o executivo camarário onde Santana e Carmona se foram alternando no poder. Ao longo destes 5 ou 6 anos pouco mudou na mobilidade de Lisboa, mas aqui deixo alguns pontos que me vêm à memória.
NEGATIVOS
  • Túnel do Marquês. Lisboa tem agora uma auto-estrada que acaba no centro da cidade, não podendo por isso haver maior convite à entrada de automóveis em Lisboa. Esta péssima decisão bate qualquer boa medida que a CML tenha adoptado a favor da mobilidade (excepto se tivesse introduzido portagens, o que contrariaria o convite ao transporte privado).
  • Bicicleta. Apesar de haver um aumento de lisboetas a deslocarem-se de bicicleta, esta foi totalmente negligenciada pela CML. Nem como complemento aos transportes públicos foi promovida (bastaria um parque de bicicletas à porta do Metro).
  • Remodelação da rede da Carris. Houve bairros que deixaram de ter cobertura a toda a hora, avenidas e ruas centrais onde a frequência dos autocarros foi significativamente reduzida, etc... (ver positivo)
  • Barreira na Avenida da  República. Poucos se lembraram disto, mas em plena cidade Lisboa, numa das suas principais avenidas, foram colocadas barreiras entre as faixas de rodagem. A desculpa foi a protecção dos peões que insistiam em atravessar a Avenida (mas que parvoíce! as avenidas não foram feitas para as pessoas atravessar!), mas ajudou à transformação da avenida na actual via-rápida.
  • Pouco. Descontando algumas melhorias no estacionamento (havia passeios que os peões não viam há décadas) fica a sensação de que muito pouco mudou em seis anos. E em seis anos pode-se fazer muito.

POSITIVOS
  • Fecho do Bairro Alto, Alfama e Sta Catarina ao trânsito de não-residentes. Os bairros tornaram-se mais calmos e agradáveis. Os residentes também estacionam agora mais facilmente. O caso do Bairro Alto foi um grande sucesso. Havia vários receios que o afastamento do automóvel reduziria o número de pessoas a frequentar o bairro, mas aconteceu exactamente o contrário, provando que até no país mais carro-dependente menos automóveis significa mais vida e mais pessoas.
  • Pilaretes. Foi mantida a política de colocação de pilaretes para melhor combater o estacionamento selvagem que impedia a circulação de peões (com especiais problemas para os deficientes, os idosos e os pais com carrinho de bebé).
  • Remodelação da rede da Carris. A rede que existia tinha sido desenhada há décadas, quando a cidade era completamente diferente. As pessoas, os empregos e o comércio deslocaram-se, a cidade cresceu, o metro cresceu, etc... (ver negativo)
  • Radares. Infelizmente ainda não operacionais devido a problemas legais, os radares serão um excelente dissuasor às perigosas velocidades praticadas em Lisboa. Em muitas cidades europeias leva-se multa acima dos 30, em Lisboa leva-se uma buzinadela abaixo dos 80.
  • EMEL. Reforço da actividade da EMEL que permitiu algum controlo do estacionamento selvagem, criando barreiras à entrada de veículos na cidade.
(Lista em aberto)

Abaixo Assinado por mais Autocarros

MC, 13.04.07
Notícia do Portugal Diário: «A Comissão de Utentes do Bairro da Boavista entregou, esta quinta-feira, na Carris um abaixo-assinado com 1.634 assinaturas contra a falta de transportes e a insegurança de que dizem ser vítimas desde que a REDE 7 começou a funcionar.

(...)

No documento, a comissão de utentes contesta ainda a diminuição de carreiras desde a entrada em vigor da REDE 7 que fez com que os moradores do bairro da Belavista ficassem sem transporte público a partir das 21:00...»

Já começam a surgir aqui e ali movimentos populares a exigir mais e melhores transportes públicas contra as visões economicistas das autoridades.
Há um mês o Chile atravessou uma grave crise política, com enormes manifestações diárias (infelizmente muitas tornaram-se violentas e houve centenas de presos) contra a reformulação do sistema de transportes públicos de Santiago do Chile. Além de outros motivos,  um resumo d'O Globo Online aponta o número de autocarros em circulação que passou de 8000 para 5000.

Carris reduz emissões de gases poluentes

MC, 20.03.07
 Notícia do DN de domingo:

A Carris terá reduzido as suas emissões de gases poluentes nos últimos três anos, devido à renovação da frota de autocarros e eléctricos. Segundo o último relatório de sustentabilidade da transportadora lisboeta, as emissões de monóxido de carbono (CO) diminuíram 46%, assim como todos os restantes poluentes atmosféricos - menos 31% de óxidos de azoto, 48% de hidrocarbonetos e 49% de partículas.

As emissões de dióxido de carbono (CO2) terão diminuído 10%, segundo uma estimativa da Carris, uma "vez que são directamente proporcionais ao consumo de gasóleo", que terá diminuído em cerca de cinco litros por cada cem quilómetros com a nova frota, afirma o documento.
(...)
Outra razão para a diminuição da emissão de gases poluentes é a utilização de combustíveis alternativos, em curso na Carris desde 1998. Actualmente, a transportadora lisboeta dispõe de 18 autocarros a operar com mistura de biodiesel - biocombustível obtido a partir de óleos vegetais - e 40 movidos a gás natural. Deste modo, o consumo de gasóleo também desceu - foram consumidos menos 1,9 milhões de litros em 2005 em relação ao ano anterior.

Simultaneamente, a Carris realizou programas de formação aos condutores, com o objectivo de "melhorar o desempenho na condução, em termos económicos e defensivos, consciencializando os seus trabalhadores para os problemas ambientais", refere o relatório.