Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
Este é mais um daqueles argumentos contra a bicicleta como transporte urbano que aparentemente só se aplica às cidades portuguesas. Senão vejamos:
Os programas de bicicletas públicas em Paris, Lyon, Barcelona, etc... vão de vento em poupa. Em
Paris, nos primeiros seis meses do programa, houve 75 mil viagens por dias com apenas 10 mil bicicletas disponíveis.
Em
Londres vão ser criadas "auto-estradas para bicicletas" na cidade e vai ser também introduzido um programa de bicicletas públicas, num investimento de 540 milhões de euros.
E para que não restem dúvidas sobre o
tamanho das cidades:
Paris: 9,9 milhões de habitantes
Londres: 9,3 milhões
Lisboa: 2,4 milhões
Porto: 1,3 milhões
Claro que há muitos Lisboetas e Portuenses que fazem enormes deslocações no dia-a-dia, mas também haverá muitos cujas deslocações não chegam aos 5km. E mesmo para os primeiros é necessário investir em transportes públicos com capacidade para levarem bicicletas e bicicletas públicas disponíveis por toda a cidade.
Neste caso específico seria mais interessante ver o tamanho das cidades em área e não em população... as densidades populacionais podem ser bem diferentes. No entanto concordo que Lisboa é bem mais pequena que outras capitais europeias.
Quanto às pessoas que fazem grandes deslocações para vir para Lisboa, penso que a solução não passa pela massa das pessoas transportas consigo as bicicletas, mas sim existir pontos chave onde as possam deixar durante a noite. Os grandes terminais de transporte deveriam ter parques grandes e seguros (não como o parque actual do campo grande que tem 4 lugares onde apenas 1 é ocupado regularmente por uma cadeira de rodas!?)
Outra coisa importante era que houvesse um modelo urbano de bicicleta suficientemente, barato, funcional e urbano que não significasse uma grande perda em caso de roubo. Esta seria a bicicleta ideal para usar massivamente em Lisboa... deixem-me sonhar!
De
MC a 11 de Fevereiro de 2008 às 00:59
Concordo contigo!
(Só referi a população porque a área parece-me algo difícil de encontrar).
E sim, deixar perto do emprego é melhor do que carregá-la.. Escrevi aquela parte à pressa só para dar exemplos de como o tamanho da cidade não pode ser um argumento contra.
De
Tárique a 11 de Fevereiro de 2008 às 10:58
Eu ando sempre de bicicleta em Lisboa e a única coisa que me traz dificuldades é a falta de regulação da velocidade dos automóveis com que partilho a estrada. Chegam a passar por mim a 100 km/h em zonas em que o limite é 50!
Ps.: Já alguém reparou que é sintomático da ditadura do automóvel que o novo espaço cultural em Lisboa é um "centro comercial das artes" em braço de prata, sem acessos públicos , mas com um parque de estacionamento à superfície gigantesco? Eu chego lá bem de bicicleta, mas não há estacionamento para ela.
Absolutamente! Há tempos, num problema qualquer, uma senhora dinamarquesa dizia que fazia 20km de casa/trabalho. Podem dizer, a Dinamarca é plana, mas se se gastam fortunas colossais para construir viadutos para automóveis, porque não investimentos para vencer alguns desníveis para as bicicletas.
Realmente, espaços culturais como a Fábrica de Braça de Prata, com um público jovem, deviam ser centrais na promoção destes hábitos
De
MC a 13 de Fevereiro de 2008 às 19:25
No 100 de dias de bicicleta em Lisboa
http://100diasdebicicletaemlisboa.blogspot.com/
sugeria-se há tempos uma ideia bem simples para aligeirar o problema do declive nas zonas minoritárias onde ele existe. Criar transportes públicas com boas condições para levar bicicletas, a fazer percursos de pontos baixos para pontos altos. Assim que quisesse fazer um percurso com um grande desnível, poderia "subir" até a um ponto mais alto e daí seria mais fácil..
(Como sempre sublinho que eu não deixo de fazer percursos em Lisboa de bicicleta por causa do relevo... o grande papão só existe para quem não tem experiência)
Queria dizer: programa
De
MC a 13 de Fevereiro de 2008 às 19:20
Pensei nisso quando fui a braço de prata.
Mas como esse há outros exemplos, como o polos universitários da Ajuda e do Monte da Caparica - bem longe de transportes públicos, e a estapafúrdia hipótese do IPO - que serve toda a Grande Lisboa passar para Oeiras. Agora imagine-se a volta que os doentes da linha de Sintra, Amadora, Odivelas, Alverca, Margem Sul, etc... teriam que dar. Mas graças ao brutal investimento em alcatrão, o popó até ficaria a ganhar.
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