Quando se fala em bicicletas na cidade e em como promovê-las pensa-se quase automaticamente em ciclovias. Muitos queixam-se que há pouquíssimas ciclovias nas cidades portuguesas e defendem que isto seria a principal razão para haver tão poucos ciclistas por cá.
É curioso notar - para quem não está por dentro do assunto - que a defesa das ciclovias aconteça normalmente por quem tem pouca ou nenhuma experiência de usar a bicicleta na cidade, havendo até muitos opositores às ciclovias entre os ciclistas com mais experiência (na eterna discussão deste tema na
mailing list da
Massa Crítica/Bicicletada houve até quem propusesse uma declaração da experiência tida com o transporte bicicleta sempre que se desse a opinião) .
São dois os principais argumentos
- As ciclovias dão uma sensação totalmente falsa de segurança, porque elas na realidade aumentam a sinistralidade
- Ao segregar as bicicletas do resto do tráfego está-se a alimentar a ideia de que as bicicletas não são tráfego e a fomentar comportamentos do tipo "sai-me da frente!" (quando na realidade são os automóveis e não as bicicletas que causam congestionamento e velocidades baixas).
A propósito disto recomendo o excelente
post do Frederico - com muitos quilómetros de bicicleta em Lisboa - no
Vou de Bicicleta cheio de estatísticas e exemplos em vez de wishful thinking e argumentos no ar. Há ainda este
texto do Mário Alves (especialista em mobilidade) sobre os perigos de segregar as bicicletas do trânsito.
Já agora reparem que a rua na foto deste
post, e apesar de ser uma rua importante num bairro residencial na
Holanda, não tem ciclovias. É mais um mito urbano que a maioria das ruas na Holanda têm ciclovia.
Mais:
Não use a ciclovia!(Brasil)
A associação alemã de ciclistas
defende que os ciclistas circulem na rua
El carril-bici es el opio del pueblo ciclista
De
Gi a 4 de Fevereiro de 2008 às 19:56
Fico contente por ler este post.
Em Albufeira criaram-se ciclovias junto dos passeios, mas como não há cultura de bicicletas, nem bicicletas, os carros param lá em cima.
A CP, progressivamente, tem alargado a possibilidade de se poder transportar bicicletas nos comboios. No entanto, seria bom se tal fosse também possível no InterCidades. Tenho daquelas dobráveis que não ocupam muito espaço. A CP, com alguma boa vontade, poderia arranjar espaço em cada carruagem para o transporte de algumas bicicletas, nem que fosse apenas na condição de marcação prévia
De
MC a 9 de Fevereiro de 2008 às 15:35
Em princípio as dobráveis são consideradas como bagagem normal, não podem ser cobradas. Eu não tenho experiência mas julgo que nos transportes urbanos não é levantado qualquer problemas a essas bicicletas.
De Cax a 13 de Julho de 2009 às 00:21
A acrescer a isso, o facto de a maioria das ciclovias em Portugal serem mal projectadas e meramente ornamentais. Vejam http://forum.novaenergia.net/viewtopic.php?f=29&t=10556
De
MC a 15 de Julho de 2009 às 14:43
Pois!
Por um lado é bom que se comece a pensar na bicicleta, mas tenho a impressão que o dinheiro está a ser gasto às três pancadas sem o mínimo de conhecimentos técnicos...
As ciclovias são, conceptualmente, más. Mas em defendo-as em certas ocasiões:
- Em vias onde a velocidade seja superior a 50Km/h e sem muitos cruzamentos. Até poderiam servir de "Vias rápidas" para biclas, à imagem do que é feito em Copenhagen.
- Vias destinadas a lazer/turismo. De forma sustentada e integrada poderia ser criada uma rede de ciclovias de turismo que permitissem ciclistas visitarem o país e visitar locais turísticos. Só trariam vantagens.
É o que defende a ciclo-via.org
Abraço
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