Regresso a um dos argumentos contra a restrição da entrada de automóveis no centro da cidade. Defendem muitos - baseando-se em
wishful thoughts, e não em dados reais - que isto levaria ao afastamento das pessoas, dos empregos e do comércio, matando de certa maneira a cidade.
Já
aqui escrevi que em Londres aconteceu exactamente o oposto, mas há também exemplos disso em
países mais pobres. Refiro-me concretamente a Bogotá, capital da Colômbia,
que nem Metro tem, onde houve uma forte aposta por parte do antigo presidente da Câmara Enrique Peñalosa em afastar os automóveis da cidade, criar melhores condições para os peões e criar os seus famosos autocarros expresso, etc...
Neste
video (encontrado no
Cenas a Pedal) ficamos a saber que foram eliminados dezenas de milhar de estacionamentos à superfície, o que num primeiro momento levou à ira dos comerciantes. Na realidade, além da óbvia melhoria na qualidade de vida, houve um aumento do preços dos imóveis (sinal de que há mais procura), o crime diminui e as vendas no comércio subiram.
Um outro sinal de que estas políticas são agora bem acolhidas, é que ainda não houve um retrocesso apesar de Peñalosa ter perdido a Câmara há 6 anos.
De Anónimo a 27 de Outubro de 2007 às 19:50
Havias de transportar 15kgs em cada mão, diáriamente, que são os meus instrumentos de trabalho, que logo vias o que era andar de transportes públicos.
De
Afronauta a 28 de Outubro de 2007 às 10:27
Nota-se que em Portugal, NAS CIDADES onde essas medidas foram aplicadas o desenvolvimento disparou: Freixo de Espada à Cinta, Ranholas, Salvaterra de Magos, Vidago...
A transposição directa de medidas de uns países para outros pode dar origem a resultados díspares. As condições de partida são distintas e cada caso deve ser analisado e solucionado tendo em conta as especificidades do mesmo em termos culturais, sociais, de desenvolvimento...
De Anónimo a 28 de Outubro de 2007 às 15:12
Eu geralmente uso esse tipo de frases quando não quero que algo vá para a frente - por diversos motivos. É por isso que ainda não se fez, por exemplo, o raio de um aeroporto novo.. que se fala há 20 anos, porque continuamos a pensar, a examinar, a ver... enfim.. a não decidir.
Parece-me por demais evidente que manter a solução dos automoveis como está é argumento suficiente para se experimentar alternativas. Fechem então o centro da cidade e vejamos!
De Rato Orelhudo a 28 de Outubro de 2007 às 17:59
Também acredito que condicionar ou circunscrever a circulação de automóveis no centro das cidades seria uma medida com grande impacto ao nível da recuperação do comércio tradicional, aumento dos índices de habitação e reinstalação de equipamentos (cinemas, teatros, discotecas, restaurantes, bares, escolas), tudo coisas de que as cidades carecem para se tornarem de novo atractivas e habitadas. Há muitas fórmulas que poderiam ser pouco a pouco experimentadas: circunscrever áreas livres de trânsito, limitar horários de circulação, criar transportes com bilhete diário sem limite de viagens, transformar ruas em galerias cobertas como os centros comerciais, levar os locais de diversão novamente para o centro das cidades aproveitando os cinemas antigos e os inúmeros casarões ao abandono, fixar as populações estudantis com residências, cantinas, bibliotecas, etc. Mais do que dinheiro e investimento, são necessária imaginação e coragem para combater os que acham que tudo deve continuar na mesma, apesar dos resultados deploráveis que estão à vista de todos e do desastre que ameaça a vida e os negócios no centro das nossas cidades. Falo do Porto e de Lisboa, que são as que melhor conheço mas não faltam outros exemplos. Parabéns pelo blog!
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