É muito curioso o valor, em termos de status social, que o andar de carro tem em Portugal. Todos conhecemos casos de pessoas em que o carro é um bem de ostentação, antes de ser um meio de transporte.
Os transportes públicos acabam por seguir o mesmo padrão. Em Lisboa houve em tempos uma publicidade a uma loja de electrodomésticos, com preços alegadamente muito baixos, que incluia alguns mupies com uma frase tipo "Eu é que não sou parvo. Andar de autocarro para poder comprar uma televisão".
Isto já para não falar na bicicleta, algo que se compra por uns míseros 50€ no hiper. (Já agora, aconselho a releitura deste
post).
Ontem houve uma manifestação de enfermeiros de bicicleta, alegadamente porque "
é o único meio de transporte que a situação precária que vivem lhes permite sustentar".
Como um gráfico vale mais do que mil palavras, cá fica a relação entre a riqueza per capita (em percentagem da média UE27 no eixo horizontal) e a percentagem de pessoas que usa a bicicleta como principal meio de transporte na UE (vertical), em cada um dos países da UE27 (cada ponto é um país).
(Fonte: EuroBarómetro, EuroStat. Weighted Least Squares usando a população como peso.)
De Ricardo Sobral a 31 de Agosto de 2007 às 19:37
O que representa cada um dos eixos? E já agora, os pontos são países? Quais?
Se for possível acrescentares esses dados agradecia!
Abraço
De
MC a 31 de Agosto de 2007 às 22:02
Tens razão! Esqueci-me!
Pois chego á conclusão que a utilização de bicicleta não depende minimamente do poder de compra.
Já agora, qual é o ceficiente de correlação da recta de ajuste?
Além de poder haver N complicações adicionais:
Distribuição de riqueza na população (distribuição normal? por extremos?)
Tamanho dos países/população residente; população de um país/população da amostra - os dados não deveriam ser "pesados"?
De
MC a 4 de Setembro de 2007 às 08:15
1. não depende minimamente do poder de compra?? alguém disse que sim? só está implícito que a depender, seria ao contrário do que se dá a entender.
2. "coeficiente de correlação de uma recta de ajuste"? o que é isso? Nas seis cadeiras que tive de estatística durante o meu percurso académico nunca ouvi falar de tal coisa.
3.que informação obtem da correlação que não obtem do declive da recta?
4. uma simples correlação não faz sentido porque não entra em conta com a população!
5. seria excelente entrar com distribuição da riqueza, mas é mais que óbvio que não há dados desagregados de utilização de bicicleta por rendimento!
6. rendimentos com distribuição normal? em que mundo vive? alguma vez viu uma curva de distribuição de rendimentos?
7. quer que use a população residente como peso? então não sabe ler o que escrevi: "Weighted Least Squares usando a população como peso"?!
8. Usar o tamanho do país como peso? porque raio é q ue um português haveria de contar mais que um belga só por ter uma densidade populacional mais baixa?
Oh homem, eu também gosto muito de ser céptico Mas por favor, deixe-se de bocas, que se mandam só por mandar.
De
Tárique a 4 de Setembro de 2007 às 13:09
Fica o desafio: um gráfico semelhante, mas que use o HDI (human development index) da ONU em vez do PIB per capita. Aposto que a correlação será bastante melhor.
De
MC a 4 de Setembro de 2007 às 15:37
Também experimentei na altura :)
A correlação a bruto até era bastante maior (0,27 em vez de 0,13), mas a correlação sem ser "pesada" não faz muito sentido... e eu não tenho nenhum software que faça correlações pesadas.
Na regressão com pesos usando o HDI, a elasticidade estimada era baixíssima, 0.03, em vez de 0.35 com o Pib. Talvez se deva ao facto de os HDI trazerem muito pouca informação (variam muito pouco dentro da UE).
De Miguel a 5 de Setembro de 2007 às 15:38
A bicicleta é o mais de transporte mais ecológico que actualmente existe. Portanto é necessário reunir esforços para que se construam cliclovias nas cidades portugueses.
De
MC a 7 de Setembro de 2007 às 20:16
A minha opinião quanto às ciclo-vias não é assim tão determinada. Há mais de 10 anos que uso a bicicleta em Lisboa e não foi necessário haver ciclovias para tal.
Aqui fica um texto de alguém que sabe bem mais do que eu, o Mário Alves, que não acha que essa construção seja benéfica.
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