Presidente de Junta pelo encerramento ao trânsito dos bairros históricos
Destaco o caso do Bairro Alto, onde o condicionamento do trânsito permitiu acentuar a marca deste local como o bairro nocturno por excelência de Lisboa (o que é, no entanto, tão nefasto para a qualidade de vida de quem lá mora). Nas restantes capitais europeias o sistema de condicionamento do trânsito encontra-se complemente consolidado. Não compreendo ainda que a representante dos comerciantes de Alfama, que possui a dupla qualidade de comerciante e moradora considere por um lado, enquanto moradora, que a vida no bairro "se tornou perfeita" e, por outro, destaque a discriminação na entrada no bairro de grande empresas de distribuição - quando todos sabemos tratar-se de realidades diferentes. Hoje em dia não é o cliente que se tem de se aproximar do comerciante, mas o comerciante que tem de se aproximar de cada um dos seus clientes.
Tenho ouvido diversas pessoas dizerem que, caso se voltasse à situação anterior, saíriam do bairro. A vida dos que aqui vivem efectivamente melhorou! Apesar disso, existem melhorias a fazer: na fiscalização, na sinalização, mas acima de tudo na articulação com as juntas de freguesia. São elas que estão mais próximas do cidadãos e que podem ajudar a prestar um melhor serviço. O progressivo condicionamento do trânsito na zona histórica de Lisboa deve ser consolidado e melhorado. Os custos do seu abandono seriam demasiado elevados.
Filipe de Almeida Pontes
(presidente da Junta de Freguesia da Sé)
Lisboa
