Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007
Texto publicado hoje no Público-Lisboa
Saúdo a possibilidade de fechar mais bairros ao tráfego mencionada no programa eleitoral sufragado no passado dia 15 de Julho. Não consigo compreender os cartazes afixados em alguns estabelecimentos da Rua dos Remédios, neste bairro, nos quais se pode ler: " A EMEL está a matar Alfama." A principal razão para a eventual redução do comércio no bairro é a sua inadaptação à realidade do turismo dos nossos dias. O condicionamento do trânsito constituí uma oportunidade para incrementar o comércio - sendo para isso necessário modernizar, divulgar a marca "Alfama" e adaptar-se aos clientes que antes chegavam de carro e que chegam hoje a pé. E nunca estagnar!
Destaco o caso do Bairro Alto, onde o condicionamento do trânsito permitiu acentuar a marca deste local como o bairro nocturno por excelência de Lisboa (o que é, no entanto, tão nefasto para a qualidade de vida de quem lá mora). Nas restantes capitais europeias o sistema de condicionamento do trânsito encontra-se complemente consolidado. Não compreendo ainda que a representante dos comerciantes de Alfama, que possui a dupla qualidade de comerciante e moradora considere por um lado, enquanto moradora, que a vida no bairro "se tornou perfeita" e, por outro, destaque a discriminação na entrada no bairro de grande empresas de distribuição - quando todos sabemos tratar-se de realidades diferentes. Hoje em dia não é o cliente que se tem de se aproximar do comerciante, mas o comerciante que tem de se aproximar de cada um dos seus clientes.
Tenho ouvido diversas pessoas dizerem que, caso se voltasse à situação anterior, saíriam do bairro. A vida dos que aqui vivem efectivamente melhorou! Apesar disso, existem melhorias a fazer: na fiscalização, na sinalização, mas acima de tudo na articulação com as juntas de freguesia. São elas que estão mais próximas do cidadãos e que podem ajudar a prestar um melhor serviço. O progressivo condicionamento do trânsito na zona histórica de Lisboa deve ser consolidado e melhorado. Os custos do seu abandono seriam demasiado elevados.
Filipe de Almeida Pontes
(presidente da Junta de Freguesia da Sé)
Lisboa
De João Rodrigues a 23 de Agosto de 2007 às 00:55
Acompanho o trabalho deste Presidente há já algum tempo e sei que dispõe de um blog ofical da Junta jfse.blogspot.com e um blog pessoal filipepontes.blogspot.com muito activo. Enfim é um princípio que o poder político se mexa..
De Zé da Burra o Alentejano a 30 de Agosto de 2007 às 15:24
E os transporte para esses bairros históricos? que frequencia? que preço? e até que horas? Algumas zonas deviam ser só para os moradores, cargas, descargas ou quem trabalhe lá. Pessoas de fora devem até perder-se com frequência.
Porque não se pensa num funicular ou elevador pró Castelo de S.Jorge, por exemplo?
De
lol a 25 de Outubro de 2007 às 12:03
Mais demagogia de uma tipo que usa grandes carrões.
O utilizador prévio tem razão, carro = democratização. Usem as bicicletas enquanto os ricos e poderosos usam o carro. ;) Sejam "amigos" do ambiente para eles vos explorarem um pouco mais. Se todos usarem bicicletas, começam os impostos sobre utilização de bicicleta. Acordem para a vida!
O segredo está nas energias renováveis e mais tecnologia e não na idiotice pegada.
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