Provavelmente nenhum leitor alguma vez reparou nisto (o que em si é a prova #79 de que Lisboa é para carros não para pessoas):
a quase totalidade de cruzamentos em Lisboa tem o menor número possível de passagens de peões. Não é que isto seja feito de propósito, os cruzamentos são é pura e simplesmente pensados de modo a incomodar os automóveis o menos possível. Não é ao peão, que é quem dá vida à cidade, que é atribuída a prioridade máxima. Sejam cruzamentos sem semáforos (logo com passadeiras) ou com semáforos, isto acontece mesmo nas zonas da cidade onde há mais peões, mais vida e mais comércio: Av. Liberdade, Av. Fontes Pereira de Mello, Av. Roma, Baixa, Av. República, etc... E quem diz Lisboa, diz provavelmente todas as cidades do país.
Por exemplo:

Para passar de D a C, o peão é forçado a cruzar 3 vezes a rua, esperando por isso durante 2 ou 3 mudanças de sinal. De D a B , ou A a C espera por 1 ou 2 mudanças de sinal. Os veículos, seja qual for a chegada e a partida, esperam apenas por 0/1 mudanças de sinal.
E isto não se fica pelos cruzamentos com 4 entradas, aplica-se também aos com 3 ou 5, onde o caso consegue ser mais aberrante.
Da próxima vez que andar na cidade repare. E espante-se.
De Zé da Burra o Alentejano a 19 de Julho de 2007 às 11:51
Este blog te o título "Menos 1 carro em Lisboa". Será que é o seu e que você está disposto a prescindir dele?
Quem terá sido o ilustre decisor que deixou de fora a quarta travessia? Deve ser um daqueles políticos que está a ajudar este país a evoluir e a aproximar-se dos nossos parceiros da UE!
Porque é que em Lisboa devem haver travessias em diagonal, à semelhança das grandes metrópoles, como: Nova York, Tóquio, São Paulo, etc... , com mais do dobro dos habitantes de Portugal inteiro. Não encontra diferenças? Já reparou na largura e número de vias dessas avenidas? Convença-se que Lisboa é uma pequena cidade, se a considerarmos a nível mundial.
Os peões deveriam ser também ensinados a atravessar uma rua e multados nalguns casos, como acontece nalgumas grandes cidades. Há casos de autentica loucura no atravessamento de ruas: fora das passadeiras; nas passadeiras, mas com o sinal vermelho para os peões; nas passadeiras sem semáforo, aparecendo repentinamente e a correr; pessoas que vão circulando ao longo da rua e que quando chegam à passadeira fazem quarto de volta e que repentinamente a atravessam de imediato, sem repararem se vem algum veículo muito próximo, fiando-se apenas no seu direito de passagem.
Zé da Burra o Alentejano
De
MC a 24 de Julho de 2007 às 23:51
"será que é o seu e que você está disposto a prescindir dele?"
Quer realmente quer saber? É que já reparei que desvalorizou um comentário de outro leitor, porque ele não tinha carro. Ou seja, se alguém tem é incoerente, se não tem não merece opinião!! Preso por ter cão e preso por não ter.
Mas se quer mesmo saber, não tenho carro há 10 anos. E mesmo esse foi durante um período transitório.
De
MC a 24 de Julho de 2007 às 23:53
De qq modo, ão é isso que está em causa. Eu não quero proibir NINGUÉM de andar de carro. Quero apenas mostrar as inúmeras consequências deste abuso.
Mesmo que tivesse carro e o usasse no dia-a-dia, não mudaria uma linha do que escrevo aqui.
De Zé da Burra o Alentejano a 23 de Agosto de 2007 às 10:40
Não! não estou disposto a prescindir do carro enquanto o puder suportar e usar. Tenho também a felicidade de não morar em Lisboa e por isso pouco me afectam os problemas dos automobilistas da capital, que, aliás, são também peões.
Mas também lhe digo: cada vez mais o automóvel é mais imprescindível, senão repare: Os transportes públicos regem-se cada vez mais pelo lucro, sendo eliminadas as carreiras menos rentáveis. Isto passa-se até na capital com a recente alteração das "Sete Colinas". Juntamos a isto o facto dos Centros de Saúde, Hospitais, Escolas, e, quiçá em breve, os próprios Tribunais estarem a ficar cada vez mais afastados das populações. Assim, quem não tiver meio de transporte próprio está a ficar mesmo em "maus lençois".
Quanto ao comentário que alegadamente terei desvalorizado, não sei qual é, pois julgo ter sido o primeiro a comentar o seu "post".
Cumprimentos,
Do Zé da Burra o Alentejano
De
MC a 28 de Agosto de 2007 às 09:10
"não estou disposto a prescindir do carro enquanto o puder suportar e usar"
A questão está aí! Claro que o carro é confortável,mas é impossível todos usarmos o carro. Todos gostariamos de poder fazer barulho a qualquer hora, todos gostaríamos de ter uma casa sobre a praia (e que ela fosse a única na zona), todos gostaríamos que houvesse um caminho livre para os nossos percursos, etc... Mas isso é impossível.
Por alguma razão inexplicável só o automóvel tem escapado a esta regra óbvia: a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros.
Acho que o "Zé da burra" tocou num ponto muito interessante que é o péssimo comportamento dos peões em qualquer cidade portuguesa.
O peão não considera que o automóvel tenha qualquer direito e mesmo com carros a chegar às passadeiras sem semáforos, sem qualquer respeito por este, atira-se para cima da passadeira como sendo uma propriedade apenas sua.
Penso que se um carro estiver a cerca de 20/30 metros duma passadeira sem sinais de controle automático, a prioridade é do carro e não do peão.
Como será que um juiz julgará um acidente em que o peão seja agressivo demais na entrada da passadeira?
Não é só Lisboa. Até numa pequena cidade como a Covilhã encontramos sinais de que ordenamento, se há algum, é pensando nos carros, não nas pessoas. Olha para este artigo do Cântaro Zangado
http://ocantarozangado.blogspot.com/2007/07/desordenamento-urbano.html
Abraço!
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