Olá a todos os leitores.
Sou o António Cruz e escrevo pela primeira vez para o menos1carro.
Aceitei, com prazer, o convite do Miguel para escrever neste Blog, e quero deixar desde já uma palavra de apreço por todo o seu empenho na construção e manutenção deste blog até ao momento.
Gostaria de me apresentar dizendo que sou um utilizador regular da bicicleta como meio de transporte, vivo em Lisboa, e que desde há um tempo para cá as questões da mobilidade e vida nas cidades me tem deixado cada vez mais irrequieto e inconformado. Também uso carro, mas a nível excepcional e quando esgotadas outras alternativas.
Feitas as apresentações, gostaria de iniciar a minha participação com duas fotografias que ilustram a diferença que duas crianças, vivendo em sítios diferentes têm, na sua vida diária a nível sensorial.

Na primeira foto, usufruem do que "o melhor da tecnologia de ponta tem para dar". Provavelmente podem até colocar uns fones de modo a não incomodar quem está a conduzir.
Na segunda foto, a crianças tem sensações que vão para além das imagens, uma realidade 3D, sensações de cheiros, podem gozar o calor do sol, o incómodo da chuva, maior sensação de velocidade, maior oxigenação do cérebro não estando sujeita ao ar condicionado, mas sim ao vento e com certeza maior diversão e emoção.
Em Portugal, o primeiro exemplo está-se a tornar comum. Contribuirá isto para um atrofio de uma geração futura?
De Hugo Jorge a 10 de Julho de 2007 às 19:28
Bem vindo António!
De Anónimo a 11 de Julho de 2007 às 04:21
boa prosa, totalmente de acordo
De Sílvia de S.Botelho a 11 de Julho de 2007 às 11:31
Ora aí estão dois bons exemplos de extremos. Eu acho que o atrofio de uma geração futura não vai ser o resultado da televisão no carro. São precisos muitos anos para que uma geração de repente seja atrofiada não acham? Antes desses tais anos passarem não há é ar para se respirar, a comida foi toda alterada geneticamente, morreram todas as abelhas (as abelhas estão a ser envenenadas por flores geneticamente alteradas que produzem pólen venenoso), consequentemente não há reprodução entre as plantas, nem gerações para ninguém! É a primeira vez que leio este blog e realmente alguma coisa tem que mudar ----- Vamos todos andar de bicicleta?
Boas pedaladas, Sílvia Botelho
De Zé da Burra o Alentejano a 18 de Julho de 2007 às 14:07
Vamos pois todos andar de bicicleta. Mas não esqueça que Portugal é um país acidentado (em especial a norte do Tejo e Lisboa é a cidade das sete colinas.
Eu como sou fraquinho posso pedalar pra baixo ou a direito, mas pra cima, quem pedala pra mim? é você seu "blogista"?
Zé da Burra o Alentejano
De
sonia a 11 de Julho de 2007 às 18:19
eu vivo na holanda e a imagem que mais conheco e a de baixo. quando venho a portugal e me vejo obrigada a andar de carro com os miudos e um martirio e depois de uma semana so desejo ir embora. ha muito pouca falta de civismo neste pais a comecar na maneira como se conduz. hoje (estamos de ferias em lisboa) ia na 2 circular e por causa dos radares todos iam a 80, isto sim... dizia... isto e que e um portugal moderno e civilizado, nao sao os telemoveis por habitante, ou os computadores ou os quilometros de autoestrada.
no outro dia a falar com uns amigos, mostravam-me babados as beneses de um leitor de dvd no carro e como aquilo embalava o filho de cinco meses e eu a pensar, ai jesus, ninguem lhes disse que a televisao para os bebes e a velocidade das imagens e do pior, que as suas cabecinhas nao estao preparadas para tanta informacao e berraria, enfim... quem sou eu.
so posso dizer que sorte a minha de os meus filhos poderem crescer a baixas velociades num pais cheio de vacas e bicicletas!
bem haja!
De Zé da Burra o Alentejano a 18 de Julho de 2007 às 14:26
- BICICLETAS:
Há uma diferença também muito notória entre Portugal e a Holanda: a sua orografia. A Holanda é um país plano e Portugal é o que você bem sabe, por via disso não chega criarem-se vias próprias para as bicicletas, como há na Holanda, para que passemos a andar todos de bicicleta ;
-CIVISMO:
Os portugueses como os holandeses são feitos da mesma matéria, tão pouco os portugueses a mudam quando vão para a Holanda. Seria talvez bom que procurasse outros motivos para a nossa falta de civismo. Este país está cada vez pior nesse aspecto: a corrupção grassa por todo o lado e nem sequer é mal vista, porque nos está a ser subtilmente induzida diariamente a mensagem de que NA NATUREZA VENCE O MAIS FORTE. AO MAIS FRACO ESTÁ DESTINADO A SUA SUBORDINAÇÃO OU EXTINÇÃO. AQUI NÃO CABEM COMPLEXOS DE CÍVISMO.
Já que está na Holanda, tem sorte de ter conseguido sair de cá, então tenha cuidado enquanto por cá andar a matar saudades porque o pacato país que conhecia já não existe. ISTO AGORA É A SELVA E NA SELVA NÃO HÁ REGRAS DE CÍVISMO!
Zé da Burra o Alentejano
De Anónimo a 11 de Julho de 2007 às 18:53
Imagino que os plasmas sejam muito úteis para viagens grandes. Convenhamos que não é nada estimulante para uma criança a paisagem da A1 a 140km/h e todos sabemos como irrita um puto entediado.
E não, não se pode ir de férias para o Algarve (subsituir por destino mais ecologicamente correcto) numa 'bicicleta de caixa aberta'
De anonimo a 14 de Julho de 2007 às 22:04
Lamento mas está enganado. Já fui de bicicleta e foi bem bom :)
De
Pedro Sá a 13 de Julho de 2007 às 09:10
Se ir a 80 à hora é civilização vou ali e já venho. Os limites de velocidade (excepto o urbano, e a 2ª Circular é uma auto-estrada, para o bem e para o mal) estão completamente ultrapassados, anacrónicos.
A 2ª Circular não tem cruzamentos, mas os entroncamentos não têm a qualidade que se pode observar numa autoestrada "normal". E são muito próximos.
Os engarrafamentos/atrasos/acidentes são comuns.
Os riscos de andar a 120 ou a 80 num percurso que se estime de alguns quilómetros não justificará o ganho (eventual) de alguns poucos minutos.
E poupa gasolina...
O mundo está a mudar, antigamente os miúdos iam em pé no banco de trás a dizer adeus ao carro que vinha atrás, os carros não tinham catalisadores, a gasolina tinha (e ainda tem mais vai mudar) um alto teor de enxofre e tinha chumbo, os carros a gasóleo emitiam muitas particulas (ainda emitem), os carros eram a carburador e auto-estrada era uma coisa que só existia para ir até ao Porto e só tinha duas faixas...
Agora temos carros com injecção directa, catalisadores, filtros de partículas, começa-se a desenvolver o uso de carros a hidrogénio com recurso à célula de combustível, os miúdos são obrigados a ir amarrados com cadeirinhas isofix bem caras, deixamos de ter paisagem para termos auto-estradas que permitem ter um fluxo de tráfego superior e mais rápido o que reduz as emissões e para não incomodar ninguém fazemos essas auto-estradas longe das localidades, com muitas árvores à volta para ajudar a capturar o CO2 e evitar o ruído para a vizinhança...
Quero com isto mostrar que por andarmos mais devagar não estamos propriamente a melhorar o ambiente, a nossa segurança ou a nossa saúde e no entanto a desgraçada da industria automóvel que se fartou de evoluir para reduzir o seu impacto ambiental nos últimos 20 anos continua a ser a culpada por todos os males do mundo quando existem indústrias que estão no limite das suas emissões de CO2 e nada fazem para as reduzir, e não nos podemos esquecer do NOx, HC...
E os miúdos coitados "atrofiados" já ficam eles de irem amarrados a uma cadeirinha, ao menos vão confortávelmente a ver um filme ou a jogar um jogo, é qualidade de vida, na minha opinião é preferivel e estimula mais o cérebro de uma criança do que ir ou a ver árvores sem fim ou carros parados num transito caótico.
E só uma correcção, não são plasmas são LCD's ;)
De Mário a 18 de Julho de 2007 às 01:49
Excelente post António!
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