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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

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Portugal esbanja energia

MC, 14.06.07
O Diário Económico alerta hoje para um problema antigo em Portugal, o desperdício de energia. É há muito sabido que Portugal gasta muito mais energia para produzir a mesma riqueza - a chamada intensidade energética - comparado com os outros países europeus. Segundo este texto de 2005 (vale a pena lê-lo) "desde 1973 até aos dias de hoje a intensidade energética do PIB na Europa foi reduzida para metade do seu valor, em Portugal duplicou!". Ou seja conseguimos hoje utilizar pior a energia do que o que fazíamos há umas décadas atrás!

Alguns excertos da notícia do DE:

Cada português gastou, em média, 12 barris de petróleo no ano passado. Um valor recorde para o consumo que representa também um máximo no desperdício: o fraco crescimento não justifica aumento do consumo.

Há três anos consecutivos que a economia portuguesa está a perder eficiência no uso do petróleo e a factura energética não pára de aumentar, tendo ultrapassado os 5% do Produto Interno Bruto em 2006, o valor mais alto dos últimos onze anos. Especialistas como Eduardo Oliveira Fernandes e Nuno Ribeiro da Silva avisam que o desperdício representa 60% da energia consumida em Portugal.

Segundo dados da British Petroleum (BP) publicados esta semana, o consumo de crude está a acelerar desde 2003 apesar do choque nos preços internacionais da matéria-prima. Em 2006, cada português consumiu 12 barris de petróleo por ano, valor que revisita os recordes do período de maior expansão económica (1999 a 2002). O crescimento do consumo de petróleo registou uma quebra em 2003, ano de recessão, mas desde então que está a subir de forma ritmada (de 1,5% em 2004 para quase 5% no ano passado).

No entanto, esta maior intensidade energética da economia não se traduziu em mais crescimento, como provam os dados do PIB dos últimos anos. Pelo contrário, em 2006, Portugal precisou de pagar  quase 51 euros para criar 1.000 euros de riqueza (PIB), naquele que é o maior valor desde 1985, e outra forma de ler a factura energética.

(...) Ribeiro da Silva, professor de Economia da Energia do ISEG, tem sublinhado que “a energia que desperdiçamos é o nosso maior recurso”. Se Portugal conseguisse reduzir em 20% o seu consumo de energia com recurso a mais eficiência pouparia 1,2 mil milhões de euros anuais, avançou o ex-secretário de Estado. Luís Mira Amaral, ex-ministro da Indústria, pede uma maior modernização dos meios e sistemas de transportes, um dos sectores onde o desperdício “é mais dramático”, estratégia que também é considerada prioritária por muitos outros peritos.