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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

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Reacções à defesa das bicicletas por António Costa

MC, 12.06.07
Tem havido muitas respostas ao incentivo de bicicletas na cidade por parte de António Costa. Umas mais parvas do que outras (não as vou citar, porque não dou tempo de antena a palermas), tendo sido a de maior impacto a de Marcelo Rebelo de Sousa, que diz que "se há cidade em que não faz sentido defender a utilização da bicicleta é em Lisboa".


Embora já tenha escrito sobre isto, volto à carga.

1. Lisboa, cidade das sete colinas. É verdade que Lisboa tem um relevo difícil. Subir ao Castelo ou ao Bairro Alto é complicado.
Há contudo um pormenor, 99% da vida da cidade não se passa nas subidas das sete colinas. Há enormes áreas planas em Lisboa: Avenidas Novas, Campo Pequeno, Campo Grande, Av Roma, Alvalade, Areeiro, Belém, Parque das Nações, Sete Rios, Benfica, Laranjeiras, Luz, Telheiras, Lumiar, Carnide, Avenida 24 Julho, Avenida Infante D. Henrique, Campo de Ourique, Arco do Cego, Alta de Lisboa, etc... Se os pequenos percursos dentro de cada uma destas áreas, ou entre elas) fossem feitos de bicicleta já seria um enorme aumento na qualidade de vida da cidade.

2. Defender o uso da bicicleta em Lisboa não significa obrigar os lisboetas a usá-la. Significa apenas apoiar quem o deseja fazer, fazer campanhas pela bicicleta, mostrar as suas virtudes etc... Com os milhões que são gastos em apoio ao trânsito automóvel em Lisboa, não percebo como se pode ser contra uns trocos em apoio a um meio de transporte que não polui, não provoca barulho, não congestiona a cidade, não ocupas passeios e espaço público, etc...
Havendo gente que estaria aberta a usar a bicicleta, porque não incentivar quem a quer usar, mesmo que seja na zona mais sinuosa da cidade?

3. Bicicleta como complemento aos transportes públicos. Um dos principais problemas de quem faz longos percursos no dia-a-dia (a grande maioria dos habitantes da Grande Lisboa) é que o comboio e o metro ficam longe dos pontos de partida e de chegada, obrigando ao uso complementar do autocarro. Isto aumenta o tempo, o desconforto e o preço do percurso. Estes pequenos percursos de ligação poderiam quase sempre ser feitos de bicicleta, se houvesse infra-estruturas para tal, tanto para levar a bicicleta dentro do comboio, deixar a bicicleta junto à estação (inicial ou final) ou alugar uma bicicleta na estação final como está a ser feito em Barcelona.

P.S. O Nadir dos Tempos diz e muito bem, que "se a Holanda fosse habitada por portugueses, Amesterdão seria uma cidade sem bicicletas". Isto porque se diria que "é ideologia utópica pensar no uso de bicicleta em Amesterdão. Nesta cidade chove 320 dias por ano! Só os enviesados do politicamente correcto poderiam pensar seriamente nessa ideia! Se há cidade em que não faz sentido defender a utilização de bicicletas é em Amesterdão."