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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

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Na imprensa

MC, 15.04.10

1. O i tem dois artigos interessantes sobre uma tese de mestrado sobre a assunção da culpa por parte dos homicidas ao volante, com o sugestivo título de "Nunca tive um comportamento de risco mas já andei na auto-estrada com a minha mota a 290". O artigo vem a propósito da condenação a três anos de prisão para a homicida ao volantedo Terreiro do Paço, condenação que a ACA-M considerou como excecional, e onde a homicida não reconhece a culpa apesar de circular a 110km/h no centro da cidade, culpando o carro que "ganhou vida". Alguns excertos:

 

"A maior parte dos condutores não se culpabiliza e tenta atribuir a responsabilidade a outros elementos externos", aponta a autora, mestre em risco, trauma e sociedade. "São mecanismos de preservação da auto-estima, de defesa, mas que bloqueiam a mudança de comportamentos", acrescenta.

 

A negação da culpa não acontece apenas em caso de acidente - as justificações são comuns nas infracções, como excesso de velocidade. "As pessoas assumem a desobediência, mas consideram-se boas condutoras: justificam a infracção com o seu desempenho técnico, com a percepção de segurança e o controlo no momento"

 

Em 2009 foram atropeladas 6.133 pessoas, uma média de 17 por dia.

 

As pessoas tendem a atribuir a responsabilidade aos outros ou a factores como o estado do pavimento ou as condições climatéricas.

O exemplo de alguém que atropelou uma pessoa, causando danos físicos graves. Mantém uma contenda judicial. Essa pessoa disse-me que sente culpa por ter causado aquele dano físico, mas não aceita a responsabilidade pelo acidente porque diz que a pessoa estava fora da passadeira. Quando me descreveu as lesões que a outra pessoa sofreu torna-se claro que aquele tipo de lesões não são passíveis de serem causadas por um carro que viesse a 30 ou a 40 quilómetros por hora, como me disse que circulava.

 

Existe uma noção muito individualista do acto de conduzir em Portugal. As pessoas conduzem na relação de comando do veículo, com alguma consideração pelas regras, o que segundo o resultado do meu estudo passa apenas pelo cumprimento da sinalização, dos semáforos e pouco mais. As pessoas não incluem o excesso de velocidade na infracção, nem conversas ao telemóvel e uma série de outras coisas que por definição são infracções. Falam delas à parte, o que é significativo.

 

Uma das premissas básicas para alguém mudar passa por admitir que teve um comportamento errado. Se não aceita o erro tenho dúvidas que a pena resolva. Poderá mudar o comportamento pela coacção de uma sanção - eu tenho maiores indícios de mudança de comportamento nos indivíduos formalmente culpados, porque as sanções (cassação da carta, multas) interferem com a vida quotidiana e a carteira.

 

(...)países da Europa com baixas taxas de sinistralidade, com estratégias preventivas profundas, não têm prisões com pessoas que atropelaram alguém ou causaram acidentes. A prevenção age de outra forma: as pessoas são responsabilizadas, mas muito mais cedo do que nós somos. Há uma tolerância para a infracção muito menor do que nós temos, as pessoas começam a ser punidas por actos bem menos graves comparados com o que se passa em Portugal. E o peso da sanção é tão gravoso que a dissuasão parece funcionar.

 

Tudo isto reforça a minha opinião de que os condutores não se apercebem que são eles que têm constantemente uma arma nas mãos. É fundamental atribuir a culpa à partida ao automobilista num atropelamento/acidente com bicicleta.

 

2. O JN diz hoje que o Governo quer agilizar o processamento de multas nos casos onde apenas o veículo, e não o condutor, é identificado (ex: radares, estacionamento ilegal), passando os seus donos a serem notificados em 3 a 5 dias. Passar uma multa é hoje um processo burocrático tremendo para um guarda o que desincentiva o seu bom desempenho. Esperemos que mude, e que as multas sejam cobradas.

 


O e2 Series tem um documentário muito interessante sobre a famosa auto-estrada que atravessava o centro de Seul, e que foi desmantelada há anos. Mostra o quão era afectada a cidade, as fortes resistências que houve e mostra como afinal tudo correu bem. Infelizmente não há linl direto, está em Webcasts, Transport, Seoul.

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