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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

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A velocidade causa acidentes, ponto final

MC, 02.09.10

Há sempre algum wishful thinking quando se levanta o tema do controlo de velocidade como método de redução de sinistralidade.  Gosto particularmente  do argumento que sustenta que velocidades baixas causam sonolência, logo causam acidentes. Não se riam porque não o ouvi numa tasca, mas de alguém que aparece frequentemente nos media a falar sobre sinistralidade (apesar de não estar ligado ao tema).

Como eu gosto de basear os meus argumentos em estudos científicos, aqui ficam algumas conclusões dos dois primeiros estudos que apanhei numa base de dados académica (não andei à pesca de números sonantes).

 

Do estudo "The effects of drivers’ speed on the frequency of road accidents" do Road Safety Division, Department of the Environment, Transport and the Regions:

 

- Reducing the speed of the fastest drivers (...) is likely to bring greater accident benefits than reducing the overall average speeds for all drivers, particularly on urban roads.

- The percentage reduction in accident frequency per 1mile/h reduction in mean speed has been shown to vary according to the road type and the average traffic speed. It is:
about 6% for urban roads with low average speeds;
about 4% for medium speed urban roads and lower speed rural main roads;
about 3% for the higher speed urban roads and rural main roads.

Traduzindo para as nossas unidades, a simples redução de 1km/h na velocidade média, reduz os acidentes em 3%.

- A reduction in average speeds (averaged across the whole network) of just 2miles/h [3km/h]. This would mean that each year more than 200 deaths and about 3,500 serious casualties would be prevented [valores para o Reino Unido].

 

Do estudo "Driving speed and the risk of road crashes: A review" do Institute for Road Safety Research da Holanda:

 

- None of these relatively recent studies found evidence that also vehicles that move (much) slower than the surrounding traffic have an increased crash rate.

- 1% increase in speed results approximately in 2% change in injury crash rate, 3% change in severe crash rate, and 4% change in fatal crash rate.

 



O mundo das bicicletas não pára! Depois do Bicycle Film Festival em Lisboa no início de Outubro, teremos o Bicycle Music Festival a 15 e 16 de Outubro em Lisboa, e 31 e 31 no Porto!

Mais Soltas

MC, 01.09.10

1. Os transportes no Porto estão de parabéns! Perdi o link da notícia que já tem umas semanas, mas recordo-me do essencial: vão ser instalados painéis com o tempo real de chegada dos autocarros (como existem em Lisboa), mas nas estações do Metro! Isto é interoperacionalidade. Depois de ter um sistema de bilhetes comuns a todos os transportes públicos, é mais um bom exemplo que deveria ser seguido em Lisboa onde as empresas ainda se tratam umas às outras como concorrentes (no Porto felizmente não existe essa divisão administrativa).

 

2. Não é só Copenhaga que tem um Copenhagen Cycle Chic, Lisboa tem agora o seu Lisbon Cycle Chic!

 

3. Outra novidade para Lisboa... o Bycicle Repair Man! Assistência em viagem (ou ao domicílio) para bicicletas. É só ligar o 91 748 96 31. A deslocação até ao local custa apenas 4€, e o preço das reparações também é bastante baixo (desde 5€).

 

4. Depois do governo inglês mostrar algum incómodo com o tema do Peak Oil (altura a partir da qual a extração de petróleo começará a diminuir), um estudo (em inglês aqui) encomendado pelo exército alemão admite que este ponto já tenha chegado ou que ocorra em 2010. O relatório prevê que o comércio de petróleo se torne num importante factor das relações internacionais, com um aumento do poder político dos países produtores. Refer ainda um aumento brusco dos bens de consumo, a necessidade de racionamento, etc.

 

5. A EMEL (Lisboa) vai lançar um sistema de aluguer de bicicletas em alguns parques de estacionamento em Lisboa, para pegar depois de estacionar. Nem sei o que pensar. Gosto da ideia, mas estranho serem apenas 12 bicicletas, estarem localizadas mais numa lógica de lazer (junto ao rio) do que de transporte, serem lançadas agora quando a CML se prepara para lançar um sistema de bicicletas públicas em larga escala (ainda mais costas viradas entre serviços públicos em Lisboa?).

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