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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

Menos Um Carro

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Seria cómico, se não fosse trágico

António C., 09.07.08

Há uns tempos recebi por e-mail a seguinte imagem como sugestão para um post:

 

(Infelizmente a qualidade da imagem não é a melhor)

 

 

A notícia descreve um trágico desacato na cidade do Rio de Janeiro onde alguém entra com um carro dentro de uma loja ferindo 6 pessoas, mas o cómico é o anúncio que estava ao mesmo tempo presente na página onde estava a notícia... o slogan "A vida na cidade é uma aventura." para promover um jipe não deixa de ser irónico tendo em conta a notícia.

 

Era bom que a vida na cidade não tivesse de ser uma aventura, mas sim uma agradável harmonia!

 

Será possível?

Portagens urbanas, medo do desconhecido

MC, 08.07.08

Uma das principais razões que, do meu ponto de vista, faz as portagens urbanas terem tão poucos adeptos é o medo do desconhecido, o receio da mudança. É o olhar para a consequência imediata pessoal sem querer ver o quadro geral.

aqui tinha referido que a oposição às portagens em Estocolmo tinha diminuído de 80% (antes da sua introdução) para 45%. Terje Tretvik no seu estudo "Urban road pricing in Norway: public acceptability and travel behaviour" refere outros dados semelhantes. Os apoiantes das portagens urbanas subiram de 19% para 58% em Bergen depois da introdução, 30% para 41% em Oslo, 9% para 47% em Trondheim. Os Transport for London também referem uma subida de 39% para 54%.

As vantagens em Londres são claras. Menos automóveis, logo menos ruído, menos poluição,  cidade mais humana, menos congestionamento e autocarros mais eficazes; maior utilização dos transportes públicos; mais bicicletas; comércio e eventos culturais com mais gente.

 


"Portugal vai ter mais doze linhas de comboio", segundo o Diário Económico. Quando a esmola é grande o pobre desconfia. A notícia não é muito clara sobre estas doze linhas, mas aparentemente são para transporte de mercadorias... o que é obviamente de aplaudir.

Por que razão os peões deve(ria)m desrespeitar as regras VII

MC, 07.07.08

 

Este semáforo diz aos peões que devem esperar, porque é a vez dos automobilistas passarem. Ele está presente em grande número em todos os cruzamentos com semáforos nas cidades.

Em Lisboa contam-se pelos dedos das mãos o número de semáforos que conheço que fazem o oposto, que dizem aos automobilistas para esperarem, porque é a vez dos peões atravessarem*.

 

Ainda alguém tem dúvidas que as regras tratam uns e outros de modo totalmente diferente?

 

*Claro que há muitos semáforos vermelhos para os automobilistas enquanto os peões passam, mas eles existem não por causa dos peões mas porque há outros automobilistas a passarem noutra direcção. Nos casos em que só os peões impedem a passagem não há vermelhos, há amarelos intermitentes.

 


Mais boas notícias nos EUA graças ao aumento do crude. O car-sharing aumenta e a maior cadeia de supermercados do país passou a comprar a produtores locais, acabando com o absurdo ambiental de trazer frutas e legumes de locais a milhares de quilómetros.

Biocombustíveis, mais dúvidas

MC, 05.07.08

Não são propriamente grandes novidades, mas duas notícias recentes sobre os biocombustíveis.

 

O Banco Mundial diz que 75% da subida do preço dos alimentos desde 2002 se deve ao aumento da procura de bens agrícolas para biocombustíveis.

 

Estudo publicado na Science diz que os biocombustíveis têm aumentado os gases de efeito de estufa.

 

O Público tem hoje uma interessante reportagem exactamente sobre este tema, infelizmente não está online, onde se lembra que, por outro lado, nem todos os combustíveis são iguais. O caso do etanol no Brasil é ambientalmente aconselhável (não deixa de utilizar recursos que poderiam servir para alimentação), mas ele parece estar pouco acompanhado.

 


A guerra por petróleo no Iraque já deu mais frutos, com a abertura dos campos petrolíferos a empresas estrangeiras (via CarfreeUSA).

Por que razão os peões deve(ria)m desrespeitar as regras VI

MC, 05.07.08

Perigosa malfeitora a atravessar a avenida fora do semáforo

 

Este é apenas um exemplo do que acontece em quase todos os cruzamentos de todas as cidades:

Praça do Saldanha, centro de Lisboa, uma zona com enorme movimento pedonal, cheia de comércio, cinemas, hotéis, edifícios de escritórios. A travessia na fotografia liga nem mais nem menos do que os dois lados da praça, de um lado e de outro dois grandes centros comerciais. São várias dezenas de pessoas que a atravessam em cada sinal verde.

A senhora na foto apenas quer ir daqui ali, passar para o outro lado, mas está a cometer uma ilegalidade (infelizmente poucos a cometem). O que as regras mandam é esperar 3 vezes por semáforos e fazer 3 travessias:

 

 

Tudo em nome do Sagrado Fluxo Automóvel.

A coisa já é de si ridícula, mas agora pensem: sabem de alguma situação onde um automóvel tem de esperar por 3 vezes pelos peões só para atravessar uma rua? E duas? E uma? Eu também não.

 


A FavaRica fala-nos da prisão do comodismo de andar de automóvel. "O passe social é o nosso bilhete para a liberdade e só percebemos isso quando já fomos engolidos pelo comodismo enganador."

Por que razão os peões deve(ria)m desrespeitar as regras V

MC, 04.07.08

 

Para atravessar uma avenida com muito comércio, habitação e escolas por perto, avenida esta com apenas 2 faixas para cada lado, os peões são obrigados a esperar por três semáforos descoordenados.

E vale sempre a pena lembrar, os conflitos de cruzamento só existem porque há quem decide ocupar 20m2 do espaço público quando se desloca (vulgo andar de carro), não se devem ao peão/utente dos transportes públicos.

 


O blogue Panóptico conta-nos das crianças "aprisionadas" em bolhas de lata (veja-se o curto video antes de ler o texto), algo que o António já tinha referido aqui.

De onde vem a electricidade para isto tudo?

MC, 02.07.08

O primeiro-ministro, depois de ter apontado o carro eléctrico como a Solução (com letra grande) na UE, quer agora mover mundos e fundos para trazer para Portugal um vasto projecto industrial de produção de carros eléctricos. Está tão disposto a abrir os cordões à bolsa para o fazer, que os valores a financiar pelo Estado excedem o limite admitido por Bruxelas.

É óbvio que no futuro os automóveis não poderão continuar a mover-se a combustíveis fósseis, e nesse sentido é bom que uma tecnologia que está a crescer venha para Portugal... mas não percebo porque é que o governo não tem o mesmo entusiasmo - é que nem de perto nem de longe - a apoiar os transportes públicos e a bicicleta. Esses sim, verdadeiras soluções para a mobilidade num mundo de energia cara. Pela mesma quantidade de energia, podem transportar muito mais gente,

Ainda hoje há a notícia de um estudo que indica que Portugal poderá ter que desactivar a central termoeléctrica de Sines, a maior produtora de electricidade do país, para cumprir os limites de emissões pós-Quioto! E então só me apetece perguntar, de onde é que virá a electricidade para isso tudo?

 

 


Hoje,  às 19h na sala Visconti da Fábrica Braço de Prata (Lisboa) a PDIA vai mostrar o documentário: "The end of Suburbia:: Oil Depletion and the Collapse of the American Dream" de Gregory Green, Canada (2004), versão original em Inglês. A seguir à projecção haverá um pequeno debate sobre as questões abordadas no documentário.

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