No dia de mais um record no preço do crude, fiquei a saber de mais algumas boas notícias causada por este aumento.
1. Diz a SIC que a Carris sente mais passageiros desde o ano passado... Até ver uma boa análise dos números, eu desconfio sempre, mas diria que é verdade.
2. Leio no Carfree Times 50 - jornal online que recomendo muito - que o preços das casas nos subúrbios americanos têm caído a pique chegando aos 18%, especialmente nas zonas sem transportes públicos. Isto quer dizer que os americanos preferem agora arranjar casas mais centrais e casas com fácil acesso a transportes devido ao aumento do combustível, que por lá é bem maior. Ou seja começaram a tomar atitudes mais racionais morando mais perto do trabalho em detrimento dos arredores, andando mais de transportes do que anteriormente. Assim reduz-se o congestionamento, o stress, a sinistralidade, a poluição, a "necessidade" de fazer mais e mais auto-estradas, aumenta-se o número de pessoas nos transportes o que permite baixar os seus preços, etc...
Peço desculpa por me repetir, mas é exactamente por isto que defendo portagens, parquímetros e afins. Quando alguém toma uma decisão tem que ter noção dos custos reais dela. Os americanos que dantes queriam morar longe, já têm essa noção.
No mesmo dia em que o barril de petróleo se aproxima vertiginosamente dos 130 dólares em NY, o Ministro da Economia pede à autoridade da concorrência para investigar a subida dos combustíveis em Portugal e o presidente Cavaco Silva aplaude!
Apesar de o aumento do preço do crude não ser directamente, nem simultaneamente, proporcional ao aumento do preço dos combustíveis em Portugal, parece que finalmente, mas não fatalmente, a era da energia barata acabou!
Por mais cêntimo ou menos cêntimo que a Galp ou outra petrolífera metam ao bolso, a ideia de fazer campanhas como a que ja recebi por e-mail ou sms é, simplesmente inútil e naïve!
Passando a citar, recebido por SMS:
"Hoje e amanha (Domingo) ninguém abastece combustivel na GALP nem BP pra obrigar a descer preços. Dp a concorrência ira baixar Tb... Passe a mensagem a 10 pessoas, para acabarmos com as consecutivas subida dos preços dos combústiveis! (Esta sim é uma msg corrente que merece ser passada)"
Propositadamente transcrito com os erros e abreviaturas, necessárias para ocupar 2 mensagens de sms de 160 caracteres cada, esta cadeia sai provavelmente mais cara do que o aumento correspondente a encher o depósito duas ou 3 vezes.
Não querendo acreditar que a campanha tenha sido engendrada por qualquer uma das operadoras móveis para estimular o envio de SMS, à semelhança do que acontece no Natal, penso que me resta dar algumas ideias de como não consumir gasolina nos tais postos citados, uma vez que no último ano, não o terei feito mais de 3 ou 4 vezes...
- Partilhe o carro e despesas com + 1 pessoa: 50% de desconto no preço do combusíivel
- Partilhe o carro e despesas com + 2 pessoas: 66% de desconto no preço do combustível
- Partilhe o carro e despesas com + 3 pessoas: 75% de desconto no preço do combustível
- Partilhe o carro e despesas com + 4 pessoas: é desconfortável, vá mais arejado de bicicleta...
- Use transportes públicos: Não consome combustivel directamente (ou em tanta quantidade) e pode ler/dormir/falar com os restantes passageiros/encontrar um colega que já não via há anos... etc...
- Procure sítios para viver mais perto do local onde trabalha: não se esqueça de ter em conta o dinheiro que vai poupar com menos deslocações e a disponibilidade financeira que a venda do segundo ou terceiro carro da família lhe vai trazer. No final de fazer as contas se calhar até vai sair mais barato que viver a 30 ou 50 km perdendo todo o tempo em filas de transito de manha e à noite...
- Supondo que desde o início do ano os combústiveis aumentaram 20%, tente diminuir o uso do seu carro em 20%. Faça uma estimativa dos km que faz por ano e traçe objectivos. Sem objectivos bem definidos não terá resultados!
-No fundo... não desespere. O mundo não acabará por o preço do petróleo ser caro. A mudança está a acontecer, adapte-se ou continue a largar dinheiro para o tubo de escape... você decide!
Nota: Há pelo menos 200 dias que não abasteço.
A propósito do aumento dos combustíveis, gostei de ouvir vários políticos de vários quadrantes - para lá de outros que só debitam demagogias - a dizer que temos que nos habituar à ideia que andar de automóvel é um bem de luxo e/ou que a sociedade se tem que adaptar a um novo paradigma de eficiência e racionalidade energética porque os combustíveis não estão momentaneamente caros, eles são caros porque são um bem escasso. Nesse sentido (há muitos mais) não faz sentido baixar os impostos porque seria uma fuga para a frente, seria querer evitar uma mudança que terá de ser feita. Baixar artificialmente os preços é só adiar essa mudança, o que implicaria custos ainda maiores.
Post recomendado: os PediBUS ("autocarros" a pé para levar as crianças de casa à escola) chegaram a Lisboa!! A ler n'Os Verdes em Lisboa.
Depois do título-choque para chamar a atenção um esclarecimento, claro que não sou contra "campanhas de sensibilização" sobre mobilidade sustentável, acho é que elas devem ter um papel secundário. Fundamental, mas secundário.
Vem isto a propósito de muitos comentários que leio e oiço a propósito de problemas que têm obrigatoriamente que ser resolvidos por todos, como o ambiente e a mobilidade sustentável. Muitos que concordam comigo na análise dos problemas, insistem antes de mais que é necessário "mudar mentalidades", que as pessoas devem ser sensibilizadas para os impactos das suas decisões pessoais sobre os outros, como abusar do carro, desperdiçar energia, etc... Não digo que não, mas são três as razões porque eu acho que devemos começar ontem a penalizar quem toma atitudes contrários ao bem comum (portagens urbanas, impostos sobre os combustíveis, redução do estacionamento nas cidades, redução das velocidades, etc...), em vez de contar com as "campanhas de sensibilização".
1. Os resultados práticos deste apelo às consciências é como uma árvore acabada de plantar, só traz frutos - quando os traz - daqui muitos anos. E inicialmente pequenos e em pouca quantidade. E nós precisamos deles para ontem.
2. Promover o altruísmo, ou seja convencer parte da população a agir de acordo com a sua consciência ambiental, é fazer o justo pagar pelo pecador. O justo acarreta com os custos, e o pecador recolhe os frutos.
3. A "sensibilização" tem normalmente um sucesso limitado. Esqueçam os ambientes, as mobilidades sustentáveis, e essas esquisitices. Pensem em pessoas a passar fome, a viver na rua, sem acesso a cuidados de saúde. Nos EUA a população está muito mais sensibilizada para este tipo de caridade do que na Europa. Por lá há muitos que são voluntários, os milionários competem pela maior doação, e a "sensibilização" está em todo lado. Os americanos acham que os problemas sociais devem resolvidos por atitudes altruístas, mas na Europa estamos convencidos que deve ser a lei, e portanto o Estado, a fazê-lo, isto é a lei deve obrigar-nos a todos a contribuir. Alguém tem alguma dúvida que é bem melhor ser pobre na Europa do que nos EUA?
Do meu ponto de vista, as campanhas apenas servem para garantir que as mudanças que devem afectar todos sem excepção, são bem discutidas, bem formuladas, bem compreendidas e bem aceites.
Está finalmente disponível mais uma excelente reportagem e respectivo texto do SIC Terra Alerta, desta vez sobre o também excelente projecto 100 dias de bicicleta na cidade de Lisboa. A não perder!
Já notaram que a publicidade automóvel apresenta espaços edílicos, cidades sem trânsito, cidades calmas, cidades com jardins, ruas com espaços largos sem estar atafulhadas, natureza resplandecente...?
No mínimo irónico, quando o automóvel é culpado número 1 para a realidade não ser assim.
(Por vezes questiono-me como seriam as nossas cidades, e as nossas pretensas "necessidades", se o transporte público tivesse tanta publicidade como o automóvel... ou se o automóvel tivesse tanta como os transportes).
Post recomendado: Pedalar em Lisboa e em Leiden (Holanda) n'O Nadir dos Tempos
Raramente refiro esse transporte tão comum em Portugal, que dá pelo nome de mota. Provavelmente porque tenho alguns mixed feelings em relação à mota. Por um lado a mota não mata como o automóvel, a mota necessita apenas de um cagagésimo do espaço urbano que o automóvel exige e por isso não enche passeios, não exige auto-estradas, não provoca congestionamentos, etc... mas por outro lado, a mota polui quase tanto como o automóvel (e com a desvantagem de levar menos gente) mas principalmente porque...
(encontrado no Apocalipse Motorizado)
Notícia recomendada: lançamento do Projecto Bicla Real pela Quercus e a Câmara local. Mais no VilaReal TV.
Tenho alguma vergonha por ainda não ter referido esta questão aqui no blogue: a conclusão da CRIL na zona Buraca/Damaia/Bairro de Santa Cruz em Lisboa. É mais um caso da eterna sede de ocupação do espaço urbano por parte do automóvel. Há um bairro inteiro que há algumas décadas se lembrou de nascer onde mais tarde o automóvel gostaria de passar. A solução oficial há muito defendida, é atravessar o bairro com uma via de vala aberta, com os óbvios impactos em termos de qualidade de vida que isso acarreta para quem vive no bairro.
Afinal, quem hostaria de ter uma auto-estrada a atravessar à porta de sua casa?
Felizmente os residentes têm sido perseverantes, e há anos que têm conseguido evitar tal aberração. A solução que defendem é a construcção da via em túnel.
Dado todo o planeamento e vias que estão dependentes deste pequeno troço que falta, eu tenho alguma dificuldade em argumentar contra esta auto-estrada - como normalmente faria - e alinho ao lado dos residentes. Os enormes custos que isto acarreta, como sempre, acho que deveria recair sobre quem usa e abusa das estradas através de impostos e portagens. (Se todos usássemos transportes públicos, não seriam necessárias auto-estradas).
Para mais informação, veja-se a página CRIL segura.
Notícia "recomendada": desde o início do ano, e só em Lisboa, já houve 101 atropelamentos em passadeiras.
Quem paga quando o peão comete um erro? O peão!
Quem paga quando o automobilista comete um erro? O peão!
Notícia no DD
As concentrações actuais de gases causadores do efeito estufa na atmosfera são as mais elevadas dos últimos 800 mil anos, revelam dois artigos publicados na edição de hoje da revista Nature.
A investigação, feita por membros do European Project for Ice Coring in Antarctica (Epica), consistiu na análise de amostras de gelo retiradas a mais de 3 mil metros abaixo da superfície na Antártica. No primeiro artigo, o grupo analisou a concentração de dióxido de carbono enqaunto no outro analisou a concentração de metano.
«A principal conclusão é que as concentrações actuais desses gases estufa não têm paralelo no passado», disse Edward Brook, da Universidade do Estado de Oregon, nos Estados Unidos, ao comentar os estudos.
(...)
A conclusão é que as concentrações actuais de dióxido de carbono e de metano, dois grandes responsáveis pelo efeito de estufa, são bem mais elevadas. A do primeiro, por exemplo, que hoje se situa em 380 partes por milhão (ppm), ficou no período estudado entre 180 ppm e 260 ppm.
Acho que não preciso de acrescentar nada.
Vai uma voltinha de carro?
Até no país desenvolvido com o pior sistema de transportes públicos (de longe) há afinal alternativas aos automóvel. Com a subida dos combustíveis - que nos EUA se fazem sentir com mais força - tem havido um aumento no uso dos transportes públicos (via) e bicicletas (via).
E é também por isto que eu defendo que os automóveis nas cidades devem ser altamente taxados, com parquímetros e portagens. O automóvel só deve ser usado em casos de extrema necessidade, mas infelizmente não podemos contar com o altruísmo dos automobilistas (que lá têm o direito a ser egoístas) para fazer esse racionamento. A única maneira de fazer a distinção é pô-los a pagar um preço socialmente justo, isto é bem acima do actual.
Até na carro-dependente e "neo-liberal" América, estas ideias estão ganhar peso.
Novo blogue recomendado: Retoma a Rua (português!)
A Helena Matos escreveu hoje um absurdo (por não estar minimamente informada sobre o que fala) artigo de opinião sobre as bicicletas e os automóveis. Não o vou comentar, porque já aqui foi feito e muito bem.
Aproveito só esta frase "querem obrigar os cidadãos de uma cidade quente e inclinada como Lisboa [...] a andar a pé ou de bicicleta como os de Bruxelas" para mostrar mais umas imagens dessa tal cidade "plana" onde tem havido um fortíssimo incentivo por parte das autoridades à bicicleta como transporte urbano.
A última foto serve apenas para mostrar que em Bruxelas há várias ruas a passar por cima de outras devido ao relevo, tal como acontece em Lisboa.
Estes belgas são parvos...
Post recomendado: Video da campanha da ACA-M sobre a sinistralidade dos peões há um ano n'O Carmo e a Trindade
Blogs sobre mobilidade sustentável
Apocalipse Motorizado (Brasil)
Blogue colectivo da Massa Crítica
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100 dias de bicicleta em Lisboa
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BUTE (bicicletas p/ estudantes)
Ciclovia (lista das ciclovias em em Portugal)
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Fed. Port. de Ciclotur. e Utilizadores de Bicicleta
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Mário J Alves (página pessoal)
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Sociedade do Automóvel (documentário BR)
Transporlis (transportes públicos de Lisboa)
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