Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

Parquímetro no centro de Amesterdão
Em Amesterdão o parquímetro custa 4,80€ por hora, em Lisboa 0,75€ nas zonas mais caras.Tendo em conta o PIB per capita da duas regiões, isto equivaleria a 2,60€ em Lisboa. DOIS EUROS E SESSENTA! Já para não falar da baixíssima probabilidade de se ser multado e da baixíssima multa que acontece em Lisboa.
Isto sim é um verdadeiro incentivo ao transporte público. Sem desentupir as ruas de congestionamento, estacionamento abusivo e mesmo estacionamento regular à superfície, dificilmente pode haver uma boa rede de transportes públicos.
P.S. No Courrier Internacional deste mês ficamos a saber que em Seelow, Alemanha, as autoridades esvaziam os pneus aos automóveis com multas atrasadas. E em Frankfurt, nos casos mais extremos, os carros são leiloados. Por cá, o popó é intocável em todas as situações.
Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
No DN do dia 18 de Fevereiro de 2008:
Transporte público vai crescer menos que o individual A introdução do tabuleiro rodoviário na travessia Chelas/Barreiro irá provocar um aumento de 85 mil carros no número médio diário de viaturas que atravessam as travessias do Tejo (na Grande Lisboa). Esta estimativa, com base num cenário intermédio, foi feita para o ano 2029 pela comissão independente que apoiou o Governo na decisão de colocar a componente rodoviária terceira travessia do Tejo.
A este acréscimo, dos quais 66 817 carros vão passar pela nova ponte concluída a partir de 2013, terá de somar-se o tráfego médio diário gerado pela mudança do aeroporto de Lisboa para a margem esquerda do Tejo (Campo de Tiro de Alcochete) em 2017, e que irá traduzir-se em mais 45 mil carros/dia, embora com movimentos que não coincidem sempre com a procura nas horas de ponta, explicou ao DN, José Manuel Palma, um dos membros da comissão. Contas feitas, o novo aeroporto e a ponte Chelas/Barreiro (que está a ser avaliada pelo LNEC), vão implicar um aumento de cerca de 130 mil carros/dia nas travessias do Tejo, o que representa mais 60% que o tráfego médio diário que hoje cruza o rio (cerca de 220 mil carros).
O acréscimo de capacidade entre as duas margens não se reflecte de forma igual em todos os meios de transporte. A verdade é que, apesar da componente prioritariamente ferroviária da ponte Chelas/Barreiro, a opção de juntar um tabuleiro rodoviário, que é muito reforçada pela nova localização do aeroporto, implicará a perda de quota de mercado do transporte público para o automóvel.
O relatório da comissão revela que a quota de mercado do transporte público passará de 27,2% em 2007 para 22,9% em 2029. Pelo contrário, o transporte individual sobe dos actuais 72,8% para 77,1%. Esta evolução só existe por causa da introdução do modo rodoviário na Chelas/Barreiro. Barco e autocarro são os transportes colectivos que mais perdem para o automóvel e também para o comboio, já que passa a haver duas ligações suburbanas entre as margens do Tejo. Apesar da ferrovia reforçar com a nova ligação, o comboio na ponte 25 de Abril perde quota, passando de 10,8% em 2007 para 7,8% em 2029. O autocarro desce dos 5,5% actuais para 3%. O barco sofre o maior impacto: de 10,8% para 6,2%. Em termos absolutos, só o comboio ganha passageiros (passa de 49 mil/dia para 81 mil pessoas/dia). O barco perde 12 mil pessoas/dia, o autocarro terá menos 7 mil.
O impacto no congestionamento do tráfego resultante das duas infra-estruturas dependerá de uma série de opções de Governo e autarquias, que vão desde as portagens e número de faixas, à política de estacionamento e o seu preço em Lisboa até às intervenções que sejam feitas nos vários acessos e na resolução de estrangulamentos rodoviários, para escoar os automóveis.
Apesar de considerar que qualquer aumento de capacidade rodoviária na Grande Lisboa resultará no congestionamento a médio prazo, José Manuel Palma realça que há intervenções que se podem e devem fazer para reforçar o transporte público, sobretudo no acesso ao aeroporto. A expansão do Metro Sul do Tejo do Seixal ao Barreiro e a sua ligação directa com a nova linha ferroviária suburbana são outro exemplo.
Sábado, 16 de Fevereiro de 2008
Uma carta no DN de dia 15 de Fevereiro de 2008:
A CP está de parabéns com os novos horários. Ninguém conseguiria fazer melhor a promoção dos transportes rodoviários. Agora é mesmo esquecer o comboio e andar de "popó".
Vejamos dois exemplos. Na Linha de Sintra foram eliminadas as ligações directas de fim-de-semana Sintra-Oriente-Sintra, que tanta comodidade nos davam quando íamos passear àquela zona da capital. Na Linha do Oeste acabaram as ligações directas Caldas-Oriente-Caldas, os "cada vez menos comboios" ficam-se por Entrecampos Poente, uma excrescência de apeadeiro. Acabaram as idas à zona da Expo num comboio diferente e ainda por cima mais barato do que os urbanos.
Isto é mesmo para liquidar os transportes ferroviários. Lá vamos nós outra vez de carro. O paraíso durou pouco. Porque não entregam a gestão deste país aos espanhóis?
Rui Martins Ramos
Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
A CP apresenta várias propostas bastante interessantes para quem queira descobrir Portugal de comboio ou desfrutar dalgumas das belas paisagens do nosso país. São iniciativas louváveis num país cuja lógica de desenvolvimento tem estado paulatinamente associada a empreendimentos de betão ou de asfalto ou a combinações bizarras de ambos. Ao se participar e contribuir nos programas desenhados pela CP, permite-se que o cliente percorra duma forma cómoda lugares esquecidos ou pouco percorridos e indubitavelmente belos de Portugal.
Considero que a oferta da CP se classifica em dois grupos:
O cartão intra-rail, direccionado preferencialmente para os jovens (até aos 30 anos) e que garante a viagem e estadia em qualquer zona do país e em qualquer percurso ferroviário, com excepção do Alfa pendular; esta opção é perfeitamente compreensível uma vez que o objectivo não é o chegar, não é a pressa, mas sim o apelo à apreciação da transitoriedade, do estar entre dois pontos. Com o cartão xcape a estadia resume-se à noite de sábado e domingo e está limitada a apenas uma zona, o que é mais do que o adequado para uma escapadela de fim-de-semana; com o cartão xplore, a oferta inclui duas zonas adjacentes e 9 noites com meia pensão. Os preços rondam os 49€ e os 159€, respectivamente, se os clientes possuírem cartão-jovem.
Os roteiros da natureza, construídos em parceria com a LPN pretendem a exploração de alguns dos nossos parques naturais através de formas sustentáveis de transporte, como o comboio e ao mesmo tempo alertando para a importância de tais ecossistemas como suportes duma envolvente ecológica diversificada e também frágil. Estão previstos vários percursos com o apoio respectivo de folhetos que indicam os percursos recomendados e assinalam o património antropológico e arquitectónico dos parques, sublinhando as principais espécies associadas à paisagem.
Numa nação cujos governantes têm escolhido desbaratar o dinheiro público e de Bruxelas em cimento e auto-estradas redundantes, numa nação em que a desertificação é acentuada e as linhas ferroviárias tendem a desaparecer, algumas linhas de comboio parecem poder ser revitalizadas apenas com o turismo. Está na hora de apreciarmos o que temos.
Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008
O senhor pode ser muito respeitável, mas não posso deixar de lhe chamar lógica da batata. De acordo com o Público, José Manuel Viegas veio dizer, a propósito da "inevitabilidade" da quarta (!) ponte rodoviária em Lisboa, que «politicamente, é impossível continuar a argumentar que não se querem mais carros na cidade depois de se ter decidido alargar a IC19, que liga a capital a Sintra. "Porque isso seria injustificável para a Margem Sul"».
Com esta brilhante lógica, está aberta a porta para mais umas 10 auto-estradas a entrarem por aí a dentro, até à Baixa de preferência. Já se cometeu um erro, por isso toca a repetir o erro para todas as outras entradas de Lisboa... há cada um...
Porque não aplica este lógica às portagens? (O senhor não gosta de portagens urbanas). Já que há portagens em duas entradas de Lisboa, porque não metê-las em todas as outras também?? Ou a lógica só se aplica quando estamos a falar de mais e mais automóveis para uma cidade que já está a abarrotar?
Bem sei que as duas portagens são casos particulares, mas também o é o IC19: Sintra é o 2º concelho mais populoso do país.
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
António Costa insiste na adaptação da rede viária em Chelas, se a ponte for lá parar. Claro que isto seria necessário, mas cheira muito a Circular das Colinas (uma segunda circular no centro histórico da cidade com vários túneis e afins). E é pena não ser tão insistente (nem sequer o é) em questionar a necessidade da travessia rodoviária.
A inauguração de mais uma auto-estrada para trazer
mais automóveis para o centro cidade, o IC16 na Pontinha, está para breve. (De uma vez por todas,
o número de automóveis a entrar em Lisboa não é de modo nenhum fixo. Por isso não faz sentido argumentar apenas com o aumento de fluidez do tráfego, ou dizer que as vias na zona estão congestionadas, porque uma nova estrada vai criar novas "necessidades", novas entradas na cidade. O efeito imediato é o alívio do trânsito, mas no médio prazo é mais um incentivo ao transporte individual).
O governo, pela boca da Secretária de Estado, insiste em mais e mais pontes rodoviárias e repete esta lógica da batata, ao dizer que uma quarta travessia seria mais cedo ou mais tarde
necessária. Maior fluidez num local, aumenta o trânsito no global, aumentam as "necessidades" noutras zonas. Além de que é mais que evidente que esta "necessidade" só existirá se a fraca política de transportes públicos se mantiver,

António Costa quer que as
novas portagens (espero que não existam, porque significaria que não haveria nova ponte) sirvam para pagar os transportes públicos. Isto é exactamente o que eu defendo aqui tanta vez, mas refiro-me obviamente a portagens em toda a cidade (como em Londres, Estocolmo, Milão, Singapura, etc...) e não apenas na nova ponte. Este princípio é fundamental para aproximar os custos, que os automobilistas pagam, dos custos reais da sua escolha. Os custos para a cidade de uma entrada de carro na cidade são muito maiores do que a simples gasolina e hipotético parquímetro. Há o congestionamento, a sinistralidade, a necessidade de espaço urbano, o stress, a perda de qualidade de vida, as doenças respiratórias, o ruído, a poluição,etc... só para mencionar alguns exemplos.
António Costa
quer fazer (no longo-prazo) da Segunda Circular uma avenida como as outras (como as outras
vias-rápidas mais ligeiras que há pela cidade, entenda-se). Isto é uma excelente ideia. Para isso quer reduzir a velocidade máxima. Eu sugiro que seja para 50km/h, e acrescento: transformar uma das faixas em passeio, construir prédios ao longo da "avenida" (com volumetria razoável obviamente, para lhe dar mesmo uma sensação de cidade em vez de auto-estrada), acabar com as passagens desniveladas... Deixem-me sonhar..
Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
Este é mais um daqueles argumentos contra a bicicleta como transporte urbano que aparentemente só se aplica às cidades portuguesas. Senão vejamos:
Os programas de bicicletas públicas em Paris, Lyon, Barcelona, etc... vão de vento em poupa. Em
Paris, nos primeiros seis meses do programa, houve 75 mil viagens por dias com apenas 10 mil bicicletas disponíveis.
Em
Londres vão ser criadas "auto-estradas para bicicletas" na cidade e vai ser também introduzido um programa de bicicletas públicas, num investimento de 540 milhões de euros.
E para que não restem dúvidas sobre o
tamanho das cidades:
Paris: 9,9 milhões de habitantes
Londres: 9,3 milhões
Lisboa: 2,4 milhões
Porto: 1,3 milhões
Claro que há muitos Lisboetas e Portuenses que fazem enormes deslocações no dia-a-dia, mas também haverá muitos cujas deslocações não chegam aos 5km. E mesmo para os primeiros é necessário investir em transportes públicos com capacidade para levarem bicicletas e bicicletas públicas disponíveis por toda a cidade.
Sábado, 9 de Fevereiro de 2008
Primeiro autocarro a energia solar do mundo em Adelaide, Austrália:
Com autonomia de 200 quilómetros (é carregado na central) e capacidade para 42 passageiros, sem barulho nem emissões poluentes. Mais informações na
página da câmara local.
E já agora, um exemplo do que claramente não é mobilidade sustentável mas greenwash do mais descarado que há... para não variar da Toyota: "
Como parte integrante de todos os investimentos e esforços para a mobilidade sustentável, a Toyota vai reforçar os investimentos nas iniciativas de reforço da segurança rodoviária". Notícia a propósito de um sistema anti-adormecimento do condutor! Será que para a Toyota, pintar o chassis de verde também é mobilidade sustentável?
Notícia hoje no DN
Eu já não tenho latim para arranjar ofensas a estes senhores. A prioridade do trânsito automóvel sobre toda a sociedade não tem mesmo limites. Porque não fazer uma ponte desde o Seixal até ao Terreiro do Paço, há ali tanto espaço para construir um nó rodoviário. E obviamente que traria mais fluidez ao trânsito e qualidade de vida aos habitantes do Seixal. Não estou a ser sarcástico, é uma dúvida sincera. Onde estará o limite?
Outra dúvida ingénua mas sincera: não seria mais fácil, barato, vantajoso, não traria melhor qualidade de vida a todos os habitantes da Grande Lisboa, organizar uma verdadeira rede de transportes públicos? Montar uma rede ferroviária com um mínimo de sentido em vez de QUATRO sistemas independentes? Colocar autocarros expresso de 10 em 10 minutos de vários pontos da periferia para 3 ou 4 pontos chaves do centro?
Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008
Vale a pena referir a campanha presente na Lotaria Clássica. "Ajude o planeta" e "Reduza as Emissões de CO2" são algumas das frases presentes assim como a foto de um ciclista bem urbano.
Seria óptimo se esta campanha fosse acompanhada, por exemplo, de campanhas de sensibilização juntos dos trabalhadores da Santa Casa e de todos os que beneficiam das suas acções sociais. Não sei se é. Se não for, fica a ideia, se já estiver a ser feito esperemos que continue.
