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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

Menos Um Carro

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Campeões do Alcatrão III

MC, 07.01.08
Fixe bem esta foto:

A fotografia de satélite não está actualizada, mas o que se vê ali são as auto-estradas A1 e A29 (entretanto já a funcionar) na zona de Ovar/Estarreja. Não, elas não se vão encontrar mais à frente, foram planeadas e construídas para serem paralelas! Isso mesmo, uma do Porto a Aveiro não chegava, por isso toca de construir mais uma.
Lembre-se desta fotografia quando alguma vez ouvir em algum lado que Portugal não tem fundos seja lá para que investimento for. Nós construímos auto-estradas paralelas, só podemos ser o país mais rico do mundo (como se pode comparar aqui).
E a história ainda piora. Soube hoje (via Ondas3) que o Governo aprovou a semana passada uma terceira auto-estrada paralela a passar por Oliveira de Azeméis e São João da Madeira, ou seja a menos de 10km da A1.
Esta gente droga-se brutalmente.

Entrevista de emprego

António C., 04.01.08

Fui à pouco tempo a uma espécie de entrevista de emprego (digo espécie porque na prática já estava dentro da empresa e foi uma entrevista para me conhecerem melhor), em que me perguntaram que carro gostaria de eu ter.

 

Esta era uma daquelas perguntas para tentar perceber a personalidade da pessoa, se quer um topo de gama demonstra ambição, se quer um desportivo é uma pessoa com garra que gosta de correr riscos, se quer um SUV (será um parvo?) terá uma ambição desmedida. Etc...

 

Para espanto de quem perguntava respondi que a minha grande ambição era conseguir viver sem comprar um. Viver perto do trabalho, deslocar-me a pé, de transportes ou de bicicleta e quando precisar de um carro alugar consoante as necessidades. Um 2 lugares para dias de grande tráfego na cidade, mas que não posso evitar usar, alugar um de 5 lugares para ir de fim de semana com amigos e família, alugar um topo de gama quando quiser aumentar o meu status e pentear o meu ego, alugar uma carrinha quando precisar de transportar grandes mercadorias ou fazer mudanças.

 

De facto para trabalhar na primeira semana nessa empresa tive de alugar um carro numa lowcost de aluguer de automóveis (sim, também existem).

 

É certo que poderei não ter mostrado ambição, gosto pelo risco, vaidade ou qualquer outro desses comuns adjectivos. No entanto penso ter dado a ideia de ser um estratega à altura dos desafios exigidos na vida da empresa.

 

Mereci logo de seguida algumas perguntas de algibeira, como:

-Então e se precisar de ir a farmácia a meio da noite? ("de táxi" respondi eu) ou;

-E se um dia tiver família e tiver que levar os filhos à escola? ("vamos ver, posso mudar de opinião, no entanto há companhias que fazem esse serviço", respondi);

 

Após algum diálogo a tentar desfazer os meus argumentos quem me entrevistou apenas referiu no final: "Gosto de pessoas com convicções fortes e bom poder de argumentação!" 

 

Não sei até hoje se fiquei mal visto ou não... a questão é que de facto é possível viver sem possuir carro. Não significa que nunca se use, e aliás, se todos pensassem em usar carro como excepção certamente as filas de trânsito não existiam. Não gosto quando me chamam fundamentalista, quando quem é verdadeiramente fundamentalista é quem tem de pegar no carro para fazer quaisquer 300 metros, para ir ao café ou ao pão.

 

O carro tem utilidade quando poucas pessoas o usam, se todos o usarmos diariamente ficaremos certamente parados e viveremos em cidades atrofiadas.

 

 

Pequenos "efeitos colaterais" da ditadura do automóvel VIII

MC, 03.01.08
Stress.
Ansiedade.
O pára-arranca.
O gajo da frente que não arrancou logo.
O gajo que estacionou em segunda fila e agora não me deixa sair.
Estou parado há 10 minutos.
Demorei um quarto-de-hora a fazer meio quilómetro.
Vê por onde andas, seu #@€$§!
O vermelho que se prolonga e o verde que demora e é fugaz.
Tou atrasado!
Meto-me pela auto-estrada ou pelos becos?
Deixem passar a ambulância!
Anda mais depressa, c#$%&!!
Não vês que não dá para avançar?
Porra, não encontro lugar para estacionar.
Eh pá, agora não posso virar à esquerda.
Anda pá!

Stress mesmo para quem é peão, está dentro de casa ou a trabalhar, com aquela barulheira infernal que não deixa ninguém calmo.

Não admira que de vez em quando haja quem expluda.
Obrigado Tiago

Portagens em Milão, finalmente

MC, 03.01.08
Milão tem desde ontem portagens urbanas para entrar no centro. É obviamente uma excelente notícia para os habitantes de Milão mas também para todos nós, porque é mais uma cidade que vem reconhecer que os carros não podem ser bem-vindos nas cidades. Ainda por cima numa cidade do Sul da Europa, o que nos dá mais esperanças de ver isto a acontecer por cá.
Como bom país mediterrânico, a medida entrou em funcionamento com quase um ano de atraso depois de muitos avanços e recuos, a área taxada é minúscula (8km2), e "apenas os automóveis que poluem" - como diz hipocritamente a Câmara na publicidade - é que pagam. A questão é que os que "não poluem" e que estão isentos de portagem, são 60% dos carros que normalmente já entravam na cidade incluindo carros a diesel que são os piores em termos ambientais quando falamos de ambiente urbano, devido às emissões de partículas bem perigosas para a saúde e que sujam os edifícios. E sejamos honestos, o problema ambiental é só um dos vários problemas que os carros provocam nas cidades, ainda há o congestionamento, o ruído, os acidentes, a ocupação do espaço público, o stress, etc... Aparentemente estes não contam, ao contrário de Londres onde o objectivo principal era combater o congestionamento.
Com tanta isenção receio que venha a acontecer o que aconteceu em Atenas (outro mediterrânico), quando em 1982 introduziu o actual sistema de controlo de entradas: nos dias pares só entram matrículas pares e o mesmo para os ímpares. Obviamente que todas as famílias arranjaram um carro com matrícula par e outro com ímpar para contornar a proibição.
Bom... melhor que nada, nem que seja pelo acto simbólico. E bem gostaria de ver isto por cá.

(Ironicamente uma amiga minha chegada hoje de Milão, por onde andou a passear ontem, e não sabendo nada das portagens contava-me há pouco que a cidade tinha o ar muito poluído...)

Adenda: Berlim tomou uma decisão semelhante ao proibir (multa de 40€) os carros mais poluentes de entrar no centro. Tal como Milão é um acto simbolicamente importante e positivo, mas com pouco impacto já que 80% dos automóveis são admitidos no interior e porque mais uma vez faz esquecer todos os outros impactos negativos que os automóveis têm nas cidades. Nesse sentido nem vejo uma grande diferença entre um carro muito poluente e um carro médio, o que me leva a pensar que o sistema milanês é mais justo.
(obrigado Hugo)

Petróleo a 100 dólares

MC, 02.01.08
O preço do petróleo no mercado americano atingiu esta tarde os 100 dólares pela primeira vez. Este acto é apenas simbólico tanto porque o 100 não significa nada e porque a subida dos últimos meses/anos se deve mais à descida do dólar do que à subida do petróleo (ou seja para nós europeus, que pagamos em euros, a subida tem sido bastante ligeira).
E por ser simbólica é altura de festejar porque é chegado o momento de a sociedade se aperceber que a nossa dependência de um combustível fóssil era excessiva, e de pensarmos de uma vez por todas em criar um mundo sustentável. É de festejar porque esta dependência, que causa tantas guerras, poluição, alterações climáticas, ditaduras do petróleo, etc... é finalmente posta em causa. Não foi a humanidade que foi capaz de resolver o problema de antemão, mas foi o "mercado" que nos impôs este momento para pensar e mudar de rumo. Paciência, mais vale tarde do que nunca.
Bem sei que isto no curto-prazo é mau, mas por ser inevitável, quanto mais cedo acontecesse melhor. Finalmente o abuso do petróleo vai começar a pagar um preço justo (infelizmente o dinheiro vai parar às piores mãos, mas enfim). Finalmente haverá vantagens condignas para quem faz um uso racional dos combustíveis. Finalmente vamos (ter que) alterar a nossa economia, os nossos transportes e a nossa indústria para uma versão mais amiga do ambiente.
Em França, vários grupos vão festejar este evento no sábado. Será que por cá...

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