Terça-feira, 6 de Novembro de 2007

Para quem acredita que a velocidade é inofensiva

Portugal viu num curtíssimo espaço de tempo vários acidentes rodoviários onde houve dezenas de vítimas mortais, não tendo nenhuma delas a mínima culpa no caso. Em todos os casos uma velocidade menor teria claramente evitado ou diminuído a tragédia.
Hoje todos nós lamentamos as notícias entre um trago de arroz e um gole de água ao jantar. Amanhã voltamos hipocritamente a conduzir a 90km/h na cidade e a 150 fora dela, a vociferar contra controlos policiais, radares, "leis ultrapassadas" e "caças à multa" e a defender esse lugar-comum cheio de nada da "educação dos condutores".
Para quem ainda acredita em fadas e que a velocidade é inofensiva aqui ficam uns dados reveladores.


Probabilidade de o atropelado morrer (fatality) ou ficar gravemente ferido (non-minor injury). Gráfico do Department of Transport britânico

Recolha de casos onde a velocidade máxima legal foi aumentada ou diminuída em vários países, feita pelo Department of Transportation americano (ver capítulo SPEED LIMITS AND SAFETY). Dos vários estudos aí referidos há sete onde há estatísticas quanto ao número de mortes:
  • Diminuição de 110km/h para 90km/h: Redução de 21%
  • De 60 para 50: redução de 24%
  • De 130 para 120: redução de 12%
  • Aumento de 89 para 105: aumento de 21%
  • De 89 para 105: aumento de 22%
  • De 89 para 105: aumento de 15%
  • De 89 para 105: aumento de 36%

P.S. este blogue fez ontem um ano de vida, tendo começado exactamente com um post sobre os mais de 100 mortos diários nas estradas europeias. Mais importante do que saber que ele agora está no top500 (medido e bem em links e não em visitas diárias) dos blogs lusófonos, é ver a quantidade de gente que concorda com o que aqui é escrito.
publicado por MC às 16:09
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

Ironia macabra


Enorme cartaz publicitário a alguns passos do local onde foram mortas duas mulheres por atropelamento no Terreiro do Paço. Infelizmente a foto (tirada durante a concentração da ACA-M ) ficou cortada, mas o que se lê nas letras gordas é "QUANTOS SÃO?". A frase está na realidade a chamar a atenção para o número de cavalos do SUV, mas é a frase típica de quem quer "andar à porrada".
Porque é que a cultura do automóvel tem sempre alguma violência implícita? 
publicado por MC às 20:13
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A cidade é oficialmente só para os automóveis

No sobe e desce da semana a revista Sábado dá nota negativa a António Costa por maltratar os popós. Reproduzo aqui o texto porque é hilariante:
A circulação junto ao rio é cortada por causa dos ciclistas no Terreiro do Paço. As ruas de Campolide são fechadas porque há uma dúzia de adolescentes a correr. E as estradas de acesso à cidade encerram por causa de Putin. Andar de carro em Lisboa passou a ser crime.
Durante séculos as ruas e praças foram para peões, carroças, cavalos e burros. Mesmo aquando do aparecimento do automóvel o espaço começou por ser partilhado. Nas últimas décadas é que estas viaturas se arrogaram a apropriar-se totalmente do espaço público para elas. As ruas passaram a ter uma pequeno espaço lateral para as pessoas circularem. As praças passaram a ser cruzamentos. Espaços livres na cidade deixaram de servir para parques ou esplanadas, sendo agora para estacionamento. Para que os automóveis não percam um segundo no seu percurso, o espaço urbano foi desenhado de modo a que os peões tenham que fazer desvios de vários minutos ou então tenham que esperar outro tanto até que os semáforos deixem passar os automóveis que querem ir no mesmo sentido.
Cortar o trânsito durante duas horas num certo local para um evento cultural ou desportivo é agora um crime. As restantes 8758 horas do ano em regime de exclusividade deixaram de ser suficientes.
publicado por MC às 14:57
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Dois mortos no Terreiro do Paço II

1. ACA-M promove hoje um concentração (aprovada pelo Governo Civil) de homenagem às vítimas deste acidente às 16h30 no local do atropelamento, isto é nas "passadeiras" à saída do terminal de barcos no Terreiro do Paço/Campo das Cebolas. A terceira vítima deste acidente, gravemente ferida, continua ainda com prognóstico reservado.

2. O Público publicou no sábado alguns números sobre a segurança dos peões em Portugal. Nos primeiros 8 meses deste ano houve 16 pessoas atropeladas por dia, 9 mortes e 50 feridos graves (um quarto dos quais acaba por morrer, segundo estatísticas internacionais) por mês devido a atropelamentos. A parte menos má dos números é a forte e constante queda destes em Portugal. De 356 mortos e 1711 feridos graves em 1998 por atropelamento, passámos para 137 e 617 em 2006. Uma excelente prova de que tudo o que tem sido feito em termos de prevenção rodoviária (campanhas choque, tolerâncias zero, fiscalização mais apertada, penas mais elevadas com o novo código da estrada, radares, etc...) tem valido a pena, invalidando assim as críticas de muita gente que gosta de pôr as culpas no mau estado das estradas e outros lugares-comuns semelhantes.

3. Já hoje houve um miúdo de 6 anos que foi atirado para as urgências de um hospital em estado muito grave, quando atravessava uma passadeira nos arredores de Lisboa.
publicado por MC às 12:11
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Dois mortos no Terreiro do Paço

Esta madrugada morreram duas mulheres e outra ficou gravemente ferida num atropelamento numa passagem de peões no Terreiro do Paço.
Que raio de cidade é esta onde tragédias destas acontecem?
Não se sabe de quem é a culpa neste caso, mas isso é irrelevante perante os números. Na Europa do Norte a lei é sempre feita a pensar em proteger a parte mais fraca. Em Portugal ainda se discute os 80km/h e se fazem piadas ignóbeis a gozar com o limite de 50km/h no centro da cidade.
publicado por MC às 11:19
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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

Acalmia no Trânsito V

Mais exemplos de maneiras simples de acalmar o trânsito:


Redução do largura da via e supressão do estacionamento para haver melhor visibilidade nas passagens de peões.


Chicane e separadores em passagens de peões


Efeito "portão" com vegetação e redução da largura da rua à entrada de uma povoação ou zona residencial.

Imagens do Expresso de 2 Junho 2001. Obrigado Mário!
publicado por MC às 14:34
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Downtown Houston


Centro de Houston, capital do Texas. Foto retirada do Google Earth.

É isto que queremos para as nossas cidades?

publicado por MC às 11:39
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