Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007

Bicicletas em Santarém

Mais uma boa reportagem (já foi transmitida na quinta mas só hoje apareceu finalmente online) do Terra Alerta sobre a excelente iniciativa de Moita Flores em Santarém de levar as bicicletas às secundárias.
publicado por MC às 22:19
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Exemplos concretos

Muito poucos admitem andar de carro na cidade por comodismo, escondendo-se geralmente por trás da má qualidade dos transportes públicos. Ficam aqui dois casos de pessoas minhas conhecidas.

O percurso diário de X é casa-emprego-ginásio-casa. Todos os percursos são no centro da cidade, e a sua distância média não chega a um quilómetro. X vai de carro.

Y mora à porta da estação de comboio, nem uns 200 metros serão. O emprego é a meio quilómetro, um quilómetro de outra estação da mesma linha, no centro da cidade. Y vai de carro.

X e Y não são deficientes motores, não têm horários irregulares, não fazem deslocações durante o dia, não têm que se preocupar com filhos e nenhum dos percursos é numa zona perigosa. Todos conheceremos muitíssimos casos assim. São milhares e milhares que diariamente tornam a cidade mais desumana. Faz sentido sermos prejudicados pelo comodismos deles?



A propósito o João do Pedalófilo descobriu um enorme elogio aos transportes públicos do Porto escrita por uma irlandesa que os compara com os de Belfast.

We (...) were absolutely astounded at the modernity and efficiency of its public transport system.

The tickets are totally interchangeable.
The trains arrive on the minute, are constant and encompass the whole of the urban and rural outskirts of the city.

Buses (which run on gas so therefore no diesel fumes), trains and trams are equally punctual. What absolute luxury!


Claro que não são perfeitos, mas lá se vai a desculpa do "eu andaria de transportes se fossem bons como no estrangeiro".
publicado por MC às 21:53
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

E se um carro incomoda muita gente

Não resisti a roubar esta imagem do Roda Fixa:

publicado por MC às 16:42
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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

Impactos Ambientais das Emissões dos Automóveis

Não podia deixar de me associar ao Blog Action Day e falar sobre ambiente. Fica aqui a lista das emissões dos automóveis e das suas consequências.
ATENÇÃO: falo apenas das emissões de gases. Faltariam os custos ambientais da indústria automóvel, da indústria petrolífera, da indústria de pneus, óleos, da poluição sonora, da poluição visual das infraestruturas rodoviárias, o desmantelamento dos automóveis velhos, etc...

Monóxido de carbono
-inibe a capacidade do sangue em trocar oxigénio com os tecidos vitais, podendo em concentrações extremas provocar morte por envenenamento
-afecta principalmente o sistema cardiovascular e o sistema nervoso
- concentrações mais baixas são susceptíveis de gerar problemas cardio-vasculares em doentes coronários (p.ex. casos de angina de peito)
- concentrações elevadas são susceptíveis de criar tonturas, dores de cabeça e fadiga

Dióxido de azoto
- altas concentrações podem provocar problemas do foro respiratório, especialmente em crianças, tais como doenças respiratórias (asma ou tosse convulsa). Doentes com asma podem também sofrer dificuldades respiratórias adicionais com estes elevados teores
- é um poluente acidificante, envolvido em fenómenos como as chuvas ácidas (felizmente têm pouca expressão no nosso país), as quais acidificam os meios naturais (p.ex. as águas de lagos) e atacam quimicamente algumas estruturas, p.ex. materiais metálicos (corrosão), bem como tecidos vegetais

Dióxido de enxofre
- altas concentrações podem provocar problemas no tracto respiratório, especialmente em grupos sensíveis como asmáticos
- é um poluente acidificante, contribuindo para fenómenos como as chuvas ácidas que têm como consequência a acidificação dos meios naturais (p.ex. lagos) ou a corrosão de materiais metálicos

Ozono
- é um poderoso oxidante, o que se reflecte nos ecossistemas, nos materiais e na saúde humana
pode irritar o tracto respiratório, já que o oxida, podendo provocar dificuldades respiratórias (p.ex. impossibilidade de respirar fundo, inflamações brônquicas ou tosse)
- é o principal constituinte do smog fotoquímico, o qual é frequentemente associado a diversos sintomas (ver mais informações) particularmente em grupos sensíveis como crianças, doentes cardiovasculares e/ou do foro respiratório e idosos
- é, frequentemente, apontado como o principal responsável por perdas agrícolas e danos na vegetação, existindo espécies particularmente sensíveis ao seu efeito tal como o Pinus Alepensis (espécie de pinheiro existente, p.ex., na Serra da Arrábida).

Partículas
- são um dos principais poluentes em termos de efeitos na saúde humana, particularmente as partículas de menor dimensão que são inaláveis, penetrando no sistema respiratório e danificando-o
- têm-se caracterizado por serem, pretensamente, responsáveis pelo aumento de doenças respiratórias (p.ex. o aumento da incidência de bronquite asmática)
- podem ser responsáveis pela diminuição da troca gasosa em espécies vegetais, nomeadamente através do bloqueamento de estomas
- danificam igualmente o património construído, especialmente tintas

publicado por MC às 21:42
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Mapa do relevo de Bruxelas

As autoridades da região de Bruxelas (que em termos de relevo padece do mesmo problema de muitas cidades portuguesas)  preocupadas em aumentar o número de viagens em bicicleta na  cidade, decidiram realizar um mapa das ruas de Bruxelas usando cores diferentes consoante a inclinação das ruas. Assim os ciclistas poderão mais facilmente planear o caminho a tomar.
Apesar de 99% do trânsito de Lisboa NÃO passar por subidas de Santa Apolónia ao Castelo ou de Santos à Estrela (como os críticos das bicicletas muito gostam de dar a entender), o relevo é um problema para as bicicletas em Lisboa. Quem diz isto, diz da Ribeira à Batalha no Porto, do Largo da Portagem à Universidade em Coimbra. Uma iniciativa deste género seria excelente para Portugal tanto para quem já anda e quer fazer um percurso fora do habitual mas especialmente para quem quer passar a usar a bicicleta como transporte. Isto porque quem está habituado a pensar nos percursos dentro da cidade em termos de viagens de automóvel não tem, ou não quer ter, a plasticidade mental para perceber que muitas vezes um pequeno desvio de um quarteirão é suficiente para evitar uma subida (exemplos disto há aos milhares).  Pessoalmente nunca deixo de fazer uma deslocação de bicicleta por causa do relevo.
Já agora lembro que a bicicleta tem muito mais flexibilidade dentro da cidade do que o automóvel, porque não fica presa no trânsito e porque pode fazer percursos proibidos para o automóvel - por exemplo, virar à esquerda nas avenidas pode sempre fazer-se levando a bicicleta durante uns metros pela mão nas passadeiras. Logo fazer desvios é muito mais fácil.

Por fim tenho que admitir que ando com esta ideia na cabeça há muito tempo, mas rapidamente chego à conclusão que é difícil medir a inclinação de uma rua "a olhómetro ". Voluntários?



(notícia via Rad-Spannerei Blog)
publicado por MC às 14:49
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Mobilidade Sustentável, uma ova!

Obviamente que não dou qualquer importância aos carros "amigos do ambiente" e outras aldrabices semelhantes inventadas pela indústria que percebe que começa a ser alvo de várias críticas. Agora quando esta fantochada é apoiada por organismo estatal, nomeadamente pela Câmara Municipal do Porto, chegamos ao ponto do intolerável.
Vai ser produzido um carro eléctrico numa grande parceria com uma indústria nacional. Ele é um popó a) "amigo-do-ambiente " e b) "inteligente", c) "sem emissões de CO2 " que traz d) "benefícios (...) do ponto de vista social", que visa e) "uma estratégia inovadora de mobilidade sustentável".
a) E os custos ambientais de produção, manutenção, circulação (pneus, óleos, peças) e desmantelamento? Será que cresce nas árvores e é biodegradável?
b) Em bom português, "esta passou-me ao lado".
c) A electricidade vem de onde? Não será do carvão e do petróleo?
d) Outra que me passou ao lado.
e) Inovadora em quê? Sustentabilidade? Será que não provoca trânsito nem acidentes como os outros automóveis? Será que não afecta a qualidade de vida das cidades, devido ao desperdício de espaço urbano?
Os automóveis eléctricos têm as suas vantagens, agora não venham vender gato por lebre.
publicado por MC às 11:05
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Iuuupi! Já temos Eixo Norte-Sul em Lisboa!


(Foto roubada no Viver na Alta de Lisboa)

E pronto, já temos mais uma auto-estrada em plena cidade. Os meios de comunicação, e o sr . ministro, são hoje unânimes quanto ao último troço de 4km do eixo Norte-Sul: temos uma importante obra para "facilitar" e "desanuviar" o trânsito, que vai retirar trânsito do centro da cidade, que vai até despoluir a cidade.
Ai, como a memória é curta.
Alguém se lembra do que foi dito aquando da abertura do primeiro troço da auto-estrada de Cascais há quase 20 anos? Que era uma importante via para facilitar o trânsito em Lisboa.
Alguém se lembra do que foi dito da transformação da estrada de Sintra em IC19?
Do troço Oeste da Cril ?
Dos viadutos entre a Av. da Índia , a Infante Santo e a Avenida Brasília?
Dos túneis do Campo Pequeno?
Da CREL?
Dos primeiros troços do Eixo Norte-Sul?
Do túnel do Areeiro?
Da ponte Vasco da Gama?
Do troço norte da CRIL?
Dos túneis da Infante Dom Henrique e Marechal Gomes da Costa?
Da triplicação do IC19?
Da radial da Pontinha?
Da radial de Odivelas?
Da triplicação da A1?
Da IC2 , alternativa à A1 em Sacavém?
Dos viadutos de ligação da Avenida Brasília e a Marginal à CRIL?
Da A10 , alternativa à A1 em Vila Franca de Xira?
Do túnel do Marquês?
Todos iam aliviar o trânsito em Lisboa.
Claro que houve melhorias pontuais, se bem que muitas com tendência para se esbater no tempo, quando o trânsito se adapta às novas condições. Mas com tanta "via fundamental para aliviar o trânsito", o trânsito não deveria já estar aliviado de vez?

Estas brilhantes e
precipitadas conclusões são sempre tomadas partindo do princípio errado, de que o padrão de trânsito se mantêm quando se abre uma nova via. Mas isso nunca acontece. O trânsito temporariamente mais fluido num local (e por consequência nos locais à volta) é um convite óbvio a um aumento do número global de automóveis

Entretanto foram gastos 25 milhões (algo como 62000 salários mínimos), foram esventrados mais alguns bairros da cidade, tornando cada vez mais a cidade em aglomerados de prédios rodeados por auto-estradas. Assim desumanizamos e matamos as nossas cidades e a nossa qualidade de vida.

Cá, a excesso de automóveis respondemos com mais facilidades de circulação. Na Europa civilizada responde-se com mais dificuldades.
publicado por MC às 10:00
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

Sintra é para carros não para pessoas II

A serra de Sintra é um lugar mágico que há séculos encanta quem a visita (hoje soube que o Hans Christian Andersen faz parte dos ilustres que por lá passaram grandes temporadas).
Passear (a pé entenda-se) hoje em dia pela serra deveria ser algo agradável, mas não é. Subir da vila ao Castelo dos Mouros é quase um pesadelo (diga-se de passagem que praticamente só se vê estrangeiros a fazer o percurso). Em vez do silêncio da serra, temos um constante vrrum vrrum das máquinas a passar, em vez do ar puro e cheiro das árvores da serra, temos uma constante baforada de gasolina queimada que deixa tonto qualquer um que a respire. A serra está transformada em parque de estacionamento junto às atracções turísticas, com automóveis a entupir tudo, quer seja proibido ou não. Nada que incomode a GNR.

O sinal diz "sujeito a reboque" e o sinal está espalhado por vários locais. A GNR nem pestanejou.

Será assim tão difícil colocar mais autocarros a circular e ao mesmo tempo altos preços de estacionamento na Serra ou portagens à entrada, como já vi feito em tantas áreas naturais protegidas por essa Europa fora?
publicado por MC às 00:40
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Sintra é para carros não para pessoas

NOTA: São apenas três exemplos. Há dúzias de casos iguais para cada um deles.

Rua estreita na vila de Sintra, onde passam várias pessoas a pé.
Nem um passeio, nem um risco a lembrar os condutores que a rua não é só deles, nem sequer uma lomba para acalmar as velocidades.

Rua larga na vila de Sintra.
Como é suposto os peões passarem (sem levar um "sai daqui caralho ", como eu levei de um simpático condutor)?

Passeio na vila de Sintra.
E agora?
Como é que não passou pela cabeça dos "senhores" da Câmara fazer o passeio à volta da árvore, suprimindo um mísero lugar de estacionamento?
tags: ,
publicado por MC às 00:25
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Sábado, 6 de Outubro de 2007

Video da Bicicletada de Setembro em Lisboa

Todas as últimas sextas de cada mês em Aveiro, Coimbra, Lisboa e Porto.
Mais em massacriticapt.net
publicado por MC às 15:57
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