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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

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Não tenho nada contra a tecnologia...

TMC, 26.08.09

...mas ao ler acerca do novo projecto City Motion, albergando várias empresas de transporte público, centros de investigação universitários e as próprias autarquias de Lisboa e Porto não pude evitar algum cepticismo. Além disso, sei bem o resultado destes projectos mirabolantes e mui cooperantes. Estudei e trabalho numa faculdade com vários departamentos de transporte em que o campus é usado como estacionamento gratuito para alunos, professores e funcionários , apesar de estar rodeado  por transportes públicos de qualidade.

 

A notícia do projecto também não é muito promissora, simplesmente porque o objectivo do projecto - mudar profundamente a mobilidade nas grandes cidades - parece advir de três factores:

 

1) articulação dos vários agentes interessados (a minha tradução para stakeholders)

2) fusão de dados e respectiva gestão numa plataforma logística  digital em tempo real

3) usufruto dessa informação para o utilizador dos transportes públicos

 

O ponto 1) é desejável em qualquer projecto mas no caso dos problemas de mobilidade concretos que assolam Lisboa e Porto o ponto 2) e especialmente o 3) são inócuos. Poderão melhorar um pouco a mobilidade mas só o farão para quem já usa os transportes públicos. Não há nada no projecto que ataque o problema principal que é uso excessivo do automóvel nas cidades.

 

Ou seja, o projecto não é nada realista. Falha o alvo. Assume que  qualquer utilizador de transportes públicos usará os resultados via telemóvel e atribui  ao acesso à informação o ónus da mudança na mobilidade urbana. Não há nada no projecto que permita cativar utilizadores de viaturas particulares para as públicas e ignora a falta de sustentabilidade das empresas de transporte públicos, precisamente por estas ainda não captarem clientes suficientes.

 

Ninguém gosta de esmolar mas face a todos os incentivos concedidos pelos sucessivos governos à viatura particular, é claro que o resultado só poderia ser o prejuízo das empresas de transportes públicos. 

 

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