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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

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O carro vs o peão - o que interessa é o tamanho

MC, 12.08.09

Neste curioso artigo sobre a ditadura do automóvel em LIsboa escrito em 1926, sugerido aqui por um leitor, há um parágrafo interessante:

 

O transeunte não precisa andar descuidado para encontrar a morte sob as rodas dum automóvel. De resto é uma teoria errada e contraria a todos os princípios de colectivismo, defendidos sempre em todos os regimens, essa de que os peões, sendo maioria, é que devem andar preocupados com os veículos que estão ao serviço e comodidade duma minoria. Hoje não se pode atravessar certas ruas da cidade (...) sem se fazer um seguro de vida. (...)E actualmente é inegável que os automóveis constituem uma constante ameaça à vida da população. O publico não está educado, é certo; mas temos de afirmar mais uma vez que não é o publico que deve estar educado para os automóveis, mas sim os automóveis para o publico. Pelo próprio instincto de conservação, o publico defende-se e defender-se-há, sempre que o possa fazer, do perigo que o ameaçar; o mesmo, porem, não sucederá com os automóveis. . .

 

O primeiro sublinhado mostra como os argumentos mudam ao longo dos tempos. Há 80 anos, os peões é que tinham que se amanhar porque eram a maioria. Hoje o argumento  habitual diz que os peões é que têm que se amanhar porque são a minoria! (serão realmente?) Sejamos claros o que interessa é o tamanho, o peso e o status. Quando alguém está dentro de uma caixa metálica pesadíssima a grande velocidade, que lhe custou vários salários, esse alguém acha-se superior a quem caminha a pé. Depois embeleza-se a argumentação.

 

O segundo sublinhado é exactamente o que repito sempre. Se o peão se engana, quem morre é o peão. Mas se o automobilista se engana, quem morre é o peão. Qualquer regra de convivência tem que partir desta assimetria básica.

 


A ler: o número de infracções em Lisboa tem vindo a diminuir com os radares. Em dois anos baixou-se de 261.770 infracções por semestre para 55.081. Quem acha que a "caça à multa" - seja lá o que isso for - não altera comportamentos, tem aqui uma desilusão.

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