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Menos Um Carro

Blog da Mobilidade Sustentável. Pelo ambiente, pelas cidades, pelas pessoas

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Tudo o que você sempre me quis perguntar sobre carros eléctricos, mas não teve coragem de o fazer

MC, 20.04.09

Tenho tido imensos comentários em todas as postas sobre carros eléctricos, e tem havido aqui uma discussão sobre a minha opinião*. Receio estar a ser mal interpretado por quem leia apenas uma posta isolada, por isso resumo aqui os pontos fundamentais.

Um carro eléctrico vs um carro a combustão interna
A circulação do eléctrico é sem dúvida menos grave para o ambiente. Não é nada fácil encontrar estudos com uma panorâmica geral, mas nunca vi nenhum a apoiar o carro convencional; Acresce o facto da poluição do primeiro não ser local, não emitindo ozono, partículas e VOCs (os poluentes com impacto directo na saúde) junto das populações; O convencional, ao contrário do eléctrico, provoca grande poluição sonora, o que é um grave problema para a qualidade de vida, a saúde psíquica e até física de quem vive na cidade.
Por outro lado, a produção do carro eléctrico tem um impacte ambiental maior, devido à produção e desmantelamento das baterias.

Mobilidade em carro eléctrico vs mobilidade em carro a combustão interna
Andar 100km num eléctrico é menos gravoso ambientalmente que 100km num convencional, mas não é esta a comparação que deve ser feita. Numa perspectiva mais abrangente, o carro eléctrico por ser mais barato ao km (refiro-me a custos reais, sem impostos e subsídios), não vai ser usado nesses 100km mas em 150 ou 200. Isto não só agrava todos os problemas não-ambientais ligados ao automóvel (sinistralidade, ditadura sobre o espaço urbano, custos em infra-estruturas, congestionamento, etc.) como até pode reverter os "ganhos" ambientais. Se aceitarmos de uma vez por todas que estes custos devem ser pagos por quem usa o carro, o problema talvez não se ponha... mas isso aplica-se a ambos os carros!

Energia: Neste momento quase 40% da energia eléctrica em Portugal é de origem renovável (o que não implica que seja "verde"), mas não faz sentido falar nestes 40%. Uma mobilidade em carro eléctrico implica um aumento enorme das necessidades de produção de energia eléctrica. Dificilmente este rácio poderia ser mantido se amanhã todos os carros passassem a ser eléctricos.

Mobilidade em carro eléctrico como solução de mobilidade
Investir nesta mobilidade é não perceber o essencial. Os custos não-ambientais são do meu ponto de vista bem mais graves, e estes serão agravados com o carro eléctrico (se a mudança feita for apenas ao nível do motor). A energia é cada vez um bem mais escasso, o carro eléctrico apenas pode ajudar a reduzir a dependência do petróleo, mas é impossível continuar a produzir toda a energia eléctrica necessária.
Em todos estes aspectos (energia, ambiente e custos não-ambientais) um autocarro velhinho a diesel é muito melhor que um carro eléctrico. Ao insisti-rse no carro eléctrico está a desviar-se a atenção do essencial.

Governo
As minhas repetidas críticas ao governo no seu apoio ao carro eléctrico passam por ele não querer ver este último ponto, por "vender" o carro como solução milagrosa e "verde" que não é, e por canalizar verbas públicas de montantes obscenos para esta solução quando há outras melhores.

Eu preferiria que todos os carros actuais fossem eléctricos (se eu não tivesse que pagar pelo carros dos outros, como estou a fazer), mas essa questão é secundária. Enquanto discutimos se o paracetamol é melhor que a aspirina, esquecemo-nos que o paciente tem um tumor.

 

*por alguma razão não consigo responder no fórum depois de me inscrever. Para lá de algumas alegadas afirmações minhas que nunca fiz, gostei especialmente destas frases que me parecem ser dirigidas: Nunca foi surpresa para nós que aos poucos e poucos toda a industria petrolifera começará a fazer campanha contra os electricos. Cabe a nós, cidadaos esclarecidos e interessados no melhor em termos de economia/ambiente, divulgar a verdade sobre as enormes vantagens que os VE têm sobre os veiculos de CI.

 


A ler: a falsidade dos números da sinistralidade automóvel. Além da famosa questão de se deixar de fora quem não morre logo a seguir ao acidente, há ainda várias questões burocráticas que reduzem as estatísticas.

Julgo contudo que isto não invalida os excelentes resultados ao nível da redução da sinistralidade que têm acontecido nos últimos anos. Uma coisa é ser alto ou baixo em relação, outra coisa é subir ou descer.

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