Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

Silva Rodrigues, uma visão pró mobilidade sustentável à frente dos transportes de Lisboa

Há muitas coisas que aconteceram na Carris nos últimos anos, das quais eu discordo frontalmente. A cobertura foi drasticamente reduzida (sob o eufemismo dos "reajustamentos locais" e "modernização da rede") sem que os recursos libertados tenham sido usados para aumentar a frequência das carreiras que se mantiveram; foram gastos recursos em projectos que, apesar de válidos, só fariam sentido se o serviço de base fosse aceitável, e que assim acabam por ser luxos como o mob CarSharing, a wi-fi nos autocarros, etc.; este blog foi vergonhosamente plagiado pelo Menos Um Carro, a Cópia (com o qual não temos qualquer ligação); etc. Contudo há que reconhecer que houve uma boa gestão da empresa, e que esta está hoje bem mais virada para os clientes do que há uns anos. Um bom exemplo é o serviço de SMS/e-mails que indicam em tempo real, o tempo de espera dos autocarros.

O presidente da Carris, Silva Rodrigues, é alguém que partilha a nossa visão sobre a mobilidade urbana: o automóvel tem de ser discriminado negativamente, e sem isso nem vale a pena falar em melhorias dos transportes públicos. É por isso que a sua nomeação para dirigir a nova empresa de transportes públicos de Lisboa (Carris e Metro vão finalmente ser fundidas, e bem) é uma boa notícia.

Recordo aqui algumas declarações de Silva Rodrigues:

 

"O congestionamento automóvel permanente penaliza gravemente a qualidade de vida e a competitividade da cidade"

 

A autarquia da capital, que "tem de assegurar transportes colectivos de qualidade" e deixar de planear a cidade para o automóvel.

 

Limitar, tornar mais caro e sobretudo fiscalizar o estacionamento são as medidas que a câmara deveria tomar (...) "O estacionamento não pode continuar a ser feito da forma que o fazemos em Lisboa, sem regras claras e sem uma política rigorosa" (...) "Aumentar o espaço de estacionamento na cidade é andar ao contrário do que deve ser feito. É relativamente fácil gerir esta variável e, se na AML não a gerimos adequadamente, então na cidade não a gerimos de todo: é só ver as segundas filas, os passeios cheios de carros, a falta de fiscalização e o sentimento de impunidade generalizado dos cidadãos"

 

"Dizem que querem uma cidade descongestionada e depois anunciam novos parques no centro da cidade. Qual a coerência deste modelo?"

 

Faixas BUS: "Se estiver parado nos sinais e vir os autocarros a avançar, se calhar até penso mudar de meio de transporte"

 

"A nossa frota anda uma média de 14,5 quilómetros por hora. Se nos deixassem andar a mais um quilómetro pouparíamos cinco milhões de euros por ano."

 

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A recomendação de hoje tem a ver com transportes públicos e bicicletas, como é que a Holanda os conjuga:

(obrigado Dário)

publicado por MC às 15:38
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

O mapa e o horário das "novas linhas de metro" em Lisboa

 

Agora que o passe para Lisboa vai incluir também os comboios da CP (altamente subaproveitados o que toca a deslocações dentro da cidade), deixo aqui o mapa das "novas linhas", os horários,  e o número de comboios por hora:

 

Horário da linha Azambuja/Sintra:

Oriente-Sta Apolónia: 2 comboios por hora

Oriente-Areeiro-Entrecampos-Sete Rios: 8 comboios por hora

  Oriente-Areeiro-Entrecampos-Sete Rios-Campolide-Alcântara: 2

  Oriente-Areeiro-Entrecampos-Sete Rios-Benfica-Damaia: 6

Rossio-Campolide-Benfica-Damaia: 4 comboios por hora

 

Horário da linha de Cascais:

Cais Sodré-Alcântara-Algés: 6 comboios por hora

  (metade param em Santos e Belém)

 

Alguns trajectos têm uma frequência baixa, mas passam sempre à mesma por isso é fácil utilizá-las.

 

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Depois de um post chato, um vídeo do Daily Show a ridicularizar a incapacidade histórica de acabarmos com a nossa dependência do petróleo:

 

The Daily Show with Jon Stewart
Get More: Daily Show Full Episodes,Political Humor & Satire Blog,The Daily Show on Facebook

publicado por MC às 18:48
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

Lisboa reganha duas linhas de metro

 

Depois de várias más notícias sobre os planos do governo para os transportes públicos de Lisboa, uma melhor. O Público diz que vai ser criado um passe único para Lisboa, o que finalmente incluirá a CP (operador público!!) e outros operadores. A CP tem várias linhas ferroviárias dentro de Lisboa, que estão completamente sub-aproveitadas por estarem desintegradas da rede do metro, especialmente em termos de bilhética: têm passes, bilhetes e preços diferentes.

O mapa acima indica o real mapa ferroviário de Lisboa, mas ninguém tem isto na cabeça. Há uma linha que faz Alcântara - Campolide - Sete-Rios - Entrecampos - Areeiro - Chelas - Oriente, onde só se vê passageiros com partida ou destino no subúrbio. Uma linha que cruza a cidade, não é usada para deslocações na cidade, por má gestão. 

Parabéns ao governo se a medida se concretizar.

Quanto à reestruturação das carreiras, concretiza-se o que já se esperava. Depois de um grupo de trabalho ter feito o papel de bad cop, propondo acabar com dezenas de linhas de autocarro e barco, agora o governo aparece como salvador da Pátria, cortando apenas parte. Basta ler a imprensa para ver como muita gente caiu que nem uns patinhos. Não deixa de ser má notícia.

 

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A ler, The Death of the Fringe Suburb no NYT (via), sobre a morte desse expoente máximo da cultura automóvel norte-americana, os subúrbios de baixíssima densidade onde todas as deslocações são feitas de carro.

publicado por MC às 09:52
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011

ADORO greves dos transportes

Os transportes públicos de Lisboa e Porto, e todo o serviço nacional da CP, vão estar em greve em grande parte do dia de amanhã.

Sou das poucas pessoas no país que gosta destes dias: nada melhor que um dia sem transportes públicos, e portanto com um trânsito infernal, para mostrar como seriam as nossas cidades se fossemos ainda mais brandos com o automóvel.

Quem defende mais estacionamento ou estacionamento mais barato, combustíveis mais baratos, auto-estradas urbanas sem portagens, mais espaço e mais infra-estruturas (túneis, pontes e AEs) para a circulação automóvel, etc.; quem critica a diferenciação positiva entre transportes públicos e automóvel, o apoio aos meios de transporte suaves (peão e bicicleta), os investimentos públicos em infra-estruturas de transportes, as faixas BUS, as ruas cortadas ao automóvel, etc. está no fundo a propor-nos que o dia de amanhã não seja a excepção, mas a regra.

 

 

 

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A recomendação de hoje é um post do Lisbon Cycle Chic que dá esperança no futuro, fotos de uma escola de Lisboa:

publicado por MC às 13:32
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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

Transportes em Lisboa: cortar, cortar, cortar!

E Diário Económico tem uma notícia assustadora:

O governo quer acabar com 15 carreiras da Carris (a juntar a outras tantas que foram encerradas nos últimos anos), fechar o metro dentro de Lisboa às 23:00 e fora do centro às 21:30(!!), acabar a ligação fluvial à Trafaria (deixa de ser possível ir de bicicleta de Lisboa para a Caparica), etc.

Faltando financiamento nos transportes, o governo vira-se para os mais fracos e corta-lhes o serviço. Há várias perguntas que continuam por responder:

  • Porque é que Portugal é dos países onde menos se passam multas (e o que não falta é oportunidade para tal, qualquer esquina de Lisboa deve valer umas 1000 ao dia)? E porque cai em saco roto a grande maioria das multas que são passadas? Seria bem fácil agilizar a sua cobrança, por exemplo colocando o seu pagamento como condição necessária para receber subsídios estatais ou a devolução de impostos - tal como é feito ás equipas desportivas que não podem participar em campeonatos.
  • Porque é que as nossas cidades continuam a ter os preços de estacionamento dos mais baratos do mundo?

 

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A ler:

Via ASPO-Portugal, cheguei a este estudo sobre o preço do petróleo nos últimos anos. Os autores mostram, tal como eu várias vezes argumentei, que os preços altos do petróleo nos últimos anos têm razão de ser (procura crescente e diminuição da produção) e não são resultado de especulação esporádica.

publicado por MC às 15:12
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Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011

Primeiros carros eléctricos em Lisboa chegaram há 110 anos

Esta ideia que a mobilidade a eletricidade é algo do futuro choca com esta importante infeméride: foi há 110 anos que circulou o primeiro elétrico em Lisboa.

Uma ideia que era do futuro, e ainda é hoje, é ter a mobilidade urbana baseada em transportes públicos.

Infelizmente, hoje e contrariando a Europa mais desenvolvida, é visto entre nós como algo do passado.

 

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E para nos lembrar que o carro é um meio de transporte ineficiente na cidade onde o espaço é limitado, há sempre estes belos parques de bicicletas para mostrar o exagerado espaço que o carro ocupa:

publicado por MC às 00:16
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011

Duas histórias do Portugal carro-dependente

1. Uma amiga estrangeira a visitar Lisboa, ficou numa casa de uma colega, que mora a "10 minutos a pé do Colombo" (para quem não sabe, o Colombo tem uma estação de metro). O facto de a colega portuguesa trabalhar no Saldanha, a apenas 5+1 estações de metro de distância, e usar exclusivamente o carro, já deixava adivinhar o que vinha.

Pouco depois de combinar um café na Baixa, ela volta a ligar aflita a perguntar se eu tinha carro. Não tendo eu carro, ela não poderia ir ter à Baixa por falta de tempo. É que a portuguesa carro-dependente lhe garantiu que de Benfica à Baixa era uma hora de transportes públicos! (São 10 paragens de metro, na mesma linha, 14 minutos segundo o Google Maps).

É impressionante como tanta gente faz um esforço intelectual para se convencer que o automóvel é a única alternativa.

 

2. Uma leitora conta que ao comprar um telemóvel, perguntou a opinião ao vendedor. O vendedor disse-lhe que muita gente se queixava dos telemóveis com ecrã tátil em vez de teclado, porque demoravam mais tempo a escrever mensagens quando guiavam.........

 

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O A Nossa Terrinha conta mais uma história do Portugal carro-dependente, de carros que ganham vida.

publicado por MC às 14:25
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Segunda-feira, 7 de Fevereiro de 2011

A decorrer: semana demonstrativa do futuro automobilizado

Adoro greves dos transportes públicos.

E esta semana temos várias em Lisboa e Porto.

Sempre que alguém defender combustíveis mais baratos, mais lugares de estacionamento seja em parques ou em cima do passeio, mais auto-estradas e pontes dentro das cidades, imposto automóvel mais barato, apoios a carros elétricos, empresas de transportes numa lógica de lucro, que as bicicletas não atrapalhem os carros, etc. está a defender um modelo de cidade semelhante ao que os alfacinhas e os tripeiros vão vivenciar esta semana.

Lembrem-se disto!

 

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A MUBi, a Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, tem uma página totalmente renovada e está com nova energia. Inscrevam-se como sócios e inscrevam-se nos vários projectos!

publicado por MC às 12:50
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Domingo, 16 de Janeiro de 2011

Transportes e Maturidade

É um chavão que uma crise, seja ela económica ou política, é também uma oportunidade para um país e para os seus habitantes; porque ao encerramento do ciclo que permitiu o advento dessa crise, assiste a possibilidade de um novo começo. Esse novo começo é necessário, seja por os comportamentos estarem agora balizados por novas condicionantes financeiras, seja porque as pessoas compreenderem e sentirem nos ossos que o seu modo de vida anterior era parte integrante das condições que ocasionaram a crise.

 

Concretizando: perante os gastos de produção e manutenção e a escassez de matérias primas que não existem no nosso território, o estado e as empresas decidiram reavaliar a frequência, aumentar os passes mensais ou suspender alguns serviços de transportes para diminuírem os seus custos.

 

Perante estes factos, há duas atitudes. A imatura e a matura.

 

Existem os que pretendem manter a sua dependência e geri-la, exigindo ao estado que continue a facilitar o seu modo de deslocação com prejuízos sociais e financeiros colectivos. Acham que a generalização do automóvel como meio de transporte é algo irrevogável e necessários às suas vidas: 

 

 

Acontece que me apaixonei por um automóvel.

 

E existem aqueles que, por não terem opção ou por escolha própria, reivindicam o direito à mobilidade num meio de transporte colectivamente menos oneroso ou que se autonomizam completamente do uso do automóvel em meio urbano.

 

 

 

 

 

 

Há quem peça aos papás um aumento da mesada. E há quem saia de casa. 

 

 

A Ciclo-Oficina de Lisboa de Janeiro foi em Telheiras, na associação ART. Como sempre, a garantia de uma tarde de Domingo bem passada:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por TMC às 20:05
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

Pequenas coisas da ditadura do automóvel IV

A Carris (autocarros de Lisboa) tem um serviço muito bom de informação sobre os horários de chegada dos autocarros*. Seja por paineis eletrónicos nas paragens, por SMS ou por e-mail, o passageiro pode ficar a saber a que horas é prevista a chegada dos diferentes autocarros. Tudo isto graças a um sistema que acompanha constantemente a localização de todos os autocarros.

Nada disto faria o mínimo sentido se os carros privados não empatassem a vida dos outros. Se houvesse menos trânsito, se não houvesse estacionamento ilegal, se houvesse mais faixas BUS, etc. a velocidade a que um autocarro circula seria muito mais previsível e menos errática (já para não dizer que  circulariam bem mais rápido). Poderíamos ter horários fixos para cada paragem, o autocarro 123 passaria à minha porta às 8h25 todas as manhãs, em vez de este sistema todo. Os utentes saberiam sempre quando haveria autocarro. Os autocarro chegariam à hora prevista.

Tudo isto é impossível devido às escolhas dos automobilistas. Logo andar ou não de automóvel não é uma escolha meramente individual como escolher entre chá ou café, mas é uma escolha que afeta os outros, tal como tocar ou não bateria às 4 da manhã, e deveria ser tratada como tal.

 

* Sim, eu sei , nem sempre está correto. Mas já vi falhas semelhantes ou piores no estrangeiro.

 


Uma petição a assinar para um meio de transporte que felizmente não é afetado pela escolha dos outros, o comboio. Os utentes do Grande Porto não têm a possibilidade de ir diretamente do Porto a Guimarães sem parar em todas as terrinhas: Petição Comboios Expresso para Guimarães

publicado por MC às 13:54
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