Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

O preço do petróleo em euros nunca foi tão alto

A imprensa ao noticiar o preço do petróleo em dólares em vez de euros, continua a dar-nos uma ideia errada do que está a acontecer. Ainda esta semana numa conferência onde estive, um especialista na matéria se referia a 2008 como aquele ano em que o preço do petróleo teve um preço estranhamente alto.
Sejamos claros, houve um pico estranho em 2008, mas em 2011 o preço esteve bem constante... e quase ao valor desse pico. O passado mês de Janeiro viu o preço mais alto de sempre do Brent. E estamos a falar de um período em que o mundo ocidental está de rastos, logo com uma procura mais baixa. Se este ano fosse um ano normal, o gráfico teria subido bem mais.
O preço do petróleo empurra também o custo das outras fontes de energia. A era da energia barata acabou. O desafio não é tentar descobrir outros modos de continuarmos a andar de automóvel. É sim saber como vamos andar sem automóvel.
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O que nós precisamos é de Road Diet :), como nos conta a StreetFilms.
publicado por MC às 16:52
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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

Transportes em Lisboa: cortar, cortar, cortar!

E Diário Económico tem uma notícia assustadora:

O governo quer acabar com 15 carreiras da Carris (a juntar a outras tantas que foram encerradas nos últimos anos), fechar o metro dentro de Lisboa às 23:00 e fora do centro às 21:30(!!), acabar a ligação fluvial à Trafaria (deixa de ser possível ir de bicicleta de Lisboa para a Caparica), etc.

Faltando financiamento nos transportes, o governo vira-se para os mais fracos e corta-lhes o serviço. Há várias perguntas que continuam por responder:

  • Porque é que Portugal é dos países onde menos se passam multas (e o que não falta é oportunidade para tal, qualquer esquina de Lisboa deve valer umas 1000 ao dia)? E porque cai em saco roto a grande maioria das multas que são passadas? Seria bem fácil agilizar a sua cobrança, por exemplo colocando o seu pagamento como condição necessária para receber subsídios estatais ou a devolução de impostos - tal como é feito ás equipas desportivas que não podem participar em campeonatos.
  • Porque é que as nossas cidades continuam a ter os preços de estacionamento dos mais baratos do mundo?

 

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A ler:

Via ASPO-Portugal, cheguei a este estudo sobre o preço do petróleo nos últimos anos. Os autores mostram, tal como eu várias vezes argumentei, que os preços altos do petróleo nos últimos anos têm razão de ser (procura crescente e diminuição da produção) e não são resultado de especulação esporádica.

publicado por MC às 15:12
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2011

Preço do petróleo em euros

Como a nossa imprensa é um bocadito preguiçosa, nunca falando no petróleo na moeda que nós usamos na realidade, aqui fica a evolução do preço do Brent em euros (dados do BCE).

 

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Paradoxalmente este aumento só vai ajudar a promover o automóvel em Portugal, devido ao status que dá. O A Nossa Terrinha tem uma história incrível sobre isso.

publicado por MC às 17:35
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

O visível e o invisível

Muitos dos nossos comportamentos são tão frequentes precisamente por estarmos na ignorância das condições que os possibilitam. É também a frequência dessas acções que as torna habituais e, por isso, inquestionáveis. Se soubéssemos a lógica que proporcionou o aparecimento de um certo produto e a lógica do desaparecimento desse mesmo produto, alguns dos nossos gestos quotidianos não pareceriam tão inocentes ou leves, sem quaisquer consequências. De outro modo, parece que um dado produto existe autonomamente, por si só, desligado do mundo que o rodeia.

 

Saber as condições de aparecimento e desaparecimento de um produto ou do gesto que adquire esse produto é conjugar o invisível no visível. Conhecer essas condições dá-nos mais liberdade de escolha e torna-nos mais conscientes das nossas acções.

 

Aplicando, com a preciosa ajuda do fotógrafo Edward Burtynsky, é ver que isto:

 

 

E isto:

 

 

Acarretam necessariamente isto: exploração, refinação e transporte do petróleo.

 

 

 

 

 

Desastre no golfo do México.

 

 

Cada civilização é lembrada pelas suas ruínas. As nossas poderão ser estas:

 

Hong Kong.

 

 

Los Angeles

 

 

As cidades tornaram-se no resuldato de um planeamento urbano que depende demasiado de um recurso finito.

 

Subúrbios de Las Vegas

 

 

Quando o petróleo acaba ou os automóveis chegam ao seu fim de vida, o que fica?

 

Baku

 

 

Sucatas.

 

 

 

 

Ver mais fotos de Edward Burtynsky aqui. Um filme sobre como seu trabalho documenta a alteração das paisagens está aqui.

publicado por TMC às 14:58
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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

De agora em diante, teremos que viver com menos crude

A ideia de que o pico do petróleo - o dia em que a produção mundial de petróleo deixaria de crescer - estaria para breve ou já teria passado, foi durante muitos anos (bom, ainda é) alvo de chacota por muitos agentes envolvidos no setor da energia. Segundo estes ainda haveria ziliões de reservas de crude para encontrar e o pico do petróleo não chegaria nas próximas décadas.

Bom, agora foi a vez da Agência Internacional de Energia no seu último relatório fazer uma previsão para a produção de crdue nas próximas décadas, onde se mostra que esta não volta a crescer.

(Gráfico tirado deste artigo, encontrado pela ASPO-Portugal)

 

Não é difícil de imaginar o que acontecerá ao preço do petróleo, com um aumento explosivo das taxas de motorização na China e na Índia, o aumento populacional e o crescimento económico mundial. Nem difícil é de prever os impactos que isto terá já nos próximos anos na sociedade do automóvel.

Para lá da qualidade de vida nas nossas cidades e do ambiente, reduzir a nossa dependência do automóvel deve ser o principal ponto da nossa política energética.

 

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E aqui fica uma sugestão para esta redução, no interessante post Non-stop relaxed cycling in Utrecht no A View from the Cycle Path.

publicado por MC às 14:18
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Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Acabou o petróleo barato

Há dois anos e meio explodia a notícia, o barril do petróleo chegava aos 100 dólares pela primeira vez. Habituados a discutir em dólares, esquecemo-nos que a Europa não usa dólares, usa euros. Nesse Janeiro de 2008 o preço do petróleo em euros foi de 62€. No mês de Junho que passou esse mesmo foi também de 62€. Em Abril, mesmo antes do crime ambiental do Golfo do México, já tinha custado 64€.

As grandes economias estão em crise, e os mercados financeiros desfeitos. Tanto um como outro (eu nunca percebi a teoria da especulação como causa do aumento do preço, mas enfim) deveriam puxar o preço para baixo, e no entanto... Não há como o contradizer, o petróleo nunca mais sará barato. Muitos dos novos poços de petróleo que são anunciados, têm custos de extração mais altos do que os do passado. A China e a Índia aumentam o seu consumo a grande velocidade.

E isto tem efeitos no preço de outros tipos de energia, mesmo na electricidade de outras fontes primárias, porque todos os setores buscarão alternativas.

O carro, como transporte mais energeticamente ineficiente que existe, não pode continuar a ser a peça central da nossa mobilidade.

 


Há pouco ficou-se a saber de uma boa notícia. O governo desistiu da loucura de transferir o IPO de Lisboa (um dos maiores hospitais do país) do centro da cidade, onde existe comboio e metro, para algures no concelho de Oeiras onde se chegaria de carro.

publicado por MC às 15:44
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Sábado, 29 de Maio de 2010

Isto é culpa da sociedade do automóvel

 

Há 5 semanas que o Golfo do México sofre dos maiores desastres ambientais, sociais e económicos que há memória nos últimos anos. Bem sei que o petróleo não serve só para o automóvel, mas este é o principal consumidor de petróleo. Se não fosse a sociedade do automóvel, não haveria esta ânsia de extrair petróleo a qualquer custo.

Mais fotos aqui.


O Paulo voltou à estrada para divulgar a bicicleta como meio de transporte, agora com 100 dias de bicicleta em Portugal.

publicado por MC às 16:48
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Domingo, 8 de Março de 2009

Défices...

E por falar em economia, um dos temas da moda nos últimos tempos tem sido o grave défice externo português (quanto ficamos a dever ao estrangeiro a cada ano). Grande parte do défice externo é causado pelo défice comercial, isto é o que compramos a mais ao estrangeiro comparado com o que vendemos, que em 2007 foi de 19,5 mil milhões de euros.  Ano após ano, Portugal está a comprar mais do que vende, o que não é sustentável*. Desses 19,5 há 6,2 que vêm de uma só categoria comercial, a dos "combustíveis e lubrificantes"!

 

 

Claro que o que não existe cá tem que ser importado. Claro que é impossível viver sem petróleo. Tudo bem. Mas dada a gravidade do problema, não faria todo o sentido diminuir a nossa dependência do petróleo? Em vez de centenas de kms como este governo fez, não faria sentido ter feito centenas de kms de comboio, que gasta muito menos energia do que o automóvel e que além disso usa uma energia que pode ser produzida em Portugal, a electricidade?

 

* bom, a coisa não é assim tão simples... mas para aqui chega.


A ler, um texto já com alguns meses, "Cidade do século XXI deverá ter menos carros e mais transportes públicos de qualidade". Uma notícia do Público sobre a opinião do Arq Manuel Graça Dias, no blogue AM de Lisboa. (obrigado Hugo!)

publicado por MC às 22:11
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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Notas soltas

Depois da triste figura de guerrinhas pelos lugares de estacionamento por parte dos juízes, temos mais uma bela notícia relacionada com a justiça: o novo Campus de Justiça em Lisboa vai ter 4000 lugares de estacionamento! Numa zona tão bem servida de transportes públicos como é o Parque das Nações (vários comboios, metro, autocarros, etc...), as autoridades esquecem os discursos bonitos do ambiente, da promoção dos transportes públicos e da diminuição dos automóveis na cidade e apostam num paradigma cada vez mais ultrapassado: lugares de estacionamento para tudo e todos. O presidente da Junta não fica atrás, achando que o problema da "mobilidade" se resolve com estacionamento. Com gente assim...

 

Para compensar ligeiramente temos a notícia de 4 concelhos (Barreiro, Lisboa, Loures e Odivelas), que incentivam o carpooling por parte dos seus funcionários através de uma página específica dentro do www.carpool.com.pt.

Fico obviamente contente mas só me vem dar razão no que escrevi acima: "incentivos" e "sensibilização" lá se vai apoiando, mas quando são decisões difíceis de tomar...

 

Manuel Tão, no Expresso, questiona a febre da transformação de antigas ferrovias  em "ciclopistas" sobre a capa do turismo verde. Destroí-se comboio e incentiva-se os passeios de bicicleta no tejadilho do carro.

 

Fernanda Câncio tem um interessante post sobre os impostos sobre os combustíveis: adira ao movimento dos sem-petróleo, pergunte-me como.

 

 

publicado por MC às 22:45
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Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

14* milhões de euros, queimadinhos todos os dias

Segundo a DGEE, Portugal importou em termos líquidos em 2007 cerca de 5 mil milhões de euros em petróleo e refinados (livres de impostos), ou seja 14 milhões de euros por dia. E isto foi no ano passado, quando o famoso Brent custou em média 52,7€. Neste preciso momento está a 84€, o que dá para imaginar quanto vai subir este custo em 2008.

São 14 milhões que todos os dias saem do  país porque nas últimas décadas apostámos exclusivamente no automóvel. 14 milhões porque construímos 2000km de auto-estradas e outros tantos de IPs e ICs, enquanto destruíamos a ferrovia e descurávamos os transportes públicos. 14 milhões porque as nossas cidades estão pensadas para quem anda de automóvel, e desprezam os outros modos bem mais poupadores de energia. 14 milhões porque queimar combustível dentro do carro dá status na nossa sociedade... e quanto mais  eles queimam, mais status dão.

14 milhões que vão enriquecer governos, que na sua maioria são corruptos.

14 milhões que poderiam ser bem menos, se já há muito tempo tivéssemos arrepiado caminho e feito as escolhas correctas.

Baixar os impostos agora é um convite ao "deixa andar", é adiar uma mudança inevitável, e é acima de tudo diminuir o dinheiro que fica por cá e ao mesmo tempo garantir às Arábias Sauditas, Iraques, Rússias, Angolas e Venezuelas que lhe vamos continuar a oferecer prendas cada vez mais chorudas todos os dias nas próximas décadas.

 

* 14 foi a conta que fiz, e trata-se das importações líquidas. Aqui cita-se o Diário Económico, onde se diz que o valor é de 18 milhões ao dia a preços de 2007, e que hoje será de 21. De qualquer modo estes 18 ou 21 são o valor da importação total, mas como nós reexportamos combustível, o custo estará certamente mais próximo dos 14.

 


Para um post bem mais optimista, dêem uma olhada nas notícias sobre o PediBus lisboeta recolhidos no bananalogic!

publicado por MC às 18:14
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