Domingo, 19 de Abril de 2009

Fugiu a boca para a verdade

É um mísero detalhe, um lapsus linguae, daqueles que fazemos sem notar. Mas é nestas coisinhas pequeninas e insignificantes que percebemos o que vai realmente na cabeça das pessoas. Na zona mais central de Rio Maior existe isto:

 

 

Num acesso a uma garagem, que é feito através do passeio, a câmara municipal desenhou uma passadeira. As passadeiras existem onde os peões podem atravessar  os locais reservados à circulação automóvel. Um passeio não é, em princípio, um desses casos. Ou será que sim?

 


A ler: a reacção dos comandantes da PSP sobre o reforço da polícia municipal em Lisboa, onde o representante destes afirma que tal reforço só serve para aumentar as receitas das multas para a câmara. Quando a própria hierarquia da polícia não percebe porque é que se hão de fazer cumprir as leis, estamos muito mal.

publicado por MC às 17:33
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Sábado, 4 de Abril de 2009

Michael Hartmann - Autobiografia I

A autobiografia do activista alemão pró-peões (ver posta anterior) está cheia de observações muito simples mas muito perspicazes, que mostram bem como as nossas cidades vivem sobre a ditadura do automóvel sobre os outros modos de transporte sem que nos apercebamos.

Diz ele que um carro (e é mesmo só a caixa de metal, nem tem uma pessoa lá dentro) que esteja parado no local destinado à circulação dos carros, ocupando muitas vezes apenas uma pequena parte da rua, é normalmente rebocado levando uma multa elevada.

Mas o mesmo carro estando parado no local destinado à circulação dos peões, onde normalmente ocupa uma grande parte senão a totalidade do passeio, apenas leva uma multa pequena.

publicado por MC às 23:52
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Que se foda Lisboa!

Este texto, encontrado aqui podia ter sido escrito por qualquer das famílias Lisboetas que já tentaram passear com um carrinho de Bebé pelas ruas de Lisboa... Esta mãe, que se apresenta como Rititi, decidiu libertar a sua indignação nesta fantástica verborreia. Da nossa parte, estamos totalmente de acordo com a indignação.

 

E lá na Grande Alface, decidimos os senhores de Pinheiro levar o Rititi Boy da Estrela até ao Chiado, empurrando carrinho que é como se passeiam os bebés desde que o mundo ficou motorizado. Ah, que grandes aventuras que gostamos nós de viver! Porque uma coisa é Madrid, uma cidade com passeios largos e mentalidade europeia e outra bem diferente é a nossa querida Lisboa, tão decadente, tão luminosa e tão desconfortável para o caminhante.
Mas comecemos pelo princípio, a saída de casa. Impossível, ficámos presos. Estacionada à porta do prédio eis que estava uma bela de uma carrinha audi A35, com os seus dez metros de cumprimento escarrapachados no passeio. Matizo: à porta não, dentro da porta. Porque em Lisboa o conceito de estacionamento vai mais além dos limites lógicos da física, o dono da carrinha achou que a sua viatura estaria mais segura tapando a saída da minha casa. Foi mais ou menos quando Mr. Pinheiro começou aos pontapés à carrinha que eu me dei conta da odisseia em que se ia transformar um simples e simpático passeio pelas ruas da cidade. E como se tira um carrinho de bebé de uma casa lisboeta? À bruta. Apanha-se no carrinho com garra e atitude e poisa-se em cima da viatura que obstaculiza a saída do prédio. Ah, mas assim risca-se o carro, ouço por aí dizer. Pois é, que se foda o carro.
Seguimos: já na rua reparamos que não há passeios livres porque como ficou lá atrás explicado o lugar onde se estacionam os carros é em cima do passeio. Como ainda não tirei o curso de voar na escola de pássaros nem o meu marido gosta de exibir em público a seu superpoder do tele-transporte, não tivemos mais opção que empurrar o carrinho pela estrada, ali da rua de São Bernardo à Alvares Cabral. Um saltinho. Cinco minutos. Claro que não estávamos sozinhos. Taxis, carros, motas e camionetas faziam o favor de nos seguir, qual romaria à nossa senhora dos carrinhos, à trepidante velocidade de 0,010 km por hora. E que linda sinfonia que ouvíamos, senhores! Saiam-me da frente, buuuuu, fora daí seus caralhos,
piiiii, e assim ficou o Rititi Boy a conhecer o dialecto da capital. Ah, mas assim entupiam o trânsito, ouço por aí dizer. Pois é, que se foda o trânsito.
Mais: a Alvares Cabral é uma grande avenida e o Rato, uma zona central, e a Rua da Escola Politécnica uma arteria das que chamam principal, com o Tribunal Constitucional a comandar a via. Pois muito bem, já andei em adeias do terceiro mundo melhor pavimentadas que estas, por não falar já da lógica de pôr candeeiros no meio do passeio que impedem o normal caminhar ou do estado lamentável
da puta da calçada portuguesa. Há partes da calçada, palavra de honra, que parecem remendadas por manetas cegos com ódios concretos aos pais com carrinhos e senhores em cadeiras de rodas. Obras sem sinalizar, cruzamentos tapados por camionetas e polícias que nem se dignam a parar o trânsito quando não se pode passar com o carrinho por culpa de uma betoneira no meio do passeio. Ah, mas o polícia só estava ali para fiscalizar a obras, ouço por aí dizer. Pois é, que se foda o polícia.
Até à Trindade encontrei um total de sete carrinhos de bebés, sendo de cinco eram empurrados por turistas nórdicos e dois por criadas sem medo a morrer atropeladas por um autocarro psicopata. Nativos, zero, o que também não é de estranhar devido ao pouco interesse que os autarcas municipais mostram por ter as ruas cheias de crianças. O centro de Lisboa, nesse sábado, aliás, estava, como sempre, às moscas, sem famílias, sem crianças que devem estar refundidas na expo ou nalgum centro comercial com estacionamento regulado e elevadores com capacidade para dez carrinhos de bebés. Já podem vir com teorias para reabilitar o centro ou gastar dinheiro em merdas de espectáculos de rua, mas bastava com arranjar os passeios, regular o estacionamento, que a gente ia lá, gozar a cidade, como se gozam todas as capitais europeias.
Ah, mas Lisboa é gira porque é caótica, ouço por aí dizer. Pois é, que se foda Lisboa, então.

 

 

publicado por António C. às 22:44
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

O automóvel, esse cidadão português

Em Lagos, bem perto do centro histórico, numa avenida de duas faixas é legal e recomendado estacionar no passeio de modo a ocupá-lo completamente.
Mais um escabroso exemplo de como deixámos de ser uma sociedade de pessoas para sermos uma sociedade de automóveis. Para quando o aggiornamento para o lema Um Carro, Um Voto?

(foto roubada d'O Carmo e a Trindade, repare-se no sinal)

Estacionamento em cima do passeio legalizado
publicado por MC às 14:46
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Onde está o passeio nas Picoas? V

Denunciei o absurdo aqui e aqui. Obtive entretanto respostas da Junta e da Câmara. Entretanto a situação (total ausência de passeio em frente ao Hotel Sheraton) alterou-se. Onde havia isto:

agora tem-se isto

E isto

passou a isto

Enquanto a primeira me parece uma importante melhoria (esperando que passe de provisória a definitiva), a segunda alteração é um pouco incompreensível. Imagino um burocrata no seu escritório a tomar a decisão de impedir os automóveis de estacionarem sobre o passeio... A questão é que o passeio não existe. Curiosamente há uns peões mais destemidos, que saltam os gradeamentos e fazem o percurso como se pode perceber pelo desgaste do "canteiro".
Mas senhores, será que a Avenida Fontes Pereira de Melo não merece um passeio, vá, pelo menos de meio metro de largura? Vá lá, só meio metro. Os restantes 100 podem ir para trânsito e estacionamento.
publicado por MC às 19:15
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