Domingo, 13 de Setembro de 2009
A linha do Tua e o caciquismo

O deputado socialista eleito por Bragança, Mota Andrade, continua a mostrar a saudável noção de realidade pela qual muitos deputados são conhecidos. A sua fidelidade é com as grandes orientações do grão-mestre e secretário geral do seu partido e, porque não, com o grande empresário e gestor António Mexia da EDP. Os interesses das gentes do seu concelho ficam bem entregues, portanto.

 

Gosto especialmente das seguintes deixas; mesmo que ele não o saiba, são todo um programa político:

 

- A ferrovia não pode servir para transportar duas pessoas e transportar um cabaz de laranjas por dia, tem de haver pessoas e mercadorias

- a região necessita é de uma boa rodovia

- não se pode discutir, não se podem investir milhões de euros para transportar uma ou duas pessoas

 

 Com amigos destes, Trás-os-Montes não precisa de inimigos.

 

A ler: a crónica de José Ferraz Alves, numa visita in situ à linha do Tua e a desconstrução das declarações de Mota Andrade por Daniel Conde, do movimento cívico pela Linha do Tua. É sabido que muito do capital paisagístico que Portugal tem será um dos factores chaves no seu desenvolvimento. Temos que deixar o nosso património cultural e natural cantar. A indústria do turismo crescerá cada vez mais. Desprezar o potencial de transporte de mercadorias até Bragança e quiçá Espanha e o potencial turístico da linha do Tua é uma aposta errada. Ainda para mais quando se pretende defender o seu desaparecimento com a criação de uma barragem injustificável.

 



publicado por TMC às 15:31
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
Conhecer o país de comboio

A CP apresenta várias propostas bastante interessantes para quem queira descobrir Portugal de comboio ou desfrutar dalgumas das belas paisagens do nosso país. São iniciativas louváveis num país cuja lógica de desenvolvimento tem estado paulatinamente associada a empreendimentos de betão ou de asfalto ou a combinações bizarras de ambos. Ao se participar e contribuir nos programas desenhados pela CP, permite-se que o cliente percorra duma forma cómoda lugares esquecidos ou pouco percorridos e indubitavelmente belos de Portugal.

 

Considero que a oferta da CP se classifica em dois grupos:

 

­        O cartão intra-rail, direccionado preferencialmente para os jovens (até aos 30 anos) e que garante a viagem e estadia em qualquer zona do país e em qualquer percurso ferroviário, com excepção do Alfa pendular; esta opção é perfeitamente compreensível uma vez que o objectivo não é o chegar, não é a pressa, mas sim o apelo à apreciação da transitoriedade, do estar entre dois pontos. Com o cartão xcape a estadia resume-se à noite de sábado e domingo e está limitada a apenas uma zona, o que é mais do que o adequado para uma escapadela de fim-de-semana; com o cartão xplore, a oferta inclui duas zonas adjacentes e 9 noites com meia pensão. Os preços rondam os 49€ e os 159€, respectivamente, se os clientes possuírem cartão-jovem.

 

­        Os roteiros da natureza, construídos em parceria com a LPN pretendem a exploração de alguns dos nossos parques naturais através de formas sustentáveis de transporte, como o comboio e ao mesmo tempo alertando para a importância de tais ecossistemas como suportes duma envolvente ecológica diversificada e também frágil. Estão previstos vários percursos com o apoio respectivo de folhetos que indicam os percursos recomendados e assinalam o património antropológico e arquitectónico dos parques, sublinhando as principais espécies associadas à paisagem.

 

 

Numa nação cujos governantes têm escolhido desbaratar o dinheiro público e de Bruxelas em cimento e auto-estradas redundantes, numa nação em que a desertificação é acentuada e as linhas ferroviárias tendem a desaparecer, algumas linhas de comboio parecem poder ser revitalizadas apenas com o turismo. Está na hora de apreciarmos o que temos.



publicado por TMC às 17:19
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008
Percursos: Paisagens & Habitats de Portugal
Há um livro que sempre que eu o (re)descobria em livrarias, me surpreendia por ainda não o ter comprado. Depois de o folhear, rapidamente me recordava da razão para tamanha falha e voltava a colocá-lo na estante.
O livro chama-se PERCURSOS: Paisagens & Habitats de Portugal e é feito pelo Instituto de Conservação da Natureza. O mesmo ICN que é responsável pelos parques naturais do país.
Ora no país da carro-dependência, um percurso por uma paisagem ou habitat natural, mesmo do ponto de vista do Instituto que protege esses habitats, não é um percurso a pé ou de bicicleta pelo meio da natureza, como eu ingenuamente julgava. Todos os percursos são percursos de carro pela estrada nacional, havendo apenas alguns deles que incluem pequenos percursos pedestres pelo meio, sendo que nenhum destes "desvios" é acompanhado por uma descrição das direcções a tomar ou pelo menos um mapa como acontece com os percursos rodoviários.
Algo vai mal quando o próprio ICN acha estranho que alguém se lembre de passear a pé por paisagens protegidas.


publicado por MC às 17:38
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