Hermann Knoflacher, professor de Transportes na Universidade de Viena e um dos gurus do movimento anti-automóvel, está de volta com o livro Virus Auto, Vírus Automóvel. Já encomendei o meu e prometo falar dele por aqui. Foi este senhor que meteu um andomóvel às costas e metendo o dedo na ferida questionou o que aconteceria se todos os peões exigissem o direito a andarem por aí com esta estrutura às costas, e a terem locais especiais para as arrumarem:
No comunicado de impressa do lançamento do livro ele explica porque compara o automóvel a um vírus:
A proporção de tamanho de um vírus face a uma célula do corpo é aproximadamente igual às proporções do carro face à sociedade humana. A célula humana e a sociedade humana são sistemas altamente complexos. Comparativamente os vírus e os carros são muito primitivos. Tal como um vírus, que não é viável sem a sua célula hospedeira, o carro não pode existir sozinho. Mas a maior semelhança entre os vírus e os carros está relacionada com as suas consequências: os vírus alteram as células de tal modo, que elas actuam apenas segundo os propósitos do vírus. Uma célula infectada é uma marioneta do vírus. Tal como com o carro. Se uma sociedade é infectada pelo carro, então ela redirecciona toda a sua vida de acordo com o carro; as habitações, os empregos e as infra-estruturas são concebidos de modo a que o maior número possível de automóveis tenha lugar. O carro passa a ser o padrão das coisas, não o homem.
Isso pode ver-se muito bem nos E.U.A.: os habitantes de Los Angeles percorrem 330 milhões de quilómetros de carro - e todos os dias! Isto com todas as consequências para a qualidade de vida local e o ambiente! A velocidade média dos motoristas não passa de resto dos 20km/h...
No seu livro, você também traz exemplos de sucesso no tratamento do vírus automóvel. No centro de Seul foi demolida uma auto-estrada onde circulavam cerca de 220.000 veículos por dia, apesar dos enormes protestos...
Sim, como compensação foram criadas 16 linhas de autocarro, o espaço público foi alterado de modo a servir de habitat para as pessoas, o rio que estava coberto pela estrada foi reposto e circundado com áreas verdes, etc. O resultado foi uma melhor qualidade do ar - e para a surpresa da economia, um aumento nas vendas nas áreas que de repente passaram a poder ser utilizadas por pessoas! (...)
E o que é que o Defensor dos Peões das Nações Unidas pensa do facto da Alemanha gastar 4,5 mil milhões de euros em empréstimos e garantias estatais de modo a manter quatro fábricas da Opel e limitar os despedimentos a "apenas" 3000 trabalhadores?
Estes são os últimos espasmos de um sistema doente.
A reler uma entrevista antiga dele publicada aqui no blog.
Posta a ler no Ecomovilidade: não foi só a Rua Fuencarral, bem no centro de Madrid, que se viu livre de automóveis. A centralíssima Plaza de Callao foi totalmente pedonalizada:

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