Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012
Uma lição de coragem contra os automóveis para os autarcas portugueses, vinda de Milão

Milão é a única cidade do Sul da Europa com um sistema de portagens urbanas, isto é, obriga o carro a pagar a entrada na cidade, de modo a reduzir o seu número. Quando a medida foi lançada em 2008, eu teci algumas críticas porque distinguia os carros "verdes" (na realidade 60% do total), dos poluentes. Só os segundos pagavam portagem. Focar-se exclusivamente no aspecto ambiental, era esquecer todos os outros problemas que o automóvel cria na cidade.

Mas tal como fez Estocolmo, Milão quis ter um período experimental e depois perguntar à população o que achava. E tal como acontece em tantos casos de restrição ao automóvel, há uma enorme oposição antes, mas um enorme apoio depois da implementação. No Verão passado foi feito um referendo que perguntava a opinião sobre o alargamento a todos os automóveis das portagens, o incentivo ao meio de transporte público e a pedonalização do centro. Mais concretamente, propunha-se

a) duplicar a área pedonal

b) duplicar as zonas 30, e acalmia de tráfego

c) 300km de ciclovia

d) favorecimento ao transporte público, para aumentar a sua velocidade

e) serviço de autocarros de bairro

f) aumentar o bike sharing para 10000 bicicletas, e car sharing para 1000

g) alargar o horário do metro

...

k) alargamento da portagem a todos os carros (excepto residentes)

Os milaneses foram bem claros na resposta: 79%, ou seja 4 em cada 5, apoiaram as medidas de combate ao automóvel

A portagem de 5€ para todos, durante o dia, arrancou há um mês, e o Treehugger tem um artigo sobre isso. A entrada de automóveis reduziu-se em 37%, os poluentes entre 14% e 37%. Mas o resultado mais impressionante, e que o Treehugger não refere, vem de um relatório camarário: entre as 8h e as 9h da manhã, a velocidade média dos autocarros aumentou 7%, e na hora seguinte 17%, de uma semana para a outra! Como sublinho sempre, não podemos exigir bons transportes públicos, enquanto não lhes tirarmos os carros da frente.

 

Milão não é Roma ou Nápoles, mas não deixa de ser Itália, não é na Noruega ou na Holanda. Não deixa de ser uma cidade onde o automóvel tem status, e onde o automobilista é rei. Os nossos autarcas deveriam aprender com este exemplo, em vez de assumirem sempre que a população não apoia este tipo de medidas e que só querem mais e mais estacionamento.

 

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Para o fim, mais uma lição vinda de Itália. Até uma cidade no sopé de uma montanha como Génova, pode ser amiga das bicicletas:



publicado por MC às 18:14
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Terça-feira, 8 de Abril de 2008
Pirata da estrada
Pirata della strada: é esta a expressão comummente usada em Itália, inclusive na imprensa, em debates, etc... para designar as bestas que conduzem que nem loucos sem respeito pelos outros e que tanta gente matam todos os dias. De facto, o que não falta são semelhanças com os outros piratas - os do mar, nem que seja um desprezo total e repugnante pelos outros.


publicado por MC às 11:22
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Terça-feira, 1 de Abril de 2008
Florzinhas de estufa comodistas
Na linha da argumentação comodista do "qualquer cidade do mundo é excelente para nos deslocarmos de bicicleta, desde que não seja a minha", há outro argumento curioso, o do calor. Aparentemente as nossas cidades estão embebidas num clima de 40º graus à sombra durante todos os dias do ano.



A foto é de Pádua, norte de Itália, cidade onde a bicicleta é rainha e onde em Junho a temperatura máxima média é de 26º (25º em Lisboa), em Julho 28º (27º), em Agosto 28º (27º) e em Setembro 25º (26º). Mas o mesmo poderia dizer da vizinha Bolonha com 27º, 30º, 29º e 25º, e de tantas outras cidades.


publicado por MC às 21:04
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