Quinta-feira, 27 de Julho de 2017

Não, um carro estacionado não ocupa apenas 6m²

Muitas vezes esquecemo-nos quanto do precioso espaço da cidade é preciso dedicar por cada automóvel. Há quem falem em 6m² ou 8m² para estacionar um, porque esse é a área que ele ocupa fisicamente.
Mas se eu tiver 600m² não vou lá conseguir pôr 100 automóveis, uns contra os outros... só se for numa sucata. É necessário espaço entre eles, e espaço para os acessos e as manobras.
Na foto, numa área de 6540m² (109x60), haverá 308 (22x14) automóveis SE o parque estiver totalmente ocupado. Isso dá 21m² por automóvel na melhor das hipóteses, e uns 30m² ou mais se pensarmos na ocupação média de um parque.
Quem pede mais estacionamento "grátis" às câmaras, está a pedir uma área que corresponde a meio apartamento, para o seu automóvel, pago pelos outros.

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publicado por MC às 15:26
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Terça-feira, 27 de Junho de 2017

Comércio local cresce

 

Já não passa despercebido a ninguém que o comércio local cresce em detrimento dos shoppings. Depois de nos 80 e 90 os portugueses se terem apaixonado pelos shoppings nos subúrbios feitos só para o automóvel, na última década voltaram a preferir o comércio à escala humana onde se anda a pé.
Um sinal disto é como as grandes cadeias de supermercados deixaram de lutar pelos descampados ao lado das auto-estradas, e tentam ocupar o mais rapidamente possível as zonas urbanas ainda sem grande concorrência.
Isto mostra que o fácil acesso automóvel não é determinante para a localização do comércio, mas sim a proximidade e a escala humana dos antigos bairros.

 

 

Comércio de rua está a crescer nos bairros residenciais de Lisboa
publicado por MC às 16:14
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Quinta-feira, 22 de Junho de 2017

Santos Populares vs Carros

Nos santos populares, um comerciante lamentava-se que tinha pago 380€ para poder ocupar 6m de rua durante 6 dias. Na zona em causa, os automóveis nem pagam estacionamento, mas se pagassem um residente pagaria 0,20€ e o não-residente 24€ por 5m durante os mesmos dias*.
Quando os automobilistas se queixam de terem de pagar para ocupar espaço público, esquecem-se que o automóvel tem um subsídio gigante face às outras ocupações.
E isto mostra-nos também que entre uma esplanada aberta a todos, num grande evento social das festas da cidade, e a ocupação da rua por uma caixa metálica vazia de uma só pessoa, a Câmara Municipal de Lisboa tem uma enorme preferência pela segunda.

*metade dos dias eram dias de semana.

 

publicado por MC às 10:54
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Documentário de 1973 da RTP: Aumento do Parque Automóvel

Este documentário de 1973 da RTP já identifica bem os problemas da sociedade do automóvel: ruído, poluição, destruição do espaço urbano e da coesão social.
Incrível como já era problemas tão prementes há 44 anos mas fizemos tão pouco desde então. Fechámos alguns parques de estacionamento para criar outros ao lado, enchemos as cidades de túneis, viadutos e auto-estradas, desmantelámos transportes públicos.

 

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/aumento-do-parque-automovel/

publicado por MC às 10:52
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Acabou a maior vergonha no desenho do espaço público lisboeta

Escrevi sobre várias vezes sobre o caso vergonhoso da Av. Fontes Pereira de Melo. Numa das principais e mais centrais avenidas lisboetas, era impossível descer a avenida a pé de um lados porque não havia passeio. E não foi uma situação temporária que se prolongou, foi uma decisão consciente feita há décadas atrás.

0001_M.jpg

Foto de 1967 do Arquivo Municipal, nos últimos anos em que foi possível caminhar pelo passeio

O edifício do Imaviz e o arranjo urbano foram inaugurados no início dos anos 70, e durante mais de 40 anos os peões que caminhavam a avenida pelo lado do Imaviz tinham de caminhar pelo alcatrão (o que fazia a grande maioria), ou por um passadiço do próprio edifício que acabava numas escadas inclinadas. Tudo isto acabou graças à remodelação do eixo central. Abaixo imagens do antes e do depois:

Picoas B.jpeg

Peões na estrada antes, no passeio depois

picoas A.jpg

O passeio acabava sem alternativa, hoje há uma pequena zona verde onde era o mini-passeio

Picoas C.jpeg

O passeio junto à avenida era interrompido bruscamente e os peões tinham de atravessar duas ruas secundárias pela direita para poder continuar; hoje o passeio é contínuo

 

Muito obrigado António Costa e Fernando Medina pelo fim deste pesadelo.

publicado por MC às 23:36
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