O estacionamento gratuito na Alameda da Cidade Universitária acabou. A EMEL vai passar a geri-lo. Para lidar com tamnha perda, a empresa vai promover uma campanha de sensibilização dos condutores. Num comunicado, a UL anuncia:
Já neste texto abordei esta problemática: os campus universitários, face à enorme afluência dos seus funcionários, docentes e alunos geram quantidades significativas de tráfego automóvel, pelo que este deve ser evitado; a política de gestão do estacionamento destes campi deve fazer com que o acesso ao campus seja feito através de transportes públicos ou de bicicleta, já que estes se concentram no miolo da cidade, estando por isso servidos de bons acessos.
Na altura, e com o auxílio de mais interessados, criámos também um blogue com as críticas ao estacionamento no campus do IST e uma sugestão (da autoria de Tiago Veras) daquilo em que se poderia tornar uma morada mais agradável e mais humanizada caso não fosse concedido acesso quase gratuito aos automóveis; no minímo, defendia-se, igualar as tarifas dentro do campus com aquelas do exterior, evitando que o IST fosse um autêntico paraíso do estacionamento mesmo no centro da cidade.
Coincidência ou não, também ontem a UL, noutro comunicado, anunciou que tinha logrado angariar votos suficientes para o seu projecto 172 do Orçamento Participativo da CML; o objectivo é a requalificação da própria Alameda da Cidade Universitária. Parece-me óbvio que este objectivo de requalificação está relacionado com o fim do estacionamento gratuito.
Este blogue fez sugestões neste sentido há quase dois anos. Dois dos autores da proposta de requalificaçaõ do IST nem tinham acabado a sua licenciatura. E outros especialistas já terão feito propostas neste sentido há mais tempo. Qual é a surpresa?
O NY Times tem um artigo dedicado à onda de políticas limitadoras de tráfego na Europa e a sua comparação com a realidade homóloga nos Estados Unidos da América. Os sublinhados são meus:
Europe Stifles Drivers in Favor of Alternatives
“In the United States, there has been much more of a tendency to adapt cities to accommodate driving,” said Peder Jensen, head of the Energy and Transport Group at the European Environment Agency. “Here there has been more movement to make cities more livable for people, to get cities relatively free of cars.”
Europe’s cities generally have stronger incentives to act. Built for the most part before the advent of cars, their narrow roads are poor at handling heavy traffic. Public transportation is generally better in Europe than in the United States, and gas often costs over $8 a gallon, contributing to driving costs that are two to three times greater per mile than in the United States, Dr. Schipper said.
Michael Kodransky, global research manager at the Institute for Transportation and Development Policy in New York, which works with cities to reduce transport emissions, said that Europe was previously “on the same trajectory as the United States, with more people wanting to own more cars.” But in the past decade, there had been “a conscious shift in thinking, and firm policy,” he said. And it is having an effect.
Today 91 percent of the delegates to the Swiss Parliament take the tram to work.
European cities also realized they could not meet increasingly strict World Health Organization guidelines for fine-particulate air pollution if cars continued to reign.
“Parking is everywhere in the United States, but it’s disappearing from the urban space in Europe,” said Mr. Kodransky, whose recent report “Europe’s Parking U-Turn” surveys the shift. While Mayor Michael R. Bloomberg has generated controversy in New York by “pedestrianizing” a few areas like Times Square, many European cities have already closed vast areas to car traffic. Store owners in Zurich had worried that the closings would mean a drop in business, but that fear has proved unfounded, Mr. Fellmann said, because pedestrian traffic increased 30 to 40 percent where cars were banned.
Portugal está na Europa; a infra-estrutura das suas cidades foi construída antes do aparecimento do carro. Poderemos dizer por isso que em termos de tais políticas, Portugal segue a Europa e não os E.U.A. no destaque concedido ao carro nas suas cidades? Terão elas aceitação entre a população?
Um resumo bem mais simpático e apresentável do que fiz nas postas anteriores pode ser encontrado na Resolução do Conselho de Ministros nº 169/2005, vulgo Estratégia Nacional para a Energia. É também um recordar de todo o propósito deste blogue. Tem cinco anos mas já diz o seguinte:
Neste quadro, Portugal assumiu o compromisso de produzir, em 2010, 39% da sua electricidade final com origem em fontes renováveis de energia. Tendo tal valor sido já atingido pontualmente no passado, em anos húmidos, alcançá-lo no futuro tem-se revelado poder ser problemático, dado que a taxa de crescimento anual dos consumos de electricidade (5% a 6%, por ano, em média) tem superado a capacidade de incremento da produção baseada em fontes renováveis de energia, tanto mais que a variabilidade da hidraulicidade afecta seriamente esses resultados. O consumo da energia em Portugal tem mantido um crescimento elevado ao longo dos anos, em correspondência com o progresso económico e social verificado nas últimas décadas, mas também em resultado de uma elevada ineficiência energética induzida pelo crescimento dominante de consumos nos sectores doméstico, dos serviços e dos transportes, em contracorrente com a tendência verificada na generalidade dos Estados membros.
As mais altas taxas de crescimento dos consumos têm-se verificado, sobretudo, nos edifícios e nos transportes. Isto, por razões que se ligam directamente com o tipo de comportamento dos cidadãos, menos sujeitos à disciplina do mercado do que as empresas, bem como à ausência de políticas coerentes e consensuais sobre o ordenamento do território e a energia, em particular no que toca a medidas de controlo dos custos, de eficiência energética e de sustentação ambiental.Do mesmo modo, os transportes, cuja prevalência do privado face ao público tem sido condicionada pelas opções de ordenamento do território, constituem um enorme desafio à eficiência no planeamento e na gestão dos sistemas urbanos. Um melhor ordenamento de território bem como edifícios e transportes energeticamente eficientes deverão ser objectivos nacionais, que não podem deixar de ser também traduzidos a nível autárquico. Em suma, é necessário alterar hábitos e padrões de consumo, através de políticas que incentivem os cidadãos às melhores opções energéticas e ambientais, por via de instrumentos económicos adequados e do reforço do acesso à informação e à educação naqueles domínios.
Viva o Papa Bento XVI! Se não sou católico ou cristão, porque festejo? Porque quando no dia 11, pela manhã, o Papa iniciar a viagem entre o aeroporto de Lisboa e a Nunciatura Apostólica, na Rua Luís Bivar, cerca de uma centena de ruas da capital (aquelas por onde irá passar o papamóvel e todas as laterais) não terão um único carro estacionado. Um exercício para todos aqueles que acham impossível haver uma cidade com menos carros.
Outros parabéns, mas desta vez para o vereador da mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa e para a EMEL. Estacionar no centro da cidade vai passar a custar o dobro e com duas horas como limite máximo de estacionamento. Uma óptima medida para alterar alguns hábitos nocivos. Claro que os comentários dos que confundem viajar com andar de carro não se fizeram esperar:
ISTO É UMA VERGONHA. NÃO HÁ ALTERNATIVAS DECENTES E MAIS UMA VEZ É IR DIRECTAMENTE AO BOLSO DAS PESSOAS. MAIS UM EXEMPLO DO QUE AO QUE CHEGOU ESTE PAÍS.
Ler também uma breve crónica de Francisco José Viegas sobre as alterações paisagísticas no Douro causadas pelo frenesim de alcatrão
Hoje ficámos a saber que o estacionamento automóvel em Lisboa, nas zonas controladas pela EMEL (o que é bastante diferente dizer que é em toda a cidade), estará sujeito a tarifas mais caras consoante a área escolhida. Nalgumas áreas, presumivelmente no centro da cidade, o estacionamento aumentará em 40% e o tempo de residência do automóvel diminuirá para metade. Uma medida a aplaudir, portanto e que aliviará a pressão automóvel sobre os lisboetas e o espaço público.
Para quando uma reacção do Sr. Carlos Barbosa do ACP? Aceitam-se apostas.
Queria no entanto partilhar convosco algumas pérolas da caixa de comentários do jornal Público; tal espaço não é nada mais nada menos do que a antecâmara da sociedade portuguesa. Dividi as opiniões entre aquelas que apoiam a medida, as que estão contra e as que apesar de serem contra centram a sua crítica na EMEL e não no aumento das tarifas.
A FAVOR
Acho muito bem!
Epa a malta dos suburbios ta chateada! Pois eu como residente acho muito bem! Deviam aumentar era ainda mais, para ver se os Lisboetas ficam com mais qualidade de vida e os residentes dos suburbios comecam a ir de transportes publicos para Lisboa. Eu como lisboeta nao gosto de ver a minha cidade inundada dos carros dos amadorenses, sintrenses, almadenses etc etc. A CML existe para defender os interesses dos residentes de Lisboa, nao dos residentes dos suburbios. Os lisboetas querem mais qualidade de vida e menos carros. Em Amesterdao sao 4 Euros/hora para estacionar no centro.
Andem de mota
Para mim é me completamente indiferente, vou de mota todos os dias para o centro da cidade e estaciono á porta do emprego. Quando vou á baixa, estaciono nos sitios indicados para motos, sem pagar qualquer cêntimo. Se mais gente adopta-se este comportamento, como é usual no resto da Europa, ficariam mais lugares vagos para quem realmente necessita.
Medida interessante
Esta é uma boa medida já que permite, em princípio reduzir o movimento automóvel na capital. Porém acho que se deviam restringir o número de automóveis por habitante, porque há pessoas com 6 automóveis. Quero só salientar que no tempo de joão soares foram abatidas árvores centenárias para abrir espaço para os parques de estacionamento - salvé ps da direita!!!
CONTRA
bloqueiem os parquíemtros! danifiquem-nos! impeçam esta gente de encher os bolsos à custa de quem não tem alternativa para deixar os carros. eu trabalho no centro de lisboa, sou obrigado a levar carro pelas muitas deslocações que tenho de fazer durante o dia, e o preço que pago por um dia de estacionamento chega-me aos 8 euros/dia.
É Gamar à vontade !
Esses Camaradas gamam à vontade sem se preocuparem com as pessoas que precisam de andar de automóvel em Lisboa... pois necessitam desse meio de transporte para ganhar a vida, já tão atribulada ! Deste modo a Emel quer ajudar os Ricos e bem nascidos a terem sempre lugar onde quizerem, pois uns cêntimos a mais ou a menos nas algibeiras do Capitalistas não os afetam em nada ! Isto é uma pouca vergonha à moda do Sócrates e do Costa da Câmara de Lisgoa ! E lembrar-me eu do antigo Ditado: "Ao menos, os nossos maiores deixaram-nos as ruas livres" para as usufruirmos ! Isso foi "Chão que já deu Uvas" ! Com o Pinóquio e os seus Apaniguados acabaram-se as Ruas Livres !
Mais dinheiro para os proxenetas do costume
Numa cidade extremamente mal planeada e sobrelotada (muito bonita para turistas, infernal para pessoas activas), deviam adequar os parquimetros...às zonas de trabalho e habitação. Eu adorava trabalhar fora de Lisboa! E ir a pé ou de transportes para o emprego.As medidas deveriam ser pró-emprego e pró-industria e não pró-turistas!! Quem mora ou trabalha: selo de estacionamento. E preços decentes! Os outros: PQOP. E em vez de popularem zonas sem condições (como o Chiado), experimentem tirar de la os serviços e o comércio. São proto-aldeias que não foram construídos para os tempos modernos, e devem ser simplesmente utilizados para dormitórios. A mania das cidades portuguesas de "acotovelarem" tudo no centro, causa este caos.
CRÍTICOS DA EMEL
Estamos a saque
Não aos parquímetros, partam, destruam, sim ao policiamento. a emel está a explorar aquilo que foi dado ao cidadão, o espaço público, isto é um roubo e um atentado aos direitos dos cidadãos. o comércio de lisboa ainda vai sofrer mais com isto. as pessoas e as empresas deixarão de ir a lisboa e de se instalarem em lisboa... em troca dos chorudos euros que retiram ao bolso do cidadão que precisa de se deslocar e trabalhar em lisboa... Este país está a saque das empresas ladronas autorizadas pela CMLisboa também cúmplice nos roubos ao cidadão e em especial ao Lisboeta.
ladrões ladrõesa socidedade de ladrões que compôem a Emel rouba com a conivência da camâra de Lisboa, mas que abuso de espaço público !!!!! já não basta os impostos que pagamos ainda temos que subsidiar uma empresa pseudo-privada!?!?! mas este aumento deve-se porque ??? porque os gestores querem comprar carros novos ??? ladrões !!!!!!!
No passado dia 12 de Novembro foi dada uma apresentação num ponto de encontro da Lisboa E-nova por um administrador da EMEL e especialista em mobilidade, Engº Tiago Farias.
Os podcasts deste ponto de encontro estão disponíveis on-line, assim como as apresentações usadas.
A imagem seguinte é apenas uma das usadas para tentar responder à pergunta: Em que cidades queremos viver?
O local destas duas fotos é o mesmo com alguns anos de diferença. (Av. João XXI)
Pessoalmente, no caso destas 2 fotos sei que o espaço recuperado neste caso serviu para construir mais uma faixa, com a intenção de "fluir melhor o tráfego". Mesmo sabendo que o uso de mais faixas irá piorar os congestionamentos ao longo do tempo creio que, nem que seja pelo impacto visual e pela redução de estacionamento à superfície, esta alteração foi positiva.
É importante referir também que este post não dispensa a visualização da apresentação e audição do podcast da mesma e também o diálogo subsequente.
1. Em Lisboa, crianças de uma escolha primária andaram a distribuir multas (fictícias infelizmente) a automóveis mal estacionados, acompanhadas por fiscais da EMEL. Uma excelente ideia! Tal como no ambiente, educar as crianças é um bom modo de chegar aos país. E serve como contra-lavagem cerebral para os adultos de amanhã.
2. Também na capital, a candidatura do António Costa realizou uma corrida modal. Como seria de esperar quem ganhou fio uma bicicleta, que nem estava inicialmente convidada. Em seguida chegou quem veio de metro, que veio de táxi e por último um Porsche.
Pelo que li o Porsche nem teve que estacionar, o que é uma deturpação na corrida a seu favor. a bicicleta tem sempre lugar à porta!
3. Os jornais têm se enchido de notícias sobre mobilidade urbana em bicicleta, o que só prova que ela deixou de ser marginal. O DN por exemplo fala nos "executivos" que se deslocam de bicicleta, nos autocarros da Carris preparados para transportar bicicletas, no dinheiro que se poupa por utilizar a bicicleta, etc.
Eu fico um pouco espantado com estas contas que parecem sempre encomendadas pela indústria automóvel. Contabilizar o combustível e a mecânica é quase um cagagésimo dos custos monetários totais. Falta o custo do carro em si (que não se compra uma vez na vida), a depreciação do carro, os seguros, os impostos, os estacionamentos, as manutenções, as lavagens, os custos dos eventuais acidentes, etc. Quando os trabalhadores se movimentam no seu carro particular em trabalho são compensados com algo como 30€ por 100km, claramente muito mais que o simples combustível.
Também em Lisboa (desculpem...) e pela mão do Passeio Livre, vem aí um debate com as diferentes candidaturas à CML sobre o lugar do peão na cidade, no dia 30.
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