Sábado, 9 de Janeiro de 2010

Tram-trains

O tram-train é um comboio que é eléctrico (trem que é bonde em brasileiro) e um eléctrico que é comboio. É um veículo que está preparado para funcionar tanto a velocidades altas e poucas paragens como a velocidades baixas e muitas paragens. Muito mais importante ainda é  circularem nos dois sistemas diferentes, dentro e fora da cidade, que usam sistemas de alimentação eléctricos diferentes (voltagem, etc.). Pensem nos cabos que há nas linhas da CP e nos cabos dos eléctricos/trolleys citadinos e só daí perceberam a diferença.

O tram-train nasceu nos anos 80 em Karlsruhe, quando a cidade se apercebeu dum problema que estava a afastar muita gente dos transportes públicos: quem morava fora da cidade podia chegar facilmente à cidade de comboio, mas o comboio não os deixava onde queriam. Para a maioria era necessário mudar para o eléctrico (o que implica desconforto, mais uma espera, mais um horário a saber, mais incerteza no tempo de viagem, etc.) para chegarem ao destino final. A solução passaria por ter um comboio que vinha de longe e entraria pela cidade dentro (aqui fica a minha dedicatória a quem acha irrelevante o facto de as principais estações de Lisboa, Porto e Coimbra estarem longe do centro, porque "têm boas ligações"). Com um pouco de imaginação de engenheiro, o sistema híbrido foi criado e inaugurado em 1991. A solução foi um sucesso, tendo sido alargado a outras linhas de Karlsruhe e a várias cidades por todo o mundo.

 

Esta semana há notícias da chegada de um tram-train ao Porto, na linha da Póvoa. Não é exactamente um tram-train no verdadeiro sentido da palavra, mas um eléctrico que está preparado a atingir grandes velocidades (100km/h) quando circula nas linhas sub-urbanas. Tem ainda a capacidade de devolver à rede eléctrica a energia cinética (energia do movimento) quando trava, poupando assim até 30% do consumo.

 


A ler o artigo Do Cars Cause 100.000 US Deaths a Year no blog do Carbusters, onde se mostra que os homicidios ligados à sinistralidade automóvel são apenas uma parte do grave problema de saúde pública que é a ditadura automóvel.

publicado por MC às 16:30
link do post | comentar | ver comentários (13) | favorito
Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

O ataque ao automóvel em Lisboa

Lamento uma vez mais abordar apenas o que se passa na cidade de Lisboa. Falo do Orçamento Participativo, um programa autárquico que dá aos munícipes a oportunidade de proporem e sugerirem mudanças. Não há razão para que outras cidades não o possam fazer mas talvez em Lisboa seja o caso de que sejam os próprios cidadãos a auxiliar a autarquia. É previsível até que sejam cidades de menor dimensão a alcançar e a ter níveis de qualidade de vida superiores aos de Lisboa.

 

Dada a sua complexidade, a cidade de Lisboa vê-se confrontada com a dificuldade extrema de um plano geral e suficientemente abrangente para a resolução de todos os seus problemas; em vez desse objectivo totalizante, o que Orçamento Participativo pretende é chegar ao mesmo objectivo através das sucessivas resoluções de diversos problemas; mesmo as propostas que não forem tidas em conta decerto dirão algo aos técnicos da autarquia acerca da representatividade e natureza dos problemas reais com que os munícipes se vêm confrontados.

 

As propostas reflectem assim toda a vivência dos cidadãos com a cidade concreta do seu quotidiano; não há uma visão geral, não há cidade: existem apenas bocados e fracções urbanas bem localizadas a precisarem de intervenção.

 

O que se observa, para além de muitas propostas se relacionarem com a arborização e aspectos estéticos de zonas negligenciadas, é um ataque espontâneo, não coordenado, ao predomínio do automóvel no espaço público e como paradigma da mobilidade. Quando contei hoje as propostas registadas, cerca de 1/4 relacionavam-se com a introdução de mais espaço para os peões, de passadeiras, saneamento do estacionamento abusivo, mais ciclovias, mais transportes públicos, medidas de acalmia de tráfego, etc. Significa isto que há a impressão geral da omnipresença do automóvel, em todos as zonas da cidade. Isto não é novidade nenhuma mas espera-se que haja uma firme leitura política destes sinais.

 

De seguida apresenta-se algumas das propostas mais originais. A votação dura até dia 29 e depois de uma análise dos técnicos camarários, haverá nova votação em Dezembro.

 

 

Estudo pormenorizado de requalificação da 2ª Circular em avenida urbana
 
Com o fecho da CRIL, do Eixo NS o trânsito de atravessamento na AML está agora canalizado. Há que diminuir a capacidade nas vias urbanas em particular na 2ª circular, verdadeira barreira entre a parte alta e baixa da cidade. Sugiro requalificar em monumental avenida urbana com perfil 2X2 vias, passeios, ciclovia, demolir os viadutos criando cruzamentos. Essa avenida serviria de alavanca a uma urbanização de qualidade e ligava o pulmão verde do aeroporto. No próximo orçamento reservem uma verba para estudar esta oportunidade
2009-11-15
Número de proposta: 10
 
Construção de ciclovia ao longo do eixo Av. Guerra Junqueiro - Av. Roma - Alvalade
 
Propõe-se a construção de uma ciclovia ao longo de todo o eixo Av. Guerra Junqueiro - Av. de Roma - Alvalade. Esta ciclovia iria estabelecer a ligação com a ciclovia já em construção ao longo da Av. do Brasil e, na outra extremidade, ligaria à Alameda, ou a outra ciclovia eventualmente em construção na zona da Av. Almirante Reis. Poder-se-ia assim começar a criar uma rede que permitisse às pessoas que trabalham nesta zona e moram dentro do perímetro abrangido, fazer de bicicleta os percursos casa-emprego-casa, evitando assim o uso do automóvel.
2009-11-23
Número de proposta: 100
 
Mobilização total para o programa "zero carros nos passeios"
 
Este programa visa à mobilização geral dos serviços camarários para acabar de vez com os carros nos passeios, a melhor vergonha lisboeta que não existe em nenhuma outra parte do mundo civilizado. Sugiro uma verba no orçamento para: -recenseamento exaustivo dos casos de estacionamento nos passeios, com a ajuda dos cidadãos. -definir um modelo de pilaretes único para toda a cidade que seria também um ex-libris do mobiliário urbano especifico a Lisboa. -enfim, colocar os pilaretes nas ruas recenseadas faseando por eixo, bairro, sector etc, e publicitando as obras
2009-11-16
Número de proposta: 11

 

Alargamento dos passeios da Rua da Escola Politécnica
 
Esta rua regista um fluxo pedonal muito intenso. Mas este facto não tem correspondência na dimensão diminuta dos passeios. São pequenos e em vários lugares há estreitamentos devido a candeeeiros e sinalização. Nem sequer há espaço para instalar paragens de autocarros! No entanto, a rua tem 4 faixas de rodagem, 2 delas para estacionamento. Os peões estão a ser prejudicados. É necessário aumentar o canal pedonal para o dobro. Com passeios largos toda a comunidade ganha - incluíndo o comércio tradicional pois será mais confortável e seguro andar a pé.
2009-11-21
Número de proposta: 68
 
Elevação de passadeiras nas zonas residenciais da cidade
 
 
Elevação de passadeiras nas zonas residenciais ao nível dos passeios, passando estas a ter as mesmas características dos passeios adjacentes. Esta alteração permitirá um melhor usufruto do espaço público pelos habitantes da cidade, facilitando também bastante a mobilidade de pessoas com menor mobilidade: pessoas em cadeiras de rodas, idosos, carrinhos de bebé, etc.
2009-11-22
Número de proposta: 83
 
Basta de estacionamento nos passeios!!!
 
 
Não ao estacionamento nos passeios! Já chega de incompetência das autoridades que durante anos a fio têm fechado os olhos à maior vergonha da cidade de Lisboa que é o estacionamento ilegal e abusivo de veículos que barra a passagem dos peões que têm o DIREITO de circular à vontade nos passeios. Basta ir à zona de Benfica, como à Av. Gomes Pereira ou R. da Venezuela, para ver o que se passa à vista de todos. Porquer não a colocação de pilaretes nestas zonas problemáticas?
2009-11-24
Número de proposta: 116
 
Viva o transporte público - vamos deixar o automóvel em casa
 
A rede de transportes públicos de Lisboa precisa de ser repensada - talvez se alguns dos responsáveis fossem obrigados a deslocar-se em transportes públicos e não de automóvel com motorista compreenderiam o que se pretende - dar uma alternativa real ao uso do automóvel privado - como chegar ao Restelo a partir do Areeiro? etc. etc. etc. As rádios e televisões em vez de darem notícias sobre a situação do trânsito automóvel poderiam divulgar as alternativas em transporte público, por exemplo.
2009-11-25
Número de proposta: 129
 
Aposta no eléctrico como principal transporte da cidade
Serve a presente proposta para promover a re-introdução do eléctrico como principal meio de transporte da cidade, sendo actualmente um símbolo de Lisboa e que está cada vez mais a desaparecer. Tomando como exemplo a carreira 24E do Largo do Carmo a Campolide, com grande parte das vias férreas e aéreas renovadas, que se mantém suspensa desde as obras do parque de estacionamento de Campolide. Chegou a altura da cidade abraçar o regresso do 24 e porque não do 17?
2009-11-26
Número de proposta: 170

 

publicado por TMC às 17:25
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Mais Metro?

Em Setembro último, talvez por ser um mês entalado pelo calor febril de Agosto e a cedência à demagogia do período eleitoral, surgiram algumas notícias acerca dos transportes na cidade de Lisboa e nos seus concelhos límitrofes. Até houve uma corrida entre uma bicicleta, o metropolitano e um bólide, com o vencedor natural (a bicicleta).

 

A então secretária de estado dos transportes quer ligar o metro até ao hospital Amadora-Sintra em 2015 porque então muito do tráfego que se faz através do IC19 deixará de se fazer; já o cacique-mor do PS, Marcos Perestrelo, também disse que era uma boa ideia o metro ligar-se ao concelho de Oeiras porque muitos dos habitantes de Oeiras que hoje têm que se deslocar para Lisboa em viatura, poderão deslocar-se de metro, com menos carros a poluir, menos carros a ocupar espaço.

 

Esta imagem, um pouco panfletária, acabou por aparecer:

 

clique na opção Ver Imagem do Firefox para ver maior

 

Claro que num país mais próspero, sem uma autarquia da capital à rasca para sanar as suas contas e a empresa pública do metropolitano com um passivo de 3300 milhões de euros e cerca de 240 milhões de euros de custos anuais, eu até entendia que extendessem o metro à Azambuja, a Loures e a Sintra.

 

Acho este plano um exagero megalómano. E pelas afirmações recolhidas parece que não há outra alternativa para reduzir o trágego automóvel. Repare-se que não questiono a pertinência das novas extensões do metro, apenas digo que parece tratar-se de outro caso de considerar-se a solução óptima e não uma solução muito mais razoável e económica.

 

NA sua construção, o custo por quilómetro do metropolitano é exorbitantemente alto porque ele é, como todos sabemos, subterrâneo. Estes custos são supostamente compensados pelo seu uso e, globalmente, pela conservação do tráfego à superfície, já que o espaço existente não é afectado. O que questiono é precisamente a insistência, nestas novas extensões, do metro continuar a ser subterrâneo e não de superfície; um metro com estas características, além de ser bastante menos oneroso, exige aquilo que os automóveis não gostam de ceder: o espaço que lhes foi dado e não conquistado.

 

Defendo por isso o metro de superfície ou a implementação de mais eléctricos porque combinam um transporte público de qualidade, eficiência e menores custos com a reivindicação do espaço que neste momento é só dos automóveis. Não vejo desvantagens nesta proposta e considero-a ser exequível. Foi pois com agrado que li a posta do Fernando Jorge no Observatório da BaixaLisboa nunca mais investiu neste tipo de transporte público desde a inauguração do eléctrico de nova geração entre a Praça da Figueira e Algés em 1995.

 


Quão frágeis são as estruturas das nossas cidades? Em termos de transportes, parece que bastaram algumas chuvadas para paralisar o Porto. Corte-se a VCI e a cidade bloqueia; ou melhor, confirmou-se que a cidade depende em primeiro lugar dos automóveis, só depois das pessoas. Como faria o leitor se amanhã não pudesse usar nenhum carro?

publicado por TMC às 19:55
link do post | comentar | ver comentários (37) | favorito
Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Proposta dos Cidadãos por Lisboa

O grupo com representação autárquica Cidadãos por Lisboa apresenta hoje uma proposta, já com cinco meses e hoje a ser discutida e votada, sobre a mobilidade em Lisboa. Mais concretamente, a medida quanto a mim mais salutar e recomendável, é a proposta da reintegração do eléctrico 24, desde o Cais do Sodré às Amoreiras, com passagem pelo Largo Rafel Bordalo Pinheiro que deverá ser reordenado de modo a poder eximir-se ao ataque do estacionamento abusivo.

 

 

 

A proposta pode ser conhecida mais a fundo aqui. Aguardam-se os resultados e as respectivas boas notícias para a cidade de Lisboa.

publicado por TMC às 11:27
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007

Campanha pela reintrodução do eléctrico 24 em Lisboa

Agora que houve a reintrodução de uma linha de eléctricos no Porto, agora que as preocupações pelo ambiente estão na ordem do dia, agora que que começa a haver o consenso sobre a importância dos transportes públicos nas cidades, por tudo isto e por este transporte tão lisboeta vale a pena apoiar o movimento de reintrodução do E24 (que fazia o percurso Cais Sodré - Campolide e cujas infra-estruturas ainda existem) em Lisboa. Assine a petição lançada pelo CidadaniaLx .
publicado por MC às 11:34
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

Eléctricos regressam ao Porto

Setembro, graças à Semana Europeia da Mobilidade, costuma ser um mês rico em boas notícias para a mobilidade sustentável. Cá vai mais uma: a STCP vai reactivar algumas carreiras de eléctricos no Porto!
publicado por MC às 15:04
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

subscrever feeds

Google (lousy) Translation

autores

pesquisar

posts recentes

Tram-trains

O ataque ao automóvel em ...

Mais Metro?

Proposta dos Cidadãos por...

Campanha pela reintroduçã...

Eléctricos regressam ao P...

tags

lisboa(224)

ditadura do automóvel(216)

ambiente(208)

bicicleta(157)

cidades(114)

portugal(113)

peões(103)

sinistralidade(74)

estacionamento(71)

carro-dependência(67)

transportes públicos(66)

bicicultura(62)

economia(58)

espaço público(58)

comboio(48)

auto-estradas(42)

automóvel(39)

trânsito(33)

energia(30)

portagens(27)

todas as tags

links

arquivos

Outubro 2017

Setembro 2017

Julho 2017

Junho 2017

Janeiro 2017

Setembro 2016

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Julho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006