Já sabemos que os perigos e inconvenientes da sociedade do automóvel são atirados para cima dos outros, como se de algo normal se tratasse.
O trânsito faz barulho? Azar o teu, morasses noutro sítio. Reduzir o trãnsito é que não!
O trânsito automóvel põe em perigo os ciclistas (andar de bicicleta não é por si perigoso)? Azar, metam um capacete e saiam da rua. Proteger os ciclistas e reduzir as velocidades do trânsito é que não! Etc.
Mas a coisa chegou ao absurdo na Indonésia. Os peões com deficiências físicas vão ser obrigados a sinalizar-se como tal, para que os automobilistas possam notar a sua presença! Tudo a bem da segurança dos peões, pois claro.
“Handicapped pedestrians are obliged to wear special signs that can be easily recognized by other road users,” the clause stated. (...) “This law is to protect pedestrians, including those who are handicapped,” Malkan Amin of the Golkar Party said. “It is for their own protection.”
Aquele dia em que um zeloso legislador se lembrará, que obrigar os peões a andarem de capacete é uma medida eficaz para reduzir a sinistralidade, nunca esteve tão perto.
Foto de uma praça do centro histórico de Lisboa, roubada ao Observatório da Baixa (sim, estão estacionados). Não admira que a vida fuja para os arredores cheios de auto-estradas, as pessoas preferem o original à cópia.
s. m.,
amor próprio excessivo, que leva o indivíduo a olhar unicamente para os seus interesses em detrimento dos alheios;
conjunto de propensões ou instintos que levam à conservação do indivíduo.
Um leitor residente em Amesterdão comentava aqui como os seus amigos portugueses adoravam conhecer, passear e "viver a cidade" de Amesterdão (onde ter um automóvel é muito caro e complicado), mas que rapidamente mudavam de postura mal se falava em aplicar o mesmo nas cidades portuguesas. Escusado será dizer que já tive a mesma conversa com várias pessoas, e que outras pessoas me contaram o mesmo.
Acho que só há uma explicação para isto, egoísmo. Egoísmo de quem aprecia uma cidade pensada para as pessoas quando é um peão, mas prefere uma cidade de vias-rápidas e estacionamento abundante e gratuito quando regressa à sua carro-dependência. De quem não dá a mínima importância aos enormes custos que a sua decisão pessoal de andar de carro acarreta para os outros.
O mesmo direi de algumas reacções à intenção da CML de afastar o trânsito da Baixa (as aparentemente boas notícias não são claras, por isso ainda não referi este assunto por aqui), o Automóvel Club de Portugal ameaça pôr a CML em tribunal se o plano for avante!
Na mesma linha, uma assumida carro-dependente queixa-se dos dias sem carros. Quer ela que a cidade seja monopolizada pelo automóvel, porque ela escolheu viver longe da cidade, e por isso não pode usar os transportes públicos. Um raciocínio a não perder!!
Posts recomendados, ambos relacionados com o que é dito acima.
Um mini-post meu no CidadaniaLx, sobre duas cidades que escolheram afastar os automóveis da Baixa.
A divertida e exaltada reacção do RedTuxer no Uma bike pela cidade, sobre o egoísmo do ACP.
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