Domingo, 1 de Novembro de 2009
Edimburgo: pequeno retrato de uma cidade cheia de paliativos

Como ler uma cidade no limite temporal de uma curta estadia? Ainda hoje qualquer cidadão concede que vai conhecendo certos aspectos da sua própria cidade, embora por estar sempre imerso nela essa leitura tornar-se mais difícil.

 

Há, claro, um maior conhecimento do que é viver em determinado sítio do que apenas lá estar uns dias. A duração do contacto influencia a leitura que fazemos de uma dada cidade; mas também seria abusivo dizer que qualquer leitura nos está vedada por lá não passarmos mais dias.

 

Se cada cidade for um longo e complexo texto, mesmo que não saibamos o que conta ela afinal, podemos ler alguns parágrafos ou algumas folhas para nos darmos conta não das personagens mas do estilo do autor. E sabemos que esse estilo estara presente na totalidade do texto, porque ele não é mais do que uma variação e um jogo dos vários elementos fundamentais também presentes nos parágrafos. Num texto, esses elementos são as letras, as palavras, os sinais de pontuação; numa cidade, os elementos são as pessoas, os veículos, os passeios, as estruturas rodoviárias, os edifícios.

 

É por isso que acredito que as seguintes fotos, mesmo não mostrando toda a cidade de Edinburgo, apresentam a relação entre os seus elementos, uma relação que se repete em toda a cidade. Tal como alguém que vendo um passeio esburacado em Lisboa sabe que isso é uma regra extensível ao resto da cidade e não uma excepção.

 

 

Quem precias de ciclovias? É mais económico pintar faixas de bicicletas no chão e reservar-lhes espaço de circulação. Quase todas as ruas abusam da sinalização horizontal, evitando poluir os passeios com sinalização inócua.

 

 

O parque de estacionamento de uma universidade no centro de Edimburgo. Mesmo em frente a uma praça. Onde é que eu não vi isto?

 

 

Mais uma atitude generalizada que atesta a loucura dos escoceses. Levar as crianças para a escola de bicicleta!

 

Deve ser do whisky. As bicicletas não desaparecem mesmo em dias de chuva.

 

 

Mais sinaliação horizontal assinalando os privilégios de modos mais justos de mobilidade.

 

Não são apenas as faixas amarelas pintadas a todo o comprimento das estradas. Também estes sinais desaconselham aquele hábito tão português das cargas e descargas serem feitas em qualquer lugar e a qualquer hora. E são discretos e elegantes. Já vi peças mais abstrusas em museus.

 

Um dos vários sinais que assinalam caminhos pedonais. Este é também ciclável e ao longo de um parque arborizado junto a uma universidade.

 

 

Quantos sinais destes há em Portugal?

 

Quanta sinalética existe para zonas pedonais em Portugal?

 

Estacionamento residencial. Os escoceses cumprem infracções; por outro lado, também há poucas. Não vi um carro estacionado em nenhum passeio.

 

O espaço de estacionamento é gerido e não oferecido aos automóveis.

 

Alguns dados: Edimburgo tem sensivelmente a mesma população que Lisboa. E a sua orografia não é propriamente plana; nalgumas zonas até é bastante inclinada. Além do mais, não têm metropolitano.

 

Nota: agradeço ao candidato eleito pela CDU a saudosa expressão paliativos para designar o uso da bicicleta em Lisboa.



publicado por TMC às 19:37
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