Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010
Menos 4 milhões de carros

Qualquer produto que exista no mercado está sempre sujeito às seguintes fases do ciclo de vida do produto. Desde a fase de desenvolvimento à fase de declínio o percurso passa sempre por estas 4 fases representadas na figura.

 

 

Obviamente que o tempo correspondente a cada uma destas fases varia de produto para produto sendo que o maior exemplo para a fase de maturidade mais curta seguindo uma fase de grande crescimento é o Tamagotchi . Mas de resto essa foi uma excepção que quase ninguém se recorda. Um produto que vendeu imenso e numa questão de meses saíu do mercado, podendo apenas ser agora uma raridade escondida numa qualquer loja de artigos chineses para os mais saudosistas.

 

Numa aula de empreendorismo e inovação em 2008, falava-se deste ciclo dos produtos e um professor, referiu que uma excepção a este ciclo seria o da Indústria automóvel, porque uma vez atingida a fase de maturidade, esta se iria prolongar indefinidamente e não era prevísível a entrada na fase de declínio.

 

Na altura comentei que se o andar a pé ou transporte público de qualidade em massa viesse a ser visto como fonte de bem estar pelas pessoas então o automóvel também teria o seu declínio como qualquer outro produto.

 

Ora que nos chegam agora notícias, que na maior sociedade automobilizada do mundo, apenas num ano o parque automóvel diminuiu em 4 milhões de unidades.

 

 

Este valor representa apenas 1,6% de diminuição do parque automóvel, mas mesmo assim mostra que foram enviados para abate 14 milhões de automóveis e "apenas" foram comprados 10 milhões.

 

Podemos estar assim a assistir ao declínio do produto que o tal professor afirmava ter uma fase de maturidade contínua e prolongada no tempo. É óbvio que se podem atribuir estes valores à crise internacional que se viveu em 2009, mas será também interessante perceber se a Indústria terá capacidade para criar um novo ciclo, nomeadamente com a implementação dos carros eléctricos. Carros estes, que para já, do ponto de vista funcional não terão tantas "supostas" vantagens como os veículos a combustão.

 

Ou seja, estarão os consumidores prontos para gastar dinheiro num produto que tem uma cápsula igual, mas que não lhes garante, nem o status, nem a utilidade dos carros de outrora?

 

Esperemos que estes indicadores sejam o indício de uma tendência e que mais notícias como esta de aposta em transportes colectivos nos cheguem do outro lado do atlântico.

 

Por fim, agradeço ao nosso leitor e amigo CM que nos enviou estes links e me inspirou para este artigo.



publicado por António C. às 16:13
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