Terça-feira, 7 de Janeiro de 2014

Como os automobilistas vêem os ciclistas, e por consequência o espaço urbano

São 4 pequenas histórias pessoais recentes, semelhantes a outras que todos os ciclistas e peões terão.

 

1. Av. Prof. Egas Moniz, uma avenida com 2 faixas daquelas onde a velocidade facilmente chega aos 80. Eu desço a avenida de bicicleta pela direita a uns 30-35km/h, mesmo ao meu lado na esquerda uma carrinha vai à mesma velocidade (à procura de estacionamento, caminho?). Formam-se filas nas duas faixas. Durante umas centenas de metros, buzinam-me incessantemente. Como sempre mantenho-me. No semáforo seguinte o automobilista, que "até" anda de bicicleta, queixa-se de eu ter impedido a passagem dele (ele ia em frente, nem virava à direita...). A carrinha, que ia lentamente pela esquerda, não tinha culpa segundo ele.

 

2. Uma rua de bairro, larga, de sentido único, com uma faixa apenas. Do lado direito carros estacionados ilegalmente em segunda fila. Do lado esquerdo vem um ciclista ilegalmente em contra-mão. O espaço no meio é demasiado estreito para passar e o amigo que me dá boleia, tem de abrandar. Diz-me então "o teu amigo ciclista aqui a cometer uma ilegalidade não me deixa passar". Os carros, que ocupam o triplo do espaço ilegalmente, não tinham a culpa segundo ele.

 

3. Uma rua de bairro, longa e estreita, circulo a 20-25 de bicicleta. Atrás de mim um automobilista começa a buzinar-me, eu mantenho-me. Uns 200m à frente, há alguns carros parados porque um automobilista está com dificuldade em estacionar num espaço exíguo. Atrás de mim deixa-se de buzinar. Uma bicicleta que não faz parar ninguém merece buzinadela, um automóvel que bloqueia a rua a várias pessoas, não merece segundo ele.

 

4. Numa avenida circulo de bicicleta, com o capacete pendurado no guiador. No semáforo um automobilista abre a janela e diz "o capacete é para andar na cabeça!". Ainda respondo que não é obrigatório, mas ele até o sabia e insiste. Nunca vi um automobilista a levar uma lição de moral de outro por andar sem cinto. Repreender um ciclista por uma questão de segurança não-obrigatória que apenas lhe diz respeito é aceitável, fazer o mesmo a um automobilista por algo obrigatório, não é aceitável.

 

Sendo apenas exemplos, julgo que não será uma generalização abusiva afirmar que elas mostram a visão egoísta que a maioria dos automobilistas têm do espaço público. São casos onde o ciclista faz algo mais insignificante, mas que apenas merece repreensão por não ser automobilista, por não ser senhor da cidade. A dualidade de critérios nos 4 casos, não poderia ser mais evidente.

 

..................................................................................................

Ainda aí alguma desinformação sobre o novo Código da Estrada. A SIC, por exemplo, chegou a afirmar que os ciclistas poderiam circular na estrada. A MUBi fez um excelente resumo do essencial: Ano novo, Código novo.

 

publicado por MC às 15:01
link do post | comentar | ver comentários (8) | favorito
Terça-feira, 12 de Abril de 2011

Dúvida

Será que há algum local no centro de Lisboa que a algum momento não se veja nenhum automobilista a desrespeitar as regras de trânsito?

Não haja carros mal estacionados, carros a exceder o limite de velocidade, carros a passar o vermelho ou acelerar no amarelo, carros sem parquímetro pago, etc.? Duvido que seja fácil encontrar.

A dúvida surgiu-me numa discussão entre os sócios da MUBi, onde se debatia se as bicicletas deveriam respeitar todas as regras de trânsito. Dada a minha dúvida, e dado que um automobilista incumpridor prejudica os outros, enquanto um ciclista não, a resposta parece-me óbvia.

 

................................................................................................................

A propósito o Pedalinas tem uma lista de dicas sobre circulação em bicicleta na cidade.

publicado por MC às 23:16
link do post | comentar | ver comentários (14) | favorito
Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

Por que nem sempre respeito as leis de bicicleta

Por vezes não se pode virar à esquerda, e eu paro depois do cruzamento e viro agindo como um peão. Ou então viro no sentido proibido à direita, para esperar no semáforo dos veículos que vai da direita para a esquerda. Noutras ocasiões é um longo vermelho num cruzamento vazio que acabo por passar. Não tenho por hábito defender o desrespeito de regras mas o caso das bicicletas é muito diferente principalmente por duas razões, uma de trânsito e outra legal:

1. Este tipo de regulação do trânsito existe pura e simplesmente por culpa do automóvel. Tal como numa zona pedonal não há qualquer código do passeio - os peões caminham por onde quiserem - a bicicleta e os transportes públicos também não necessitam de muita regulação para fluírem bem e em segurança. Isto acontece porque uma pessoa de carro ocupa muito mais espaço a circular do que as restantes.

Como ciclista, já acarreto imensas consequências negativas da escolha automobilizada dos outros. Quantas mais poder evitar, melhor.

2. Do ponto de vista legal, as leis que condicionam o automóvel têm um objetivo muito diferente daquelas do peão e da bicicleta. Um peão ou um ciclista não devem atravessar um vermelho porque isso os coloca em risco. Um automobilista quando o faz além de se colocar em risco, coloca os outros em risco.  As consequências de uma má decisão da minha parte, apenas me afeta a mim - para um automobilista não é assim. Ele tem assim que ser mais controlado do que eu.

 

Em Amesterdão há uma enorme tolerância para com as bicicletas, que circulam sem luz, do lado esquerdo da rua, a maioria não pára nos semáforos, etc. sem qualquer consequência. E não é por a polícia holandesa ser tolerante, mas por se perceber que as consequência do erro do ciclista são acarretadas por ele. O automobilista, por outro lado, é tratado com menos condescendência - em teoria e na prática - do que por cá.

 

Há apenas uma razão que me faz pensar duas vezes... o respeito dos automobilistas para com os ciclistas. Contudo, com o aumento do número de bicicletas nas cidades, julgo que aqueles dois pontos vão entrar no inconsciente de todos.

 

..........................................................

Este aumento de bicicletas em Lisboa não passou despercebido à TVI.

 

publicado por MC às 12:21
link do post | comentar | ver comentários (13) | favorito
Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Ciclovias? Capacetes? Para quê?

Nasceu no blogue Klepsydra uma enorme e interessantíssima discussão sobre capacetes, ciclovias, assimetrias legais entre transportes suaves e automóveis, etc.

Quem aborda pelas primeiras vezes a questão da segurança dos ciclistas, acha normalmente que os capacetes e as ciclovias são soluções maravilhosas e consensuais. Contudo como já disse aqui, os cicloactivistas mais experimentados e informados são na maioria das vezes contra as ciclovias e a obrigação do uso de capacetes. Um blogue espanhol dizia até que as ciclovias são o ópio dos ciclistas. Deixo aqui algumas frases soltas dessa discussão roubadas ao Mário Alves, especialista e consultor em mobilidade com destaque para a mobilidade suave.

 

Na última década, quem trabalha nestes assuntos no resto da Europa, tem vindo progressivamente a abandonar a obsessão de segregar [separar dos automóveis] a bicicleta.


Porque é que será que países que têm metas de segurança rodoviária mais rigorosas que as nossas, nunca adoptaram a obrigatoriedade do uso do capacete? Porque fizeram contas e estudos sérios sobre o assunto e não basearam a produção legislativa no senso-comum.

Só para vos citar um deles: a British Medical Association, comparou a perda de vidas por acidentes de bicicletas com os ganhos de anos de vida através da melhoria da saúde do ciclista regular e concluiu por um rácio de 20:1. Por outras palavras, por cada vida perdida em acidentes de bicicleta, 20 são ganhas por melhorias de saúde e condição física de quem pedala regularmente. Como nos poucos países em que foi introduzida legislação para a obrigatoriedade do uso do capacete, tiveram reduções entre 20 a 40% do uso da bicicleta (conforme a faixa etária), o ganho de vidas que o capacete poderia conseguir, não compensa as percas para a saúde dos que deixaram de pedalar. E ainda não estamos a contabilizar os ganhos para a saúde pública da redução das externalidades devido à diminuição de quilometragem em automóvel.
Apesar de ser uma discussão que surge regularmente em todos os países Europeus, um relatório realizado para a Conferencia Europeia de Ministros de Transportes (EMCT) cita um relatório realizado para a Comunidade Europeia (PROMISING): "Do ponto de vista da restrição, até a promoção oficial de capacetes pode ter um efeito negativo no uso da bicicleta, a melhor abordagem é deixar a promoção dos capacetes aos seus fabricantes". O mesmo relatório conclui que a promoção do capacete pode aumentar a percepção de que a bicicleta é um meio de transporte perigoso, diminuindo assim a apetência ao seu uso: "...o
desincentivo ao uso da bicicleta tem consequências bem mais negativas para a saúde pública, que o aumento do uso da bicicleta sem capacete."

 

"Uma Pista Ciclável paralela a uma via é extremamente perigosa. Utilizar a bicicleta neste tipo de via é análogo a utilizar o passeio. Quando este tipo de pista é só num dos lados da via, metade dos ciclistas andam contra o sentido do tráfego motorizado, tornando os cruzamentos mais perigosos." Schimek, Paul, Massachusetts Institute of Technology (MIT - Department of Urban Studies and Planning), The Dilemmas of Bicycle Planning, apresentado no Congresso Internacional da Association of Collegiate Schools of Planning (ACSP) e da Association of European Schools of Planning (AESOP), 1997, Cambridge, USA.

"Um estudo recente em Helsínquia mostrou que é mais seguro andar de bicicleta entre os carros que em pistas de bicicleta bi-direccionais ao longo das ruas. É difícil de imaginar que a nossa rede ciclável possa ser reconstruída. Mas em países e cidades que estão neste momento a começar a construir ciclovias, Pistas Cicláveis Bi-direccionais devem ser evitadas em arruamentos urbanos." Eero Pasanen, The risks of cycling, Helsinki City Planning Department, 2001, Helsínquia, Finlândia.

“Pistas Bi-direccionais ao lado de uma via são extremamente perigosas.” John Forester, "Effective Cycling", MIT Press, 6ª Edição, 1993, Cambridge, USA

Alemanha: Safety of Cyclists at Urban Junctions. Schnull R. and Alrutz D., R262 Bundesanstalt Fur StraBenwesen, 1993. Nos cruzamentos com semaforização, os ciclistas em Pistas Bi-direccionais estão 5 vezes mais em risco que a circular em coexistência. A utilização de corredores contrastantes só reduz o risco de acidente 1,5.

 

Passeios partilhados entre peões e ciclistas ou Pistas Cicláveis, construídas ao nível dos passeios ou só pintadas sobre passeios, são uma invenção do planeamento de tráfego orientado para os carros que foi a tónica das décadas recentes. Andar de bicicleta nos passeios é perigoso em qualquer dos casos (legalizado ou não)." The European Federation for Transport and Environment, no projecto ”Greening Urban Transport”, 2000

“É especialmente inapropriado sinalizar um passeio como via partilhada ou pista ciclável se fazer isso implicar a proibição de ciclistas de usar uma forma alternativa de servir as suas necessidades." (O Art. 78º do CE Português obriga os ciclistas a usar as ciclovias sempre que existam). “Guide for the Development of Bicycle Facilities”, 1999, American Association of State Highway Transportation Officials (AASHTO), Washington, USA

Ciclistas estão mais seguros quando agem e são tratados como condutores de veículos.” John Forester, "Effective Cycling", MIT Press, 6ª Edição, 1993, Cambridge, USA

 


A ler: o Ma Fyn Bach tem um resumo de um relatório europeu sobre os melhores métodos depromoção da bicicleta.

publicado por MC às 15:14
link do post | comentar | ver comentários (23) | favorito
Terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Motoretas com carta de carro

Por proposta do PCP, e seguindo uma directiva comunitária ainda por aplicar, foi aprovada uma alteração ao Código da Estrada que permite conduzir motoretas até 125cc com a carta de condução de automóvel.

A ideia é tirar gente dos carros e meter nas motas. Como o espaço ocupado por automóvel é a principal causa dos problemas dos carros nas cidades, esta mudança pode diminuir significativamente o congestionamento, os custos da mobilidade pessoal, a sinistralidade, o espaço roubado à cidade e a poluição (uma mota ainda polui bastante, mas com menos engarrafamentos os consumos serão muito menores que o actual) e facilitar a vida aos peões por não haver estacionamento nos passeios (no espaço de um carro cabem várias motas), nem tempos longuíssimos de espera,, nem 1001 obstáculos na travessia de ruas, etc.

Acho uma alteração claramente positiva, só receio o aumento do ruído. As cidades do sul de Itália não são própriamente simpáticas neste ponto.

O "ideal" seria ter esta mudança a ser feita para motas eléctricas, um pouco menos poluentes e muito menos ruidosas.

 


Sugestão um pouco off-topic: lista de várias ciclovias de lazer em Portugal na Visão, para uns passeio nestas férias.

publicado por MC às 16:40
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Cenas do Quotidiano do Automobilista Imperador do Universo II

Numa qualquer rua, numa qualquer cidade perto de si:

  Automobilistas que desconhecem o significado do amarelo intermitente e atravessam passagens de peões com verde sem se quer abrandar, colocando a vida dos outros em perigo.

  Automobilistas que ocupam o espaço dos outros, estacionados perpendicularmente no passeio cortando completamente o espaço do peão.

  Automobilistas que consideram que o seu tempo é mais valioso do que o tempo de outras 50 pessoas, não cedendo a passagem a autocarros e desrespeitando o código da estrada.

  Automobilistas que acabando de entrar numa rua acham que os outros deveriam ter sido antecipadamente informados da aproximação de Sua Excelência, buzinando contra tamanho desrespeito, "esquecendo-se" que são eles que desrespeitam o código da estrada.

  Automobilistas que circulam a 80km/h em ruas centrais da cidade, pondo a vida dos outros em perigo.

 

A tudo isto os outros reagem com uma imensa serenidade e sem qualquer protesto. Quando eu, como peão, desrespeito o código da estrada, colocando apenas a minha vida em perigo e atrasando o Exmo Automobilista por um segundo, sou automaticamente brindado com buzinadelas, berros, ofensas e (com sorte) com o dedinho espetado.


A ler: parece que o presidente da CML quer retirar 80 mil carros da cidade se for reeleito, através da promoção do transporte público, aumento do preço do estacionamento, zonas 30 e afins. Como já oiço semelhantes promessas há mais de uma dúzia de anos (talvez com a curta excepção de Carmona Rodrigues, o edil oficial do lobi automóvel), não lhes dou qualquer credibilidade.

publicado por MC às 10:28
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Quando 1 vale mais que 40

O nosso código da estrada é provavelmente dos mais pró-automóvel na Europa. Veja-se como menospreza os ciclistas, não obriga o condutor a ser cuidadoso com os peões, etc... Também há coisas boas, que infelizmente ninguém cumpre, que quase todos desconhecem e (pior ainda) que nenhum polícia faz cumprir. Por exemplo é proibido buzinar a torto e direito, e os peões que já estejam a atravessar uma rua têm prioridade sobre um automóvel que acaba de aparecer, independentemente de estarem numa passadeira ou não.

O artigo 19 diz que os condutores devem abrandar ou parar para que os autocarros possam retomar a marcha. Isto ninguém cumpre nem ninguém faz cumprir. E nem era preciso haver um código, bastava ter o mínimo de respeito pelos outros... mas isso é pedir demais. Um autocarro tem 40 pessoas a bordo, e um automóvel tem uma ou duas, mas para o condutor ele vale mais que os outros. É o "deixa passar à frente", "o autocarro que espere", etc... Andar de autocarro chega a ser desesperante, porque este egoísmo impede o autocarro de andar a uma velocidade média decente.

publicado por MC às 11:57
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

Protecção dos peões na Alemanha

aqui tinha referido que na Alemanha tem que se conduzir devagar junto a um autocarro a (des)carregar passageiros, para evitar acidentes. Reparem bem, apesar de não haver absolutamente nenhuma alteração no trânsito, os automóveis são obrigados a prevenir qualquer descuido dos peões.
Aqui fica a minha tradução (adaptada) da lei onde isto está estabelecido. Vale a pena ler.

(1) Junto de autocarros, eléctricos e autocarros escolares parados em paragens, só se pode passar a conduzir com precaução, mesmo no sentido contrário.
(2) Quando há passageiros a entrar ou sair, à direita só se pode conduzir a velocidade de passo e apenas quando se mantem uma distância que exclua a colocação em perigo dos passageiros. (...) Se necessário o condutor deve esperar.
(3) Os autocarros que se aproximem de uma paragem e que têm todos os piscas ligados não podem ser ultrapassados.
(4) Quando o autocarro está parado com todos os piscas aplica-se o (2) para todos os veículos, mesmo os em sentido contrário.

Sai uma destas aqui para o burgo, sff.
publicado por MC às 23:56
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Passagem de peões - vazio legal?

A propósito dos atropelamentos nas passadeiras (está mais um apanhado pelo Sobreda d'Os Verdes em Lisboa) queria escrever um post sobre o (des)respeito pelas passadeiras e fui à procura dos artigos no Código da Estrada que definem como é que os peões e os veículos devem proceder.
Para meu grande espanto, isto não está aparentemente definido em lado nenhum! O código diz que
- A velocidade deve ser moderada "à aproximação de passagens assinaladas na faixa de rodagem para atravessia de peões" (25.1.a),
- os peões "podem (...) transitar pela faixa de rodagem, com prudência e por forma a não prejudicar o trânsito de veículos (...) quando efectuem o seu atravessamento" (99.2.a),
- "os peões não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem de que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respectiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente" (101.1),
- "Ao aproximar-se de uma passagem de peões assinalada, o condutor, mesmo que a sinalização lhe permita avançar, deve deixar passar os peões que já tenham iniciado a travessia da faixa de rodagem" (103.1)
- e é considerada uma contra-ordenação grave "o desrespeito pelo trânsito dos mesmos [peões] nas passagens para o efeito assinaladas" por parte do condutor (146.h),

mas não encontro lado nenhum onde seja dito como se deve comportar o condutor quando há um peão junto à passadeira que queira atravessar! Isto é um esquecimento, um vazio legal propositado, ou está implícito em algum lado? O texto completo do artigo 146 até diz implicitamente que a travessia de peões nas passadeiras não se trata de um caso de "cedência de passagem", vulgo prioridade.

publicado por MC às 11:45
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

Os peões têm prioridade quando o automóvel muda de direcção

(texto revisto e aumentado)
Há uma regra no nosso código da estrada que a grande maioria parece desconhecer. Quando um automóvel muda de direcção não tem prioridade sobre um peão que já estivesse a atravessar essa via.  Ou seja quando quero atravessar uma rua apenas me devo preocupar com os automóveis que circulam nessa rua específica, e não com os automóveis que possam vir a virar para ela.

O artigo 103.2) diz que "Ao mudar de direcção, o condutor, mesmo não existindo passagem assinalada para a travessia de peões, deve reduzir a sua velocidade e, se necessário, parar a fim de deixar passar os peões que estejam a atravessar a faixa de rodagem da via em que vai entrar." O 146.h) acrescenta que é contra-ordenação grave "a não cedência de passagem aos peões pelo condutor que mudou de direcção dentro das localidades".

Pensem nisso da próxima que atravessarem a rua... (também não se matem, porque aqueles bichos normalmente são perigosos).
publicado por MC às 18:08
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

subscrever feeds

Google (lousy) Translation

autores

pesquisar

posts recentes

Como os automobilistas vê...

Dúvida

Por que nem sempre respei...

Ciclovias? Capacetes? Par...

Motoretas com carta de ca...

Cenas do Quotidiano do Au...

Quando 1 vale mais que 40

Protecção dos peões na Al...

Passagem de peões - vazio...

Os peões têm prioridade q...

tags

lisboa(224)

ditadura do automóvel(214)

ambiente(208)

bicicleta(157)

cidades(114)

portugal(113)

peões(103)

sinistralidade(74)

estacionamento(71)

carro-dependência(67)

transportes públicos(66)

bicicultura(62)

economia(58)

espaço público(58)

comboio(48)

auto-estradas(42)

automóvel(39)

trânsito(33)

energia(30)

portagens(27)

todas as tags

links

arquivos

Julho 2017

Junho 2017

Janeiro 2017

Setembro 2016

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Julho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006