Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
Provar que se foi atropelado

"No presente estado do trânsito motorizado, estou convencido que qualquer sistema legal civilizado deve requerer, por um questão de princípio, que a pessoa que usa o instrumento mais perigoso nas estradas - espalhando morte e destruição - deve ser responsável por compensar todos aqueles que sejam mortos ou feridos como consequência desse seu uso. Deve haver responsabilidade sem haver prova de culpa. Requerer a uma pessoa ferida que prove a culpa [dos outros], é a mais grave injustiça que se pode fazer a muitas pessoas inocentes que não têm meios para o fazer.", Lorde Denning 1982

 

A TVI tem uma reportagem (à TVI) sobre crianças que ficaram gravemente feridas num atropelamento. Os pais contam o que sofrem hoje, as dificuldades que têm a ter acesso a apoio, e as longas guerras judiciais para obter uma coisita (alguns nem isso) da parte do criminoso.

Em muitos países do Norte da Europa isto nunca aconteceria: não cabe ao peão provar que foi atropelado - como acontece absurdamente em Portugal - cabe sim a quem conduz um automóvel de duas toneladas (uma arma potencial), provar que fez tudo para evitar o desastre. A chamada strict liability põe a culpa à partida no condutor, e não lhe basta provar que cumpriu o mínimo das regras, tem mesmo que mostrar que era impossível evitar o acidente. Um peão nunca atropelará um automobilista, logo a situação não é simétrica à partida. Não podemos pedir aos pais destas crianças que provem que os filhos foram atropelados.

 

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Continuando no absurdo da sociedade do Deus Automóvel, a leitura recomendada de hoje é mais um brilhante post do A Nossa Terrinha. Conta-nos de uma câmara que institui um apoio social ao automobilista - sendo este mais fácil obter que um subsídio de acção social escolar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por MC às 10:57
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010
"Arreda! Arreda!" versão 2010

Afonso de Bragança, duque do Porto, irmão do penúltimo rei português e um dos primeiros carro-dependentes portugueses, ficou conhecido como o Arreda graças ao seu modo de conduzir. Lançando o seu carro a altas velocidades pelo Porto, gritava incessantemente "arreda, arreda!" às pessoas que lhe apareciam no caminho.

Um século depois a monarquia morreu mas o arredismo ainda está bem no sangue de muitos. O lóbi do popó lança hoje uma campanha, ironicamente começando no Porto e com o vergonhoso apoio das Câmaras, da PSP e a ANSR,  que quer sensibilizar os peões a terem cuidado a atravessarem a rua. Não há uma única menção de sensibilização dos condutores (que em Portugal são mais protegidos do que no Norte da Europa no caso de atropelamentos).

Centrar a sensibilização e a repressão nas potenciais vítimas é exatamente o raciocínio que seguem os extremistas islâmicos que defendem o uso de véus  e burkas para que as mulheres não sejam violadas, como defendi aqui. De onde volto a repetir: se Portugal tem dos piores registos em termos de atropelamentos de crianças, e sendo que as crianças são inconscientes em qualquer parte do mundo, o nosso problema não está certamente no comportamento dos peões.

 

Adenda: excelente resposta da ACA-M, "não há memória de um peão ter atropelado um automóvel".

 

 


O túnel do Marquês, um dos símbolos da ditadura do automóvel em Lisboa, vai ser fechado ao trânsito motorizado durante a noite de 21 de Setembro. Para essa noite está marcada uma grande descida de bicicleta dentro do túnel. Aparece!

 



publicado por MC às 11:21
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
Pequenos "efeitos colaterais" da ditadura do automóvel VII

E só ponho esta imagem para não chocar. O verdadeiro "efeito colateral" de animais atropelados está por aí em qualquer rua ou estrada, bem estampado no asfalto.


publicado por MC às 10:44
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2007
Peões vítimas de atropelamento
A pior consequência do (ab)uso do automóvel nas nossas cidades será os peões mortos e feridos em atropelamentos. A ACA-M e a CML em jeito de homenagem e de alerta pintaram o nome (falso por razões óbvias) de várias vítimas de atropelamento numa passadeira nos Restauradores em Lisboa. Outras praças e artérias da capital seguirão.
Até quando teremos bestas a conduzir impunemente dentro da cidade como se de uma auto-estrada tratasse?
Uma besta minha conhecida, depois de ter sido apanhada a conduzir a quase 120 numa avenida de Lisboa, ao ser questionada se não achava a sua velocidade perigosa para a situação, respondeu "não, o meu carro é seguro"!
Eu conheço uma família destruída por um atropelamento. Quem não conhece?
(Foto roubada ao blogue O Carmo e a Trindade)


publicado por MC às 11:49
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