Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Encontrado por aí (II)

A Avenida Infante Dom Henrique é uma das várias auto-estradas urbanas existentes em Lisboa. Paralela à margem direita do rio Tejo, é pouco sinuosa, quase sempre plana e com uma largura para vários automóveis. O resultado: uma emulação de uma pista de corridas para o piloto de F1 frustrado que possa haver em cada condutor. Mesmo com a instalação de semáforos, e nestas condiçõs, cada bólide parece ter como objectivo ultrapassar o amarelo antes deste tornar-se vermelho...e com isso alcançar uma fugaz glória.

 

 

Um abraço ao autor.

 

 

 

 


Um grande e especial muito obrigado aos leitores que, no âmbito dos "Green Bloggers Awards" de Fevereiro, votaram no texto "O comércio e a rua". Sem o vosso apoio não nos esforçaríamos por estar em permanente actualização e aprendizagem acerca dos temas que aqui abordamos. E claro, não teríamos sido vencedores desse mesmo prémio. Continuem connosco, por cá estaremos.

publicado por TMC às 23:57
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

O visível e o invisível

Muitos dos nossos comportamentos são tão frequentes precisamente por estarmos na ignorância das condições que os possibilitam. É também a frequência dessas acções que as torna habituais e, por isso, inquestionáveis. Se soubéssemos a lógica que proporcionou o aparecimento de um certo produto e a lógica do desaparecimento desse mesmo produto, alguns dos nossos gestos quotidianos não pareceriam tão inocentes ou leves, sem quaisquer consequências. De outro modo, parece que um dado produto existe autonomamente, por si só, desligado do mundo que o rodeia.

 

Saber as condições de aparecimento e desaparecimento de um produto ou do gesto que adquire esse produto é conjugar o invisível no visível. Conhecer essas condições dá-nos mais liberdade de escolha e torna-nos mais conscientes das nossas acções.

 

Aplicando, com a preciosa ajuda do fotógrafo Edward Burtynsky, é ver que isto:

 

 

E isto:

 

 

Acarretam necessariamente isto: exploração, refinação e transporte do petróleo.

 

 

 

 

 

Desastre no golfo do México.

 

 

Cada civilização é lembrada pelas suas ruínas. As nossas poderão ser estas:

 

Hong Kong.

 

 

Los Angeles

 

 

As cidades tornaram-se no resuldato de um planeamento urbano que depende demasiado de um recurso finito.

 

Subúrbios de Las Vegas

 

 

Quando o petróleo acaba ou os automóveis chegam ao seu fim de vida, o que fica?

 

Baku

 

 

Sucatas.

 

 

 

 

Ver mais fotos de Edward Burtynsky aqui. Um filme sobre como seu trabalho documenta a alteração das paisagens está aqui.

publicado por TMC às 14:58
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

Marionetas

Uma das funções da arte, além de um possível deleite nas suas formas, é fazer-nos reflectir sobre o que nos rodeia. No vídeo seguinte, Chris Burden simula o tráfego rodoviário da cidade de Los Angeles através de uma complexa estrutura de calhas de metal e cerca de 1200 carrinhos de brincar, num jogo que talvez pretenda ser mais do que uma demonstração da perícia técnica do autor. Enquanto houver energia, os carros continuarão a circular indefinidamente. Um carro voltará sempre ao ponto inicial. E depois repete-o.

 

 

Quem nunca foi criança e brincou com uns carrinhos? Um brinquedo está sempre subjugado às regras do jogo, feito pela criança: há o controlador e o controlado. A estrutura de Chris Burden mostra-nos de uma só vez, uma representação do que raramente imaginamos: o sistema de tráfego de uma cidade. Só lhe vemos algumas ruas, estradas e engarrafamentos; sentimos o ruído e a poluição atmosférica por ele criado, mas nunca o vemos completamente.

 

A questão é a seguinte: em que é que os nossos sistemas de tráfego são diferentes? Até que ponto não nos subjugámos aos seus imperativos?

 

 

 

publicado por TMC às 14:55
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Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010

Protestar com elegância

 

Vandalismo "reserva" parque para deficientes

O parque de Estacionamento situado na Rua do Arsenal, na baixa de lisboa, transformou-se hoje, quinta-feira, num espaço excluviso para uso de deficientes. Não porque a Câmara ou a EMEL o tenham determinado, mas porque alguém, por brincadeira assim o quis.

O caso insólito foi notado cerca das 7 horas, quando a operadora di parque em causa se preparava para entrar ao serviço. Admirada com tal transformação, e certamente sem saber se teriam sido criadas novas regras durante a noite, contactou a EMEL, que apresentou queixa às autoridades e mandou remover as pinturas.
 
Para a EMEL, tudo aponta para que as pinturas sejam fruto de um acto de vandalismo, uma situação a que a empresa já se habituou, sobretudo no que se refere aos parquímetros. Esta situação, contudo, difere de todas as outras, que mais não seja pela criatividade.
 
"Falámos com as diferentes autoridades, nomeadamente com a Câmara Municipal de Lisboa e temos a confirmação que não tinham conhecimento desta iniciativa, o que já imaginávamos atendendo às boas relações que temos e à estreita articulação que sempre existiu com a EMEL em relação à pintura de lugares e a todas as suas decisões em relação à área do estacionamento", adiantou uma fonte da empresa que tutela o estacionamento na cidade.

 


É vandalismo? Ou uma forma inteligente de captar a atenção das autoridadades para o modo bárbaro como pessoas com dificuldades físicas são impedidas de circular pelos carros mal-estacionados nos passeios? Ou quererão os autores do protesto simular aos condutores a sensação de não terem espaço nenhum no espaço que é de todos? Ou mostrar que os verdadeiros deficientes físicos são aqueles que se locomvem numa lata de toneladas que transporta cerca de 80kg e acham implicitamente que o espaço público deve estar acomodado à esgotante presença bruta do automóvel?
 
Da minha parte, um abraço e muitos parabéns. Espero que suscite algumas reflexões. E mais intervenções, claro.
publicado por TMC às 19:01
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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

A China e os automóveis

 

 

Perante o cenário do país mais populoso e com o crescimento económico mais galopante do mundo aumentar significativamente a qualidade de vida dos seus cidadãos, é expectável que o automóvel se generalize. A China foi o país que inspirou o aparecimento da primeira Massa Crítica em São Francisco, mas espera-se agora que ocorra uma generalização do automóvel como meio de transporte. As consequências ambientais e económicas aparecerão a seu tempo. Mas parece que a resposta à velha pergunta o que aconteceria se todo o mundo vivesse com o padrão de vida dos países desenvolvidos? está a ser respondida de duas formas: por um lado, através da consciencialização do Ocidente para a necessidade de refrear o consumo ou de empreender um consumo e escolhas de mobilidade mais responsáveis; por outro, pela vontade de países como a China, Índia e Brasil alcançarem precisamente o padrão de vida que no Ocidente temos como insustentável e impossível de ser generalizado.

 

Entretanto, também a consciencialização ambiental na China avança. Na 4ª Bienal Internacional de Arte de Pequim, o tema é "A preocupação ambiental e a existência humana". O trabalho de He Quiang é ilustrativo da ubiquidade transfronteirça do conflito automóveis x sociedade:

 

 

 

publicado por TMC às 12:57
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