Segunda-feira, 11 de Março de 2013

Evaporação de Tráfego & Cidade Universitária explicada às crianças e ao Carlos Barbosa

Por decisão do Orçamento Participativo de Lisboa, o tráfego de atravessamento da Alameda Universitária em Lisboa vai ser proibido (com excepção para os autocarros e bicicletas). A ideia é reduzir drasticamente o tráfego automóvel, e tornar a Alameda num enorme espaço (quase) pedonal. Os carros continuarão a poder aceder à Alameda, mas não poderão atravessar a zona da reitoria.

As críticas não se fizeram esperar ("ai, ai, que o carro vai perder um metrito do espaço urbano"), e a maioria passou pela suposição de que os carros que neste momento atravessam a zona da reitoria, terão todos que dar uma enorme volta para contornar os troços que vão ser cortados. Isto iria causar imensas dificuldades a muita gente, e atafulhar as vias alternativas.

Esta suposição é baseada em três ideias erradas:

 

1. Os carros que vão de A para B (ou vice-versa) partem de A ou precisam mesmo de lá passar.

Isto é totalmente falso. A grande maioria vem de longe de A, talvez dos Olivais, ou da Graça, e A era apenas um ponto de passagem irrelevante.

2.Os carros que vão de A para B (ou vice-versa) ficam em B ou precisam mesmo de lá passar.

Mais uma vez errado. Muito provavelmente a maioria vai para bem longe, para Benfica ou Sete-Rios. Um percurso 1km para a esquerda ou para a direita, vai dar ao mesmo.

3. O número de viagens de carro é fixo obrigatoriamente, tal como a origem e o destino.

Errado. Se existisse um túnel mágico que me levasse imediatamente ao centro de Coimbra, eu se calhar ganharia o hábito de ir lá comprar o jornal. Mas hoje não existe esse túnel, e eu não sinto a necessidade de ir lá buscar o jornal. A "necessidade" das nossas deslocações é uma construção nossa, algo que depende do contexto. As pessoas escolhem destinos diferentes, modos de transportes diferentes, número de deslocações diferentes consoante o contexto.

O melhor exemplo disto é a Av. Duque de Ávila em Lisboa que até há uns anos tinha um enorme tráfego de atravessamento. Hoje em dia, só tem um sentido, e o tráfego está condicionado. As ruas e avenidas próximas não estão atafulhadas de trânsito, como terão dito alguns auto-proclamadas peritos em tráfego na altura.

 

 

 

Quanto à alteração em si, a Alameda da Cidade Universitária não estará certamente no meu TOP50 dos locais em Lisboa onde eu veja um grande benefício em criar este tipo de intervenção - mas não deixo de ficar contente.

 

..................................................

A ler: um texto do A Nossa Terrinha sobre as vias-rápidas dentro da cidade.

publicado por MC às 21:26
link do post | comentar | ver comentários (14) | favorito
Segunda-feira, 19 de Março de 2012

Os preços dos combustíveis explicados às crianças e ao Carlos Barbosa

O presidente do ACP ao Público:

 

"Nem eu nem nenhum português entende como é que o barril de Brent está a 124,98 [dólares]”, quando em 2008 “estava a 160 dólares e nós tínhamos combustível mais barato”.

Só posso saudar as declaração de Carlos Barbosa, porque o primeiro passo é sempre reconhecermos as nossas falhas, neste caso reconhecer a sua habitual incapacidade de perceber o mundo à sua volta. Já não lhe fica tão bem dizer que os outros todos também sofrem do mesmo problema, o que nem é verdade, mas enfim. Pior é quando mente, e confunde 148$ (o preço máximo a que o Brent chegou) com 160$.

 

Caras crianças e caro Carlos Barbosa,

os senhores que vendem o petróleo não aceitam as nossas notas que usamos na Europa, querem apenas umas notas que se usa na América, os dólares. Por isso quando compramos o petróleo, temos primeiro de trocar os euros pelos dólares. Para comparar os preços entre hoje e 2008, temos que pensar nessas duas compras, e não só na segunda. Se fomos fazer as contas, e basta uma calculadora daquelas da escola, em 2008 o preço tocou os 86€. A semana passada, este valor chegou aos 96€ (12% mais, para quem já aprendeu as percentagens). É por isso que hoje os combustíveis estão mais caros.

 

Mais textos da mesma série:

A importância do acesso automóvel para o comércio local explicado às crianças e ao Carlos Barbosa

Os carros devem ter mais deveres e menos direitos que os peões, explicado às crianças e ao Carlos Barbosa

 

Adenda:

outras pérolas recentes do senhor, apanhadas pelo A Nossa Terrinha 

 

...................................................................

A ler uma notícia que já tinha colocado no Facebook do Blog: o preço da gasolina já chegou aos 2€ nas bombas de Paris.

publicado por MC às 13:07
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010

"Arreda! Arreda!" versão 2010

Afonso de Bragança, duque do Porto, irmão do penúltimo rei português e um dos primeiros carro-dependentes portugueses, ficou conhecido como o Arreda graças ao seu modo de conduzir. Lançando o seu carro a altas velocidades pelo Porto, gritava incessantemente "arreda, arreda!" às pessoas que lhe apareciam no caminho.

Um século depois a monarquia morreu mas o arredismo ainda está bem no sangue de muitos. O lóbi do popó lança hoje uma campanha, ironicamente começando no Porto e com o vergonhoso apoio das Câmaras, da PSP e a ANSR,  que quer sensibilizar os peões a terem cuidado a atravessarem a rua. Não há uma única menção de sensibilização dos condutores (que em Portugal são mais protegidos do que no Norte da Europa no caso de atropelamentos).

Centrar a sensibilização e a repressão nas potenciais vítimas é exatamente o raciocínio que seguem os extremistas islâmicos que defendem o uso de véus  e burkas para que as mulheres não sejam violadas, como defendi aqui. De onde volto a repetir: se Portugal tem dos piores registos em termos de atropelamentos de crianças, e sendo que as crianças são inconscientes em qualquer parte do mundo, o nosso problema não está certamente no comportamento dos peões.

 

Adenda: excelente resposta da ACA-M, "não há memória de um peão ter atropelado um automóvel".

 

 


O túnel do Marquês, um dos símbolos da ditadura do automóvel em Lisboa, vai ser fechado ao trânsito motorizado durante a noite de 21 de Setembro. Para essa noite está marcada uma grande descida de bicicleta dentro do túnel. Aparece!

 

publicado por MC às 11:21
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Sábado, 20 de Dezembro de 2008

Egoísmo

s. m.,
amor próprio excessivo, que leva o indivíduo a olhar unicamente para os seus interesses em detrimento dos alheios;
conjunto de propensões ou instintos que levam à conservação do indivíduo.

Um leitor residente em Amesterdão comentava aqui como os seus amigos portugueses adoravam conhecer, passear e "viver a cidade" de Amesterdão (onde ter um automóvel é muito caro e complicado), mas que rapidamente mudavam de postura mal se falava em aplicar o mesmo nas cidades portuguesas. Escusado será dizer que já tive a mesma conversa com várias pessoas, e que outras pessoas me contaram o mesmo.

 

Acho que só há uma explicação para isto, egoísmo. Egoísmo de quem aprecia uma cidade pensada para as pessoas quando é um peão, mas prefere uma cidade de vias-rápidas e estacionamento abundante e gratuito quando regressa à sua carro-dependência.  De quem não dá a mínima importância aos enormes custos que a sua decisão pessoal de andar de carro acarreta para os outros.

 

O mesmo direi de algumas reacções à intenção da CML de afastar o trânsito da Baixa (as aparentemente boas notícias não são claras, por isso ainda não referi este assunto por aqui), o Automóvel Club de Portugal ameaça pôr a CML em tribunal se o plano for avante!

 

Na mesma linha, uma assumida carro-dependente queixa-se dos dias sem carros. Quer ela que a cidade seja monopolizada pelo automóvel, porque ela escolheu viver longe da cidade, e por isso não pode usar os transportes públicos. Um raciocínio a não perder!!

 


Posts recomendados, ambos relacionados com o que é dito acima.

Um mini-post meu no CidadaniaLx, sobre duas cidades que escolheram afastar os automóveis da Baixa.

A divertida e exaltada reacção do RedTuxer no Uma bike pela cidade, sobre o egoísmo do ACP.

publicado por MC às 20:54
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

Presidente do ACP apoia Carmona

Que Carmona nunca foi um grande apoiante da mobilidade sustentável já se sabia. Agora que o presidente do Automóvel Club de Portugal, associação pró-automóvel por definição, o venha apoiar para a CML, fazendo inclusive parte da lista,diz muito da visão de Carmona para a cidade.
Ontem numa entrevista ao DN, Carlos Barbosa à pergunta "Há carros a mais em Lisboa?" responde "Existem é poucos transportes públicos. E maus." Para alguém que não usa os transportes públicos (como ele próprio diz) é fácil de criticar sem os conhecer. Os autocarros e o metro de Lisboa são em termos de conforto dos melhores do mundo. Há obviamente muitos problemas de horários, bilhetes, intermodalidade, etc... mas o mais grave é certamente o excesso de automóveis a circular e mal estacionados que obrigam os autocarros a circular a uma média de 10km/h. Como já tantas vezes escrevi, ńão é sensato exigir a melhoria do serviço dos autocarros em Lisboa sem haver antes uma redução do número de automóveis na cidade.
Por último quando interrogado se "o automóvel é o principal inimigo da qualidade de vida na capital?" responde "não". Uhm, devem ser as árvores... (ver outro post de hoje)
publicado por MC às 15:22
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

subscrever feeds

Google (lousy) Translation

autores

pesquisar

posts recentes

Evaporação de Tráfego & C...

Os preços dos combustívei...

"Arreda! Arreda!" versão ...

Egoísmo

Presidente do ACP apoia C...

tags

lisboa(224)

ditadura do automóvel(216)

ambiente(208)

bicicleta(157)

cidades(114)

portugal(113)

peões(103)

sinistralidade(74)

estacionamento(71)

carro-dependência(67)

transportes públicos(66)

bicicultura(62)

economia(58)

espaço público(58)

comboio(48)

auto-estradas(42)

automóvel(39)

trânsito(33)

energia(30)

portagens(27)

todas as tags

links

arquivos

Outubro 2017

Setembro 2017

Julho 2017

Junho 2017

Janeiro 2017

Setembro 2016

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Julho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006