Segunda-feira, 19 de Março de 2012
Os preços dos combustíveis explicados às crianças e ao Carlos Barbosa

O presidente do ACP ao Público:

 

"Nem eu nem nenhum português entende como é que o barril de Brent está a 124,98 [dólares]”, quando em 2008 “estava a 160 dólares e nós tínhamos combustível mais barato”.

Só posso saudar as declaração de Carlos Barbosa, porque o primeiro passo é sempre reconhecermos as nossas falhas, neste caso reconhecer a sua habitual incapacidade de perceber o mundo à sua volta. Já não lhe fica tão bem dizer que os outros todos também sofrem do mesmo problema, o que nem é verdade, mas enfim. Pior é quando mente, e confunde 148$ (o preço máximo a que o Brent chegou) com 160$.

 

Caras crianças e caro Carlos Barbosa,

os senhores que vendem o petróleo não aceitam as nossas notas que usamos na Europa, querem apenas umas notas que se usa na América, os dólares. Por isso quando compramos o petróleo, temos primeiro de trocar os euros pelos dólares. Para comparar os preços entre hoje e 2008, temos que pensar nessas duas compras, e não só na segunda. Se fomos fazer as contas, e basta uma calculadora daquelas da escola, em 2008 o preço tocou os 86€. A semana passada, este valor chegou aos 96€ (12% mais, para quem já aprendeu as percentagens). É por isso que hoje os combustíveis estão mais caros.

 

Mais textos da mesma série:

A importância do acesso automóvel para o comércio local explicado às crianças e ao Carlos Barbosa

Os carros devem ter mais deveres e menos direitos que os peões, explicado às crianças e ao Carlos Barbosa

 

Adenda:

outras pérolas recentes do senhor, apanhadas pelo A Nossa Terrinha 

 

...................................................................

A ler uma notícia que já tinha colocado no Facebook do Blog: o preço da gasolina já chegou aos 2€ nas bombas de Paris.



publicado por MC às 13:07
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010
"Arreda! Arreda!" versão 2010

Afonso de Bragança, duque do Porto, irmão do penúltimo rei português e um dos primeiros carro-dependentes portugueses, ficou conhecido como o Arreda graças ao seu modo de conduzir. Lançando o seu carro a altas velocidades pelo Porto, gritava incessantemente "arreda, arreda!" às pessoas que lhe apareciam no caminho.

Um século depois a monarquia morreu mas o arredismo ainda está bem no sangue de muitos. O lóbi do popó lança hoje uma campanha, ironicamente começando no Porto e com o vergonhoso apoio das Câmaras, da PSP e a ANSR,  que quer sensibilizar os peões a terem cuidado a atravessarem a rua. Não há uma única menção de sensibilização dos condutores (que em Portugal são mais protegidos do que no Norte da Europa no caso de atropelamentos).

Centrar a sensibilização e a repressão nas potenciais vítimas é exatamente o raciocínio que seguem os extremistas islâmicos que defendem o uso de véus  e burkas para que as mulheres não sejam violadas, como defendi aqui. De onde volto a repetir: se Portugal tem dos piores registos em termos de atropelamentos de crianças, e sendo que as crianças são inconscientes em qualquer parte do mundo, o nosso problema não está certamente no comportamento dos peões.

 

Adenda: excelente resposta da ACA-M, "não há memória de um peão ter atropelado um automóvel".

 

 


O túnel do Marquês, um dos símbolos da ditadura do automóvel em Lisboa, vai ser fechado ao trânsito motorizado durante a noite de 21 de Setembro. Para essa noite está marcada uma grande descida de bicicleta dentro do túnel. Aparece!

 



publicado por MC às 11:21
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Sábado, 20 de Dezembro de 2008
Egoísmo

s. m.,
amor próprio excessivo, que leva o indivíduo a olhar unicamente para os seus interesses em detrimento dos alheios;
conjunto de propensões ou instintos que levam à conservação do indivíduo.

Um leitor residente em Amesterdão comentava aqui como os seus amigos portugueses adoravam conhecer, passear e "viver a cidade" de Amesterdão (onde ter um automóvel é muito caro e complicado), mas que rapidamente mudavam de postura mal se falava em aplicar o mesmo nas cidades portuguesas. Escusado será dizer que já tive a mesma conversa com várias pessoas, e que outras pessoas me contaram o mesmo.

 

Acho que só há uma explicação para isto, egoísmo. Egoísmo de quem aprecia uma cidade pensada para as pessoas quando é um peão, mas prefere uma cidade de vias-rápidas e estacionamento abundante e gratuito quando regressa à sua carro-dependência.  De quem não dá a mínima importância aos enormes custos que a sua decisão pessoal de andar de carro acarreta para os outros.

 

O mesmo direi de algumas reacções à intenção da CML de afastar o trânsito da Baixa (as aparentemente boas notícias não são claras, por isso ainda não referi este assunto por aqui), o Automóvel Club de Portugal ameaça pôr a CML em tribunal se o plano for avante!

 

Na mesma linha, uma assumida carro-dependente queixa-se dos dias sem carros. Quer ela que a cidade seja monopolizada pelo automóvel, porque ela escolheu viver longe da cidade, e por isso não pode usar os transportes públicos. Um raciocínio a não perder!!

 


Posts recomendados, ambos relacionados com o que é dito acima.

Um mini-post meu no CidadaniaLx, sobre duas cidades que escolheram afastar os automóveis da Baixa.

A divertida e exaltada reacção do RedTuxer no Uma bike pela cidade, sobre o egoísmo do ACP.



publicado por MC às 20:54
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007
Presidente do ACP apoia Carmona
Que Carmona nunca foi um grande apoiante da mobilidade sustentável já se sabia. Agora que o presidente do Automóvel Club de Portugal, associação pró-automóvel por definição, o venha apoiar para a CML, fazendo inclusive parte da lista,diz muito da visão de Carmona para a cidade.
Ontem numa entrevista ao DN, Carlos Barbosa à pergunta "Há carros a mais em Lisboa?" responde "Existem é poucos transportes públicos. E maus." Para alguém que não usa os transportes públicos (como ele próprio diz) é fácil de criticar sem os conhecer. Os autocarros e o metro de Lisboa são em termos de conforto dos melhores do mundo. Há obviamente muitos problemas de horários, bilhetes, intermodalidade, etc... mas o mais grave é certamente o excesso de automóveis a circular e mal estacionados que obrigam os autocarros a circular a uma média de 10km/h. Como já tantas vezes escrevi, ńão é sensato exigir a melhoria do serviço dos autocarros em Lisboa sem haver antes uma redução do número de automóveis na cidade.
Por último quando interrogado se "o automóvel é o principal inimigo da qualidade de vida na capital?" responde "não". Uhm, devem ser as árvores... (ver outro post de hoje)


publicado por MC às 15:22
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