Segunda-feira, 31 de Março de 2014

Alegadas vantagens económicas do automóvel: as externalidades positivas

Um argumento habitual a favor do uso do automóvel, é a ideia segundo a qual não é só o automobilista que ganha, mas a sociedade no seu todo. Ao chegar mais cedo ao emprego, posso trabalhar mais horas. Se for mais facilmente ao hipermercado, poderei fazer mais compras. Etc. Por a minha escolha de transporte não me beneficiar apenas a mim, mas toda a sociedade, ela seria uma "externalidade positiva". A consequência lógica seria contabilizar estes benefícios como parte integrante da minha escolha, e assim ela deveria ser incentivada.

Mesmo sem entrar em definições económicas, é fácil de perceber que este raciocínio é falacioso. Poder-se-ia igualmente argumentar que ao escolher andar de bicicleta, poupei alguns euros que depois vou poder usar na compra de produtos nacionais, logo positivo para a economia. Ou que hoje, ao ir almoçar uma bela pizza fora, não me beneficiei só a mim mas também aos empregados e aos donos da pizzaria, tal como os agricultores que produziram os ingredientes. Ou até - o meu exemplo preferido - que as viagens luxuosas que os grandes empresários nacionais fazem, são importantes para eles mas também para o país por os ter mais frescos e descansados para novas ideias de investimento.

Será que estes benefícios (que existem certamente) serão razão para apoiarmos financeiramente a minha ida de bicicleta, o meu almoço ou os passeios do João Pereira Coutinho? Seguindo este raciocínio dificilmente encontraremos algo que não merece ser apoiado, e depois sobra a questão: se tudo deve ser apoiado, quem é que resta para nos apoiar?

Em economia é claro quais são as escolhas que devem ser apoiadas ou desincentivadas, sendo aquelas onde há realmente uma externalidade positiva (ou negativa). Existe uma externalidade quando há consequências para terceiros que não são tomadas em conta por quem toma a decisão. O benefício que a sociedade tem em eu poder trabalhar mais umas horas já está reflectido no salário extra que eu vou receber, logo eu já tomo isso em consideração. Quando eu escolho almoçar a pizza, e o cozinheiro escolhe cozinhá-la para mim, ambos já estamos a pensar nos benefícios e custos causados aos outros: eu sou forçado a pensar no custo que lhe causo porque vou ter de pagar, ele pensa na minha satisfação porque vai receber. Estes casos não têm portanto externalidades.

O uso do automóvel tem sim fortes externalidades negativas. Ao optar pelo uso do automóvel, não tomo em conta o impacto que vou criar nos outros, em termos de poluição sonora, poluição atmosférica, horas perdidas em congestionamentos, etc. porque isso não está reflectido em nenhum benefício ou custo, monetário ou intangível, que eu venha a ter. Aqui a teoria economia é clara: o que não é resolvido a bem, deve ser feito a mal: todos as escolhas com externalidades negativas devem ser taxadas de acordo com o impacto que causam. No caso do congestionamento, pode chegar quase aos 2€ por km percorrido.

 (texto emendado a 1.4.14)

....................................................................................................

As leituras recomendadas de hoje são exactamente sobre isto: um Prémio Nobel a explicar que o automóvel deve pagar portagens urbanas, e uma estimativa das externalidades negativas do automóvel em Portugal pelo Vera Veritas.

publicado por MC às 22:16
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17 comentários:
De Luís Mota a 1 de Abril de 2014 às 00:54
Miguel:

não quero de facto entrar na parte do economês, pela qual o meu desinteresse é total.

Para mim, tenho uma premissa: se eu tenho vantagem positiva em fazer uma coisa, desconsiderando aqui as partes negativas, então a sociedade em geral tem uma vantagem positiva, pois eu sou parte da sociedade. Suponho que seja pacífico, isto.

Quando dizes: "O benefício que a sociedade tem em eu poder trabalhar mais umas horas já está reflectida no salário extra que eu vou receber", sugeres um caso em que o retorno é óbvio: o salário, por definição quantificável.

Mas se eu não for trabalhar e simplesmente ficar a descansar? Aí já não é quantificável, mas mesmo assim é uma vantagem, pois fico mais relaxado e assim melhora o ambiente global da sociedade.

Vejamos outro caso, hipotético: as pessoas para ir para o emprego, têm duas opções, que em termos de custos e externalidades negativas são iguais: as hipóteses A e B. Apenas as distingue o facto de a opção A demorar metade do tempo da B, o que seria uma externalidade positiva.

Neste caso não é racional, do ponto de vista de cada um, e consequentemente da sociedade, escolher a opção A? Parece-me claro. Por isso, as externalidades positivas interessam, parece-me senso comum, que é o que, afinal, mais interessa para formar as opiniões das pessoas.
De João Pimentel Ferreira a 1 de Abril de 2014 às 10:02
Caro Luís Mota.

Se percebi bem pela explicação e também não sou economista, no caso que refere entre opção A e B, em que a A demora metade do tempo que a B, esse ganho (que existe) não é uma externalidade, é uma internalidade pois é o caro Luís o beneficiado com essa escolha.

Não há razão aparente para dizer que se escolher a A traz mais externalidades positivas do que a B, pois com a B, pode por exemplo queimar mais calorias o que diminui os custos de saúde do país, ou pode ter mais tempo para ler, caso a B seja o comboio por exemplo, sendo assim mais literato e criativo, ajudando a sociedade. Se é que eu percebi bem o conceito!

cumprimentos
De MC a 1 de Abril de 2014 às 11:09
Sim e não João.
O ganho de tempo de facto não é uma externalidade, dizes bem. O Luís já toma esse ganho em consideração quanto toma a decisão.

Em princípio A e B não têm externalidades positivas*.
No caso de teres melhor saúde e diminuíres os custos do SNS, seria o fim de uma externalidade negativa - tal como andar a pé em vez do carro, logo sem causar congestionamento, é o fim de uma externalidade negativa.
O caso da saúde é mais complicado de pensar, porque nós optamos por ter um serviço público de saúde... ou seja não quem beneficia desse serviço que paga por ele (como normalmente acontece).
O ser mais literato também não é uma externalidade positiva, porque a pessoa vai recolher frutos da vantagem que cria à sociedade (seja porque escreve um livro, porque recebe admiração dos outros...). Bem, e aqui entramos noutro problema que são os bens e serviços não-rivais... que também devem ser apoiados pelo estado:
http://en.wikipedia.org/wiki/Rival_goods


*As externalidades positivas são coisas raras.
O exemplo clássico é o apicultor e o agricultor. Ambos criam benefícios ao outro (um pelo pólen, outro pela polenização), mas não têm qualquer retorno disso.
Outro caso é a investigação. Uma empresa quando aposta em investigação já está a pensar nos benefícios que vai criar à sociedade, através dos lucros extra que vai receber :) Mas não toma em conta que as suas novas ideias, vão levar a outras ideias por outras empresas concorrentes.
De MC a 1 de Abril de 2014 às 10:52
"Suponho que seja pacífico, isto."
Claro que sim, disse isso no texto:
"estes benefícios (que existem certamente)"

Essa divisão entre "quantificável" ou não, és tu que estás a criar. Eu dei um exemplo onde esse benefício não é "quantificável", o meu gosto pela pizza.
Uso as aspas, porque na realidade, o descanso e a gula são facilmente "quantificáveis". Em economia, os custos/benefícios não deixam de ser bem reais lá por não serem pecuniários. E sim, é usada uma quantificação clara* - é isso mesmo que está em causa nos links todos que deixo sobre externalidades.

Quanto às tuas hipóteses A e B, parece-me que não leste o post. O demorar menos NÃO é uma externalidade.
E claro que sim, é melhor para a sociedade optares pela A. Eu não disse nada em contrário.


*Há casos em que a quantificação é difícil, e ainda hoje fonte de debate e investigação, como o valor da biodiversidade, o valor relativo do futuro face ao presente, etc.
De Luís Mota a 1 de Abril de 2014 às 11:26
Como disse, não queria falar economês.

Pouco me interessa o que é uma inter ou externalidade.

O que me parece incontestável é que as vantagens de uma opção têm de ser tomadas em conta na análise.
De MC a 1 de Abril de 2014 às 11:39
Claro que sim, concordamos! Aliás, isso está bem explícito no texto.

1. Eu digo que sim, essas vantagens existem:
"estes benefícios (que existem certamente)"

2. Mas depois explico porque é que o economês é importante.
"Em economia é claro quais são as escolhas que devem ser apoiadas (ou desincentivadas), são aquelas onde há realmente uma externalidade positiva (ou negativa)."

Do ponto de vista contabilístico, se o que te importa é contabilizar as vantagens e custos todos, o que tu estás a pedir é uma contabilização dupla dos benefícios e custos que não têm externalidades. Se o queres fazer, tudo bem... não é esse o hábito, mas porque não. A questão é que é uma convenção irrelevante.

O que é relevante é o ponto de vista de política económica, ambiental e de transportes. Uma intervenção activa (seja incentivo ou desincentivo) deve existir quando há externalidades.
De Luís Mota a 1 de Abril de 2014 às 11:47
Concordamos no que é evidente, o que já não é mau: nem sempre se verifica.

Mas há outras questões, importantes, que não estou a perceber o sentido que lhe dás. No fundo, o que me parece mais difícil de perceber é a "contabilização dupla dos benefícios e custos que não têm externalidades". Onde e como há essa contabilização dupla? PF usa o meu exemplo das opções A e B para ilustrar a questão, pode facilitar.
De MC a 1 de Abril de 2014 às 12:43
Quando falei em contabilização dupla, pensava no argumento mais comum, aquele que eu menciono no post: o facto de eu poupar tempo é bom para a sociedade (para além de mim) porque assim posso trabalhar mais. Neste caso ao contarmos o salário extra e a produção extra como vantagens, estamos a contabilizar duas vezes a mesma coisa.

Talvez tu estejas a dizer que ao demorares menos tempo, ficas tu a ganhar por poderes ir passear, e logo a sociedade também ganha por tu seres parte integrante. Neste caso não há contabilização dupla, claro.

A diferença é semântica. Quando falamos benefícios/custos "para a sociedade", eu e a maioria das pessoas que leio por aí, estão a pensar em benefícios/custos para os outros. Tu com "para a sociedade" estás a incluir-te também. Ok.

O que é relevante é garantir que se tomam as melhores decisões para a sociedade (todos incluídos). Se ao somarmos as vantagens e as desvantagens totais, cada pessoa toma a decisão com mais vantagens. Os benefícios e os custos para a pessoa já são automaticamente considerados. Para a restante sociedade é que não. E como as externalidades negativas do automóveis são enormes, e pouco contabilizadas, o sistema hoje em dia leva a demasiadas escolhas pelo automóvel.
De MC a 1 de Abril de 2014 às 12:46
Dito de outro modo, o equívoco habitual é achar que a produção extra é um benefício para a sociedade (todos) que não é contabilizado. Mas isso não é verdade, por já estar reflectido no salário extra.
De Luís Mota a 1 de Abril de 2014 às 13:32
Ok, começamos a ver as coisas mais claramente.

Dizes:
>E como as externalidades negativas do automóveis são
>enormes, e pouco contabilizadas, o sistema hoje e >dia leva a demasiadas escolhas pelo automóvel.

E eu estou absolutamente de acordo. Mas essa discussão não se pode fazer negando liminarmente que a utilização do automóvel, em certas circunstâncias localizadas, traz vantagens. Isso é argumentação a la Pimentel, que tenho vindo a argumentar que não surte.

Assim, creio que tem é de se insistir em que, numa parte esmagadora das situações, as consequências negativas não podem ser desprezadas, e talvez superem em muito as vantagens.

A meu ver, não era isso que perpassava do teu discurso original de desconsideração das "externalidades" positivas, e por isso o pus, e ponho, em causa.
De MC a 1 de Abril de 2014 às 14:57
(Republico um comentário que estranhamente desapareceu daqui...)

> Mas essa discussão não se pode fazer negando liminarmente que a utilização do automóvel, em certas circunstâncias localizadas, traz vantagens.

Mas algumas vez eu fiz isso?! Tenho dezenas de posts sobre este tema aqui no blog, não encontrarás tal ideia em nenhum deles.

> A meu ver, não era isso que perpassava do teu discurso original de desconsideração das "externalidades" positivas

1. Pela n-ésima vez: não há externalidades positivas em causa.
2. Pela n-ésima vez: onde é que foste ler isso, se não está lá escrito?

Daquilo que me lembro da argumentação do Pimentel, cujo texto aparece nas minhas ligações, não estás a ser justo. O argumento dele era meramente sobre os benefícios e os custos para terceiros. Daí não incluir o benefício para o próprio de poupar tempo, nem incluir o custo para o próprio de ter de pagar combustível e arranjos.
De Luís Mota a 1 de Abril de 2014 às 15:50
Ó Miguel, eu não ando a correr as tuas publicações a pente fino para te andar a apontar contradições.

A questão geral que eu estava a discutir é a lógica do "ah, isso não são externalidades, por isso nem sequer se considera". Tu se calhar não o fizeste, mas esse tipo de argumentação apareceu há algum tempo numa discussão na lista da MC.

Como já apontei, estou-me pouco cagando para serem externalidades ou não: são consequências positivas ou negativas. Por isso, quando dizes:
>Pela n-ésima vez: não há externalidades positivas em causa.
Eu não quero nem saber. Não é por dizeres n vezes, ou n+1, em minúsculas ou maiúsculas, que tal vai fazer diferença. Essa é a parte do economês que não me interessa. Por isso, há pouco meti o termo entre aspas. Por isso, não vou voltar a usá-lo nunca mais.

Estava, como digo, a desenvolver o tema, sem me preocupar se eras tu ou não que o tinhas afirmado inicialmente. Se bem me lembro, foi o Pimentel (ou terá sido o Mário?), indicando-te como o especialista a consultar, ao jeito de argumento de autoridade, acho...
De Luís Mota a 1 de Abril de 2014 às 11:37
Ah, mais uma questão, porém, para tentar perceber a tua visão da coisa, ou talvez a tua terminologia, se calhar passa por aí.

Pretendes que existem externalidades negativas como p.ex. a poluição e os consequentes malefícios na saúde, certo?

Mas se uma opção tiver consequências positivas, como p.ex. fazer perder peso, já não é uma externalidade.

É isso? Só esse aspeto é que as distingue?
De MC a 1 de Abril de 2014 às 11:47
A terminologia ser-me-ia irrelevante para o caso, se não fosse exactamente a fronteira do que é externalidade ou não, aquilo que define a política de intervenção ou não.

Não tem nada a ver com ser positivo ou negativo, caramba! Mas sim se o decisor toma a consequência em consideração ou não.
Os malefícios na saúde devidos à poluição, é algo causado a terceiros - logo é algo que o decisor não toma em consideração. Uma coisa é eu fumar (aí sim, penso nas consequências negativas para mim) outra é eu causar doenças respiratórias a terceiros por conduzir (onde não sinto a relação de forma imediata). A primeira é negativa e não é externalidade, a segunda é negativa e é externalidade.
Perder peso é algo em que o decisor sente os benefícios directamente.
De João Pimentel Ferreira a 1 de Abril de 2014 às 15:25
Só um à parte Luís, segundo a UE, cada km percorrido de automóvel em Portugal tem um custo externo de 0,15€, que totalizado dá cerca de 1,5% do PIB, anualmente. Só de congestionamento, a maior fatia, o custo ronda 1% do PIB.

MC, eu não disse que ler ou queimar mais calorias é uma externalidade positiva, na comparação A-B, disse sim é que não se podia considerar a poupança de tempo como externalidade positiva, exatamente devido a esses argumentos. Como tu bem dizes, se eu for a pé, e usar o dinheiro que poupei em ir às compras de produtos nacionais, não há nenhuma razão lógica para dizer que isso é pior para economia do que ir de carro.

cumprimentos

PS: gostava de ter mais exemplos de externalidades positivas :)
De MC a 1 de Abril de 2014 às 15:58
Ok, desculpa percebi mal.

Curiosamente ainda há pouco a ler as notícias, apareceu-me de uma outra externalidade positiva. Dizia-se que há muitos estrangeiros a ir morar para as casas degradadas do centro de Olhão. Mais gente a morar numa zona degrada, melhora a qualidade de vida de quem já lá está (mais segurança, mais comércio) - mas essa vantagem para terceiros não é tomada em consideração por quem se muda para lá.
Neste caso são externalidades muito particulares, externalidades de efeito de rede: http://en.wikipedia.org/wiki/Network_effect

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