Terça-feira, 15 de Julho de 2014

O lado "verde" do apoio ao abate de carros explicado às crianças

O governo parece querer repescar o triste programa de apoio ao abate de carros antigos (mais de 10 anos), para incentivar a comprar de carros ditos "mais verdes". Como é que este programa funciona?

 

Decides vender o teu carro para passares a andar a pé? O Estado não te ajuda.

Decides vender o teu carro para passares a usar os transprotes públicos? O Estado não te ajuda.

Decides vender o teu carro para passares a andar de bicicleta? O Estado não te ajuda.

Decides vender o teu carro para continuares a andar de carro? O Estado paga-te 3500€ (o que pagaria 3000 viagens de autocarro na cidade, ou 20 bicicletas) se quiseres um popó eléctrico, 2500€ para um popó híbrido, 1000€ para um popó com emissões de CO2 ligeiramente abaixo da média.

 

Relembro que em Bruxelas quem abate o seu automóvel recebe passes de transportes públicos durante 2 anos ou bicicletas.

publicado por MC às 15:44
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Terça-feira, 27 de Maio de 2014

A EMEL vai investir 40 milhões em parques - O que é que isso diz sobre a carga fiscal do automóvel

Hoje há várias novidades sobre o futuro imediato da EMEL, a empresa municipal do estacionamento em Lisboa.

1. O parquímetro poderá ser pago por telemóvel, o que é uma excelente notícia. O preço deveria ser mais barato que o parquímetro, para desincentivar o uso do parquímetro físico, desincentivando assim a sua vandalização.

2. A área de exploração da EMEL, leia-se zonas com parquímetros, vai aumentar. É uma boa notícia, especialmente para os residentes que agora têm os seus bairros transformados em parques de estacionamento.

3. Vão ser investidos 40 milhões de euros em novos parques de estacionamento. E é aqui que eu levo as mãos à cabeça.

Não é por serem muito poucas as zonas onde não haja parques de estacionamento meio vazios, é em parte pelo incentivo ao uso de automóvel que representa uma melhoria das condições da sua utilização.

Mas pior ainda é o facto de isto ter de partir de uma empresa pública.  Pensem nisto. A educação e saúde são providenciadas pelo Estado, porque são serviços tão fundamentais que todos devem ter acesso a eles. Mas estes casos são a excepção. A alimentação é completamente produzida e distribuída por empresas privadas. A habitação também o é na quase totalidade dos casos. Os livros, os telemóveis, o turismo, etc. é tudo privado.
No caso do estacionamento, um serviço para os automobilistas, não há qualquer barreira à oferta privada. Em Lisboa até há alguns estacionamentos privados, mas noutras cidades há bem mais. Se é necessário uma empresa pública vir oferecer este serviço, é porque este não é rentável caso contrário os privados estariam interessados. Em bom português, isto é equivalente a um subsídio ao automóvel.

 

 

publicado por MC às 16:31
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Quarta-feira, 19 de Março de 2014

É muito difícil discutir mobilidade urbana racionalmente (corolário do post anterior)

No último post contei quatro histórias pessoais que tinham uma coisa em comum: a mesma pessoa perante uma situação onde um automobilista causa mais mossa que um ciclista, aponta o dedo exclusivamente ao ciclista desculpando o automobilista.

A recente obsessão da CML e da ANSR com as transgressões dos ciclistas urbanos - que convivem ao lado de automóveis que circulam a 80km/h no centro da cidade, que tapam a passagem dos peões estacionando no passeio, que fazem razias ao ciclistas não respeitando os 1,5m legais, etc. - são mais um exemplo disto. Aliás são mais graves, porque são posições institucionais. Uma visita pelo Facebook da ANSR é algo assustador: grande parte da energia é gasta em educar o peão, e não quem se passeia com 2 toneladas a 80km/h pela cidade.

Há um corolário triste desta discriminação. É muito difícil discutir racionalmente a mobilidade dos peões e das bicicletas com leigos ou mesmo com as autoridades. A maioria das pessoas cresceu e viveu durante décadas em cidades onde a posição do automóvel era um dado adquirido, e todas as restantes necessidades da cidade vêm a seguir. É muito difícil obriga-las a dar um passo atrás e ver as coisas em perspectiva. Mas só obrigando-as a fazer isso, é que poderemos falar.

 

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A leitura recomendada é um texto de alguém que faz exactamente isso, o Miguel Barroso no CodigoDaEstrada.Org lembra-nos que o problema não é o ratinho mas o elefante na loja de loiças.

 

publicado por MC às 15:58
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Terça-feira, 7 de Janeiro de 2014

Como os automobilistas vêem os ciclistas, e por consequência o espaço urbano

São 4 pequenas histórias pessoais recentes, semelhantes a outras que todos os ciclistas e peões terão.

 

1. Av. Prof. Egas Moniz, uma avenida com 2 faixas daquelas onde a velocidade facilmente chega aos 80. Eu desço a avenida de bicicleta pela direita a uns 30-35km/h, mesmo ao meu lado na esquerda uma carrinha vai à mesma velocidade (à procura de estacionamento, caminho?). Formam-se filas nas duas faixas. Durante umas centenas de metros, buzinam-me incessantemente. Como sempre mantenho-me. No semáforo seguinte o automobilista, que "até" anda de bicicleta, queixa-se de eu ter impedido a passagem dele (ele ia em frente, nem virava à direita...). A carrinha, que ia lentamente pela esquerda, não tinha culpa segundo ele.

 

2. Uma rua de bairro, larga, de sentido único, com uma faixa apenas. Do lado direito carros estacionados ilegalmente em segunda fila. Do lado esquerdo vem um ciclista ilegalmente em contra-mão. O espaço no meio é demasiado estreito para passar e o amigo que me dá boleia, tem de abrandar. Diz-me então "o teu amigo ciclista aqui a cometer uma ilegalidade não me deixa passar". Os carros, que ocupam o triplo do espaço ilegalmente, não tinham a culpa segundo ele.

 

3. Uma rua de bairro, longa e estreita, circulo a 20-25 de bicicleta. Atrás de mim um automobilista começa a buzinar-me, eu mantenho-me. Uns 200m à frente, há alguns carros parados porque um automobilista está com dificuldade em estacionar num espaço exíguo. Atrás de mim deixa-se de buzinar. Uma bicicleta que não faz parar ninguém merece buzinadela, um automóvel que bloqueia a rua a várias pessoas, não merece segundo ele.

 

4. Numa avenida circulo de bicicleta, com o capacete pendurado no guiador. No semáforo um automobilista abre a janela e diz "o capacete é para andar na cabeça!". Ainda respondo que não é obrigatório, mas ele até o sabia e insiste. Nunca vi um automobilista a levar uma lição de moral de outro por andar sem cinto. Repreender um ciclista por uma questão de segurança não-obrigatória que apenas lhe diz respeito é aceitável, fazer o mesmo a um automobilista por algo obrigatório, não é aceitável.

 

Sendo apenas exemplos, julgo que não será uma generalização abusiva afirmar que elas mostram a visão egoísta que a maioria dos automobilistas têm do espaço público. São casos onde o ciclista faz algo mais insignificante, mas que apenas merece repreensão por não ser automobilista, por não ser senhor da cidade. A dualidade de critérios nos 4 casos, não poderia ser mais evidente.

 

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Ainda aí alguma desinformação sobre o novo Código da Estrada. A SIC, por exemplo, chegou a afirmar que os ciclistas poderiam circular na estrada. A MUBi fez um excelente resumo do essencial: Ano novo, Código novo.

 

publicado por MC às 15:01
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Terça-feira, 26 de Novembro de 2013

Outro minuto em Groningen, a cidade-modelo da mobilidade

Veneza é a cidade europeia onde o automóvel é mais... desincentivado, mas não por escolha própria. Esse título cabe a Groningen, uma cidade estudantil no norte da Holanda, onde as pessoas são reis da cidade através da quase inexistência de estacionamento automóvel à superfície e fortíssimas medidas de acalmia de tráfego.

Num dos meus posts preferidos aqui do blog, o António deixava um vídeo de um minuto num cruzamento numa praça central de Groningen. Hoje fica o meu minuto passado em Groningen, noutro cruzamento da cidade. E tal como no outro, este cruzamento também não é numa zona pedonal.

Apesar do frio (o vídeo foi feito em junho e há só se vêem casacos pesados), e da chuva constante (no dia do vídeo o chão está molhado e há vários guarda-chuvas), é uma cidade cheia de vida e comércio. São as cidades que são menos convidativas ao automóvel, as que acabam por ser mais humanas e ter mais vida, não o contrário.
É uma cidade para todos: vêem-se bebés a serem transportados em bicicletas e cadeiras de rodas a passar - e isto foi mero acaso, apenas gravei o vídeo uma vez.
Repare-se também como tudo flui sem precisar de semáforos ou regras rígidas de trânsito. Peões, bicicletas, aceleras e até um coche (!), todos se cruzam sem problema.
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Para não destoar, a leitura recomendada de hoje é um vídeo que conta um projecto de país ingleses que fecham ruas do bairro durante umas horas para que os crianças possam brincar e socializar livremente na rua, como era o hábito há umas décadas, no Copenhagenhize.
publicado por MC às 14:58
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013

Distrações

Hoje de manhã, ao atravessar uma rua, por muito pouco não fui atropelado por um automobilista. Eu ia a pé e tinha verde, ele que virava tinha um amarelo intermitente... mas "distraiu-se". Nem pediu desculpa. Eu já contava com a "distração", mas se não contasse poderia ter ido desta para melhor. Por "distração" do automobilista.
Na situação inversa, se um peão "distraído" atravessar quando está verde para o automobilista, também é o peão que vai desta para melhor.


Não querer perceber esta assimetria, e pôr em pé de igualdade as "distrações" de uns e outros, é criminoso.


Repito aqui uma imagem antiga.Um peão, que apesar de ter verde, pára, olha para verificar que não vem nenhum automóvel, e só depois avança. Basta passar uns segundos num cruzamento para ver peões a ter este comportamento. Poderíamos passar anos no mesmo cruzamento, e não veríamos um automobilista perante um verde a parar, verificar que não vêm peões, e a avançar depois. Apontar o dedo à "distração" dos peões como causa de atropelamentos é criminoso.



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Vídeo recomendado de hoje,um vídeo do Passeio Livre sobre O automóvel sagrado e o estacionamento ilegal.




publicado por MC às 10:54
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2012

Auto-estradas? Somos os campeões em qualquer estatística

Portugal não tem só a região com mais auto-estradas da Europa, o maior aumento de km de auto-estradas na Europa, a rede de auto-estradas que mais cobre cidades pequenas em toda a Europa, auto-estradas paralelas tão próximas que dá para acenar aos automobilistas na auto-estrada ao lado, etc. há muita outra coisa da qual nos podemos orgulhar.

Talvez soubessem que a maior ponte rodoviária na Europa é em Portugal, a Ponte Vasco da Gama. Mas certamente não sabiam que a segunda maior na Europa, também é em Portugal, a ponte das Lezírias. O resto do TOP10 tem algumas pontes dinamarqueses, suecas e holandesas (países com muitas ilhas como é sabido) e mais uma portuguesa, a Ponte Salgueiro Maia.

 

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Para inspiração deixo (mais) um artigo do NYTimes sobre o famoso viaduto (e auto-estrada) de Cheonggyecheon no centro de Seul, que foi pura e simplesmente desmantelado há anos, e não consta que se tenham arrependido disso.

publicado por MC às 12:38
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2012

Fietsstraten

Fietsstraat é, traduzido à letra, uma rua de bicicletas. O conceito é mais uma das engenhosas soluções anti-automóvel que os engenheiros de transportes holandeses têm brindado o mundo, que podem ser resumidas no seguinte sinal:

(carros como convidados)

 

Sendo que as nossas cidades são planeadas para o automóvel, por muito que se tente contrariar esta tendência, a verdade é que mesmo nas Holandas, Alemanhas e Dinamarcas, as ruas são do carro e as bicicletas são toleradas. A ideia fundamental das fietsstraten é dar a volta a isto, é ter uma rua desenhada para bicicletas, onde a circulação de carros é tolerada:

As diferenças são claras: tanto o material como a cor do piso é o de uma ciclovia (o efeito psicológico da cor é importante, por colocar o automobilista fora do contexto habitual); as faixas são extremamente estreitas, impedindo velocidades mais altas; os passeios são mais largos; as bermas têm o piso de uma rua para automóveis (e não o contrário). Mais fotos aqui.
A Fietsberaad (a irmã mais velha holandesa da nossa MUBi) noticia ainda que a cidade de Zwolle é a primeira com um plano a nível municipal para a criação de uma rede de fiestraten.
Na Holanda tive a oportunidade de circular em algumas, e os benefícios são claros: os automobilistas não se sentem senhores da estrada, não havendo aquela impaciência de chegar 3 segundos antes ao semáforo, que tantas vezes causa conflito nas ruas urbanas.
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A página recomendada de hoje não precisa de explicações: Hartos del coche!
publicado por MC às 15:31
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Domingo, 22 de Julho de 2012

Em Alfama, joga-se à bola na rua


A foto está com uma péssima qualidade, mas não engana: em Alfama os miúdos jogam à bola na rua. 

O que têm os miúdos de Alfama de diferente dos miúdos de outros bairros de Lisboa, ou de qualquer cidade portuguesa? Também têm televisão, facebooks, playstations, etc. Têm tudo o que supostamente faz com que os miúdos de hoje fiquem fechados sozinhos em casa, mas mesmo assim insistem em jogar à bola na rua com os amigos.

Têm uma coisa que os outros não têm. Tal como os de Veneza, moram num sítio onde o espaço público pertence às pessoas e não aos carros.

E isto explica por que os outros miúdos não brincam também. Não é uma consequência das novas tecnologias, foi porque os pais decidiram que o automóvel era mais importante.


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A ler: um artigo belga (via ASPO-Portugal) sobre outra estranha prioridade da ditadura do automóvel; pôr os combustíveis acima da alimentação. De acordo com o artigo, em 2020, se se cumprir as metas para o uso de bio-combustíveis, metade dos terrenos agrícolas belgas servirão o automóvel: Nourrir avant de fournir des carburants
publicado por MC às 19:28
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Adeus shoppings do subúrbio, olá cidades humanas

De entre os países desenvolvidos, Portugal e os Estados Unidos são daqueles onde o automóvel tem um maior peso na sociedade. As cidades e mesmo alguns bairros, estão cercados por mais e mais auto-estradas, o comércio local tem menos peso que os shoppings onde só se chega de carro, as cidades são parques de estacionamento e zonas de atravessamento de trânsito. há mais carros a passar do que pessoas, etc.

Mas há cada vez mais bons sinais de mudança nos dois países. Num artigo do NY Times (que já passou no nosso Facebook) mostra-se que nos últimos 15 anos, os americanos estão a procurar mais o centro da cidade para viver, e menos os subúrbios. Prova disso é o valor das casas, que subiu mais no centro.

De Portugal tem havido histórias de hipermercados a fechar e de falta de vontade em abrir mais shoppings. Esta poderia ser uma história da crise generalizada, mas hoje o Diário Económico conta que a procura de espaços comerciais no centro de Lisboa e Porto  (especial destaque para o Chiado) tem vindo a aumentar, apesar dos preços serem claramente altos.

Excelentes notícias!

 

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E da cidade mais europeia da América, mais uma notícia europeia: Nova Iorque também vai ter um sistema de bicicletas públicas partilhadas.

publicado por MC às 17:57
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