Terça-feira, 27 de Junho de 2017

Comércio local cresce

 

Já não passa despercebido a ninguém que o comércio local cresce em detrimento dos shoppings. Depois de nos 80 e 90 os portugueses se terem apaixonado pelos shoppings nos subúrbios feitos só para o automóvel, na última década voltaram a preferir o comércio à escala humana onde se anda a pé.
Um sinal disto é como as grandes cadeias de supermercados deixaram de lutar pelos descampados ao lado das auto-estradas, e tentam ocupar o mais rapidamente possível as zonas urbanas ainda sem grande concorrência.
Isto mostra que o fácil acesso automóvel não é determinante para a localização do comércio, mas sim a proximidade e a escala humana dos antigos bairros.

 

 

Comércio de rua está a crescer nos bairros residenciais de Lisboa
publicado por MC às 16:14
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Quinta-feira, 22 de Junho de 2017

Ferrovia vs Rodovia em Portugal

Portugal é o campeão europeu quando se trata em investir no automóvel em detrimento do comboio. No gráfico abaixo temos o número de quilómetros de autoestrada por cada km de ferrovia nos vários países cobertos pelo Eurostat.

 

Fonte: Eurostat, dados de 2015 (ou os mais recentes quando não existe 2015. Dados para AE na Grécia do NationMaster (Eurostat não tem).
Chipre, Malta não foram incluídas, por serem pequenos estados insulares.

publicado por MC às 10:59
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Dieselgate, só por si, causa 38 mil mortes

38 mil é o número de mortes provocadas em apenas um ano, pelas emissões de NOx para lá das normas. A essas somam-se 70 mil mortes que aconteceriam mesmo que a indústria as tivesse respeitado.

 

https://www.publico.pt/2017/05/15/ciencia/noticia/morreram-38-mil-pessoas-em-2015-por-causa-do-dieselgate-1772241

publicado por MC às 10:58
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Emissões da rodovia aumentam

Pela primeira vez desde 2010, a UE aumentou as suas emissões de gases com efeito de estufa, e o grande culpado disso foi o setor rodoviário.
Os fabricantes automóveis até cumpriram a sua parte (continuando a diminuir as emissões por km), mas um uso ainda maior por parte dos automobilistas contrariou isso.

The EU’s total greenhouse gas emissions increased in 2015 for the first time since 2010. Higher emissions were caused mainly by increasing road transport, both passenger and freight (...) Gains in the fuel efficiency of new vehicles and aircrafts were not enough to offset the additional emissions caused by a higher demand in both passenger and goods transport. Road transport emissions — about 20 % of total EU greenhouse gas emissions — increased for the second year in a row in 2015, by 1.6 %

 

https://www.eea.europa.eu/highlights/eu-greenhouse-gas-emissions-from-transport-increased

publicado por MC às 10:57
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Emissões CO2 de baterias elétricas

A Agência Sueca da Energia, através do Swedish Environmental Research Institute, fez um apanhado dos vários estudos sobre as emissões de CO2 envolvidas só na produção de baterias Li-ion para automóveis elétricos. Uma bateria de 100kWh (como a do Tesla S) implica em média a emissão de 17,5t de CO2!

Sendo que um automóvel convencional novo emite 118g de C02/km, ele teria de percorrer 150 mil km para emitir o mesmo!

 

Fontes:
http://www.ivl.se/.../C243+The+life+cycle+energy...
https://www.eea.europa.eu/.../fuel-efficiency...
https://twitter.com/BjornLomborg/status/876798037284319232
http://www.nyteknik.se/.../stora-utslapp-fran-elbilarnas...

publicado por MC às 10:55
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Santos Populares vs Carros

Nos santos populares, um comerciante lamentava-se que tinha pago 380€ para poder ocupar 6m de rua durante 6 dias. Na zona em causa, os automóveis nem pagam estacionamento, mas se pagassem um residente pagaria 0,20€ e o não-residente 24€ por 5m durante os mesmos dias*.
Quando os automobilistas se queixam de terem de pagar para ocupar espaço público, esquecem-se que o automóvel tem um subsídio gigante face às outras ocupações.
E isto mostra-nos também que entre uma esplanada aberta a todos, num grande evento social das festas da cidade, e a ocupação da rua por uma caixa metálica vazia de uma só pessoa, a Câmara Municipal de Lisboa tem uma enorme preferência pela segunda.

*metade dos dias eram dias de semana.

 

publicado por MC às 10:54
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Documentário de 1973 da RTP: Aumento do Parque Automóvel

Este documentário de 1973 da RTP já identifica bem os problemas da sociedade do automóvel: ruído, poluição, destruição do espaço urbano e da coesão social.
Incrível como já era problemas tão prementes há 44 anos mas fizemos tão pouco desde então. Fechámos alguns parques de estacionamento para criar outros ao lado, enchemos as cidades de túneis, viadutos e auto-estradas, desmantelámos transportes públicos.

 

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/aumento-do-parque-automovel/

publicado por MC às 10:52
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Acabou a maior vergonha no desenho do espaço público lisboeta

Escrevi sobre várias vezes sobre o caso vergonhoso da Av. Fontes Pereira de Melo. Numa das principais e mais centrais avenidas lisboetas, era impossível descer a avenida a pé de um lados porque não havia passeio. E não foi uma situação temporária que se prolongou, foi uma decisão consciente feita há décadas atrás.

0001_M.jpg

Foto de 1967 do Arquivo Municipal, nos últimos anos em que foi possível caminhar pelo passeio

O edifício do Imaviz e o arranjo urbano foram inaugurados no início dos anos 70, e durante mais de 40 anos os peões que caminhavam a avenida pelo lado do Imaviz tinham de caminhar pelo alcatrão (o que fazia a grande maioria), ou por um passadiço do próprio edifício que acabava numas escadas inclinadas. Tudo isto acabou graças à remodelação do eixo central. Abaixo imagens do antes e do depois:

Picoas B.jpeg

Peões na estrada antes, no passeio depois

picoas A.jpg

O passeio acabava sem alternativa, hoje há uma pequena zona verde onde era o mini-passeio

Picoas C.jpeg

O passeio junto à avenida era interrompido bruscamente e os peões tinham de atravessar duas ruas secundárias pela direita para poder continuar; hoje o passeio é contínuo

 

Muito obrigado António Costa e Fernando Medina pelo fim deste pesadelo.

publicado por MC às 23:36
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

Nova rede ciclável de Lisboa

rede ciclável Lx.jpeg

 (fonte)

Esta semana estive presente na apresentação da rede ciclável de Lisboa. Resumiria as novidades em três pontos. O desenho está bem pensado numa lógica de rede; o foco já não é o ciclista de domingo, que quer ir de um jardim ao outro, mas sim quem quer fazer as primeiras deslocações em bicicleta; insiste-se em demasiados erros do passado.

Primeiro de tudo é preciso perceber o que é se quer dizer com "mais 150km de ciclovia". Quem conhece a Av. Brasil sabe que a ciclovia é descontínua numa dúzia de troços. Ou seja há uns metros, acaba, e reaparece do lado de lá de uma paragem de autocarro, de um cruzamento grande, etc. mas isso é contabilizado como se fosse contínuo... e assim continua a ser (ver abaixo). O próprio conceito de "ciclovia" não é o que muitos pensarão: as laterais da Avenida da Liberdade, onde há apenas uns sinais com uma bicicleta e um automóvel a dizer "via partilhada" (o que levanta a dúvida: quais são as vias não-partilhadas então?) são na realidade ciclovias de acordo com a CML.

Posto isto, parece-me que a rede está bem pensada, com um desenho reticular que atenta aos declives da cidade, tentado cobrir uma grande área da cidade. A prioridade deixou de ser a ligação entre o parques e jardins, ligando agora várias zonas residenciais, comerciais e de trabalho da cidade. Veja-se a importância do eixo central, tal como acontece com a rede viária "normal".

Há inúmeros erros que continuam contudo, do pouco que já se pode ver. Na Av Fontes Pereira de Melo podemos ver que a ciclovia será ao nível do passeio e colado a ele, convidando os peões a caminhar nela (como acontece na Dq de Ávila por exemplo). Também aí percebemos que a ciclovia é tão estreita que impede a ultrapassagem de bicicletas; se um ciclista se tem de desviar de um peão, cai perigosamente (há um desnível) para a via onde circulam os taxis e autocarros. Ainda aí, existem ângulos rectos numa ciclovia estreitíssima; em Lisboa os raios de curvatura para automóvel são tão grandes que se pode circular a 80km/h sem problema, mas os ciclistas são intencionalmente forçados a travar até aos 5km/h se não querem sair da via.

IMG_20160922_183002.resized.jpg

Em Entrecampos vemos que a ciclovia é tudo menos contínua. Sendo que começa do lado esquerdo (!!) da via e sem rampa de subida, o único modo de lá chegar é fazer a travessia de peões a pé, e voltar a montar a bicicleta. A ligação com a ciclovia a norte da praça, é feita atravessando 4 passagens de peões descordenadas entre si (sendo que o carro no mesmo percurso espera apenas uma vez). Sabe-se ainda que esta ciclovia é bidireccional, ou seja quem quer chegar a Entrecampos em vez de ir do lado nascente da avenida (como o resto dos veículos), tem de ir parar ao lado poente (sabe-se lá como) e quando chega a entrecampos, volta para o lado nascente. Por ir no centro da avenida, a ciclovia cruza os automóveis a certa altura através de um semáforo. Não é difícil imaginar o tempo extra que se terá de esperar, em comparação com quem circule pelo alcatrão.

IMG_20160922_183059.resized.jpg

E nem esta nova ciclovia é contínua, sendo uns troços desconexos, interrompidos por locais de forte concentração de peões (que terão todo o direito a estar ali parados à espera do autocarro). Para lá de ser um convite à ilegalidade (que o ciclista circule fora das zonas verdes), é gerenciador de vários conflitos.

Daí a conclusão de ser uma rede pensada para quem experimenta a bicicleta, e não se incomoda com a dezena de problemas que mencionei, por valorizar mais o sentimento de segurança. Quem decidir optar pela bicicleta como meio de transporte, rapidamente perceberá que em média circulará a metade da velocidade que faria no alcatrão. Quem já usa a bicicleta, não aceitará todos estes inconvenientes, quando tem uma alternativa contínua, sem reviravoltas e travessias de peões, que é o alcatrão. E isto é grave. Os automobilistas não perceberão porque é que os ciclistas não usarão os recursos que foram criados.

E nada disto teria de ser assim, basta pensar no desenho das ciclovias na Holanda ou Dinamarca. Elas tanto se adequam ao turista que vai usar a bicicleta pela primeira vez, como ao ciclista habitual que faz velocidades mais elevadas. Bastaria vontade política.


Nota habitual: não sendo um blogue pró-bicicletas, mas sim pró-cidades mais humanas, a promoção activa da bicicleta não é a primeira das nossas prioridades (como é a melhoria dos transportes públicos, planeamento a pensar nas pessoas e não nos automóveis, redução do estacionamento à superfície e das velocidades, etc). E existem coisas bem mais simples que parecem ter um impacto igualmente favorável para a bicicleta: limitar a velocidade a 50km/h nas principais vias da cidade, 30km/h nas secundárias e piso decente.

publicado por MC às 16:19
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2015

Caça à multa ou ao disparate? III

Acho que posso dar como dado adquirido que há mais aceleras cá, do que na Holanda, por exemplo. Assim, se as polícias dos dois países controlassem o mesmo número de automobilistas, a portuguesa iria certamente apanhar mais infrações.
Mas se o número de infrações fosse semelhante, teríamos de concluir que a polícia portuguesa é mais branda que a holandesa.

E se vos disser que não é semelhante, nem sequer é ligeiramente menor por cá, mas é 50 vezes menor apesar de ser ridiculamente fácil avistar um acelera em Portugal? Teríamos de concluir que a nossa polícia é, no mínimo, conivente com o excesso de velocidade. A verdade é que, de acordo com o relatório da ETSC (European Transport Safety Council), Portugal está em último lugar na Europa, em termos de número de aceleras multados por cada 1000 habitantes.

Screenshot from 2015-02-06 17:35:43.pngSim, o relatório já tem uns anos, mas infelizmente é o mais recente e estes números são difíceis de encontrar para todos os países para anos mais recentes. Mas desengane-se quem achar que muita coisa mudou desde então.  Tem havido de facto um aumento, mas muito tímido face a disparidade expressa acima. A semana passada saíram os dados de 2014. Subimos para as 25 multas por excesso de velocidade por mil habitantes.  Vergonhosamente pouco.

Enquanto as nossas cidades e estradas continuam a ser o faroeste rodoviário, a imprensa e o "senso-comum" continuam convencidos que há uma caça à multa...

(obrigado Miguel)

Outras postas relacionadas:

Caça à multa ou ao disparate?

Caça à multa ou ao disparate? II (valor das multas cobradas é Madrid é mais do que Portugal inteiro)

publicado por MC às 17:22
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