Terça-feira, 11 de Março de 2008

ONGAs contra a nova travessia rodoviária em Lisboa

Notícia no DD:
Ambientalistas contra nova ponte rodoviária do Tejo
Quatro associações ambientalistas manifestaram hoje a sua oposição à construção de uma terceira travessia rodoviária do Tejo em Lisboa, considerando-a «desnecessária, cara e com impactes ambientais excessivos».

Em comunicado hoje divulgado, a Quercus, a LPN, a SPEA e o GEOTA consideram que a terceira travessia não é um facto consumado, uma ideia que considera estar a ser promovida pela comunicação social «com a conivência do governo».
«Somos em princípio favoráveis à concretização de novas travessias ferroviárias, na medida do necessário, desde que com objectivos claros, optimizando as infraestruturas existentes e numa lógica de sistema integrado de transportes da Área Metropolitana», referem.
As associações opõem-se à construção «no futuro próximo» de uma terceira travessia rodoviária do Tejo em Lisboa, «em qualquer localização», uma vez que a consideram «desnecessária, cara, com impactes ambientais excessivos e mesmo contraproducente para a mobilidade» na Área Metropolitana de Lisboa (AML).
«A construção de tal travessia seria um investimento avultado e com impactes gravosos, que tudo indica ter uma relação custo-benefício muito negativa. Além disso, tal decisão é ilegal, na ausência de uma avaliação de impactes» ambientais, acrescentam no comunicado.
Argumento a argumento, os ambientalistas desmontam as justificações do Governo sobre este investimento, dizendo que a travessia não serve para satisfazer a procura gerada pelo novo aeroporto de Alcochete, tendo em conta que a ponte Vasco da Gama «tem capacidade excedentária» que pode comportar esses novos movimentos.
«Embora o estudo do LNEC [Laboratório Nacional De Engenharia] comparando Ota e Alcochete dê como adquirida uma nova travessia rodoviária, não fundamenta de todo esta pretensão, já que não considerou nem o seu custo, nem o seu impacte no ambiente e ordenamento, nem o conjunto do sistema de transportes da AML. É portanto tendencioso e sem fundamento tentar justificar a nova travessia rodoviária com o aeroporto», defendem.
Os ambientalistas também recusam a justificação de a nova travessia melhorar o acesso a Lisboa, invocando os estudos que «comprovam» que a construção de rodovias radiais de acesso a Lisboa contribuem para aumentar os movimentos pendulares e não resolvem o congestionamento dos acessos.
A melhoria da mobilidade na área Lisboa, segundo estas associações, deve ser conseguida apostando no transporte colectivo e não no transporte individual, nomeadamente criando um verdadeiro título inter-modal que cubra eficazmente todos os meios de transporte urbanos e suburbanos.

Subscrevo tudo. O comunicado completo pode ser lido neste link da Quercus.
publicado por MC às 14:43
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7 comentários:
De Tárique a 11 de Março de 2008 às 17:56
De certeza que te enganaste no título. Viva a Ferrovia. :D

(dá um salto ao meu blogue)
De MC a 11 de Março de 2008 às 19:00
Estava claramente errado. Obrigado!
De Tárique a 12 de Março de 2008 às 19:56
Quando disse para dares um salto ao blogue não era por causa da travessia. Era por causa disto:

http://nadirdostempos.blogspot.com/2008/03/teste-de-concentrao.html

Já fizeste este teste?

(agora compara com a espectacular campanha dos transportes urbanos de lisboa)
De MC a 13 de Março de 2008 às 14:18
(Julgava que era por causa do inválido pobrezinho que agora anda de lentes de contacto).

Muito bom mesmo. A transport for London tem publicidade muito boa. E muito variada.
Eu tinha reparado nesse post, mas nao reparei no "skip intro"... só se via um gajo a driblar, mais nada.
De Zé da Burra o Alentejano a 25 de Março de 2008 às 09:49
NOVO AEROPORTO E TRAVESSIAS
Relativamente às novas travessias por força do futuro aeroporto em Alcochete, insisto conveniência de ser construída apenas uma travessia ferroviária, para o TGV e outros comboios, entre Montijo e Chelas, porque seria mais curta do que se fosse construída a partir do Barreiro. A travessia rodoviária deveria ser construída entre Algés e a Trafaria, pois permitiria fechar a CRIL que termina subitamente numa rotunda em Algés.
Com a deslocação de parte do trânsito da ponte 25 de Abril para a Trafaria, a ponte 25 de Abril ficaria disponível para receber o trânsito que usa hoje a do Montijo dada a saturação da 25 de Abril.
O trânsito do novo aeroporto far-se-ia assim sobretudo pela ponte já existente no Montijo. Assim, parte do seu actual trânsito transitaria para a ponte 25 de Abril ou deixaria simplesmente existir porque os actuais utentes passariam a utilizar o comboio e a nova linha suburbana que deverá servir o aeroporto e passará na zona de Pinhal-Novo e Montijo, em direcção a Lisboa.
A travessia Algés-Trafaria (ponte ou túnel) deverá ser feita um dia porque a CRIL termina hoje de forma abrupta numa rotunda em Algés e o seguimento da CRIL para a outra margem criará um anel de que a A32 e a ponte Vasco da Gama farão parte. Deverá ser a aconselhável a opção de um túnel porque uma ponte terá que ser tão ou mais alta do que a 25 de Abril e o facto de Lisboa ser uma zona sísmica já não é impeditivo, desde que seja utilizada a técnica adequada.
Também consta que a ponte 25 de Abril necessita de obras de conservação por saturação dos materiais em virtude da sobrecarga com o comboio, pelo que terá de ser encerrada durante algum tempo para obras (?). Se assim é era bom que a travessia entre Algés e a Trafaria já estivesse pronta nessa altura. Por isso, seria melhor começarem a pensar já no assunto.

Quanto à oposição dos "ambientalistas", já vamos ficando habituados, pois estão sistemáticamente contra tudo. Foi a ponte Vasco da Gama (faziam fujir os flamingos), a AE pró Algarve (prejudicar a nidificação de uma espécie rara de aves na zona de Castro Verde), o túnel do Marquês (propícia a acidentes)... Porém, uma vez constrídas as obras, não mais se ouve falar deles. ERA ENTÃO QUE SERIA ÚTIL FAZEREM OUVIR A SUA VOZ, DIZENDO-NOS: "EIS AÍ O RESULTADO DESASTROSO QUE PREVÍAMOS E PARA O QUAL ALERTÁMOS", MAS NÃO, OS SEUS TEMORES NÃO SE VERIFICAM E ESTES "AMBIENTALISTAS" VOLTAM-SE ANTES PARA O COMBATE A OUTRAS OBRAS EM PROJECTO. MELHOR SERIA QUE SE RETRATASSEM E HUMILDEMENTE CONFESSASSEM O SEU ENGANO.
Zé da Burra o Alentejano


De Zé da Burra-- a 25 de Março de 2008 às 09:51
fugir --> fugir
outrs erros podem existir mas compreendem bem a mensagem
De MC a 1 de Abril de 2008 às 14:57
O que não faltam por esse mundo fora são auto-estradas que acabam no "nada".
Para que fique claro, o meu problema com mais uma ponte rodoviária é que mais estradas "criam novas necessidades". Fechar a CRIL (além de facilitar a circulação automóvel, quando esta deveria ser dificultada em favor do transporte público) é convidar mais gente a deixar os TP na zona da trafaria, pragal, almada para levar o automóvel para lisboa.

Quanto aos ambientalistas (no quais obviamente me incluo) digo apenas que se tiver mais atento nota que a Quercus (a ONGA que sigo com mais atenção) faz muitas retrospectivas comentando os resultados de novas "obras". E já agora, a Quercus fez um mea culpa e admitiu que a Ponte Vasco da Gama não foi tão gravosa como tinham previsto.

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