Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Bruxelas

Acabo de chegar de Bruxelas, onde pude verificar que o programa de incentivo da bicicleta por parte da Câmara (bicicletas públicas, algumas ciclovias, muitos parques de bicicletas, prioridade para as bicicletas nos semáforos - as bike boxes, autorização para as bicicletas circularem em ruas ou em sentidos de trânsito proibidos aos carros, etc...) começa lentamente a ter bons resultados!
Bruxelas tem os mesmos problemas que Lisboa e Porto para a bicicleta: cidade caótica, durante muito tempo pensada para o automóvel, avenidas transformadas em vias-rápidas, trânsito pouco civilizado e... relevo. Claro, não tem a colina do Castelo ou do Bairro Alto, nem a Ribeira mas são pouquíssimas as zonas da cidade realmente planas, e a inclinação na grande maioria da cidade é muito semelhante a Lisboa e Porto. O que fazem os ciclistas, cujo número aumenta de mês para mês, nas subidas? Mudam a mudança (essa inovação tecnológica de ponta que parece desconhecida em Portugal), e sobem mais devagar! Na foto uma rua onde havia várias bicicletas a circular. A perspectiva não é a melhor, mas pela montra no lado esquerdo dá para ter uma noção da inclinação.



Deixem-se de desculpas: Lisboa e Porto só não são cidades cicláveis, porque não queremos.

Outro pormenor curioso: foi nas zonas mais ricas e zonas de escritórios da cidade que vi mais bicicletas. Lá, como cá, a bicicleta é "para pobres" e quem tem vergonha de parecer pobre não anda de bicicleta. E depois há quem não ligue...
Ah, e a grande maioria dos ciclistas eram trintões e quarentões, muitas mulheres e muitas bicicletas dobráveis (mais do que alguma vez tinha visto, provavelmente para combinar com os transportes que aparentemente não levam as normais).
publicado por MC às 21:58
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3 comentários:
De Cátia RS a 4 de Março de 2008 às 08:46
Bruxelas é de facto um bom exemplo de como as bicicletas estão a entrar nos movimentos pendulares da cidade.

No entanto, na minha perspectiva Lisboa e Porto não têm comparação possível com Bruxelas: Bruxelas têm espaços dedicados para os ciclistas nos passeios e junto às passadeiras, têm parques em vários pontos da cidade a disponibilizar bicicletas para os cidadãos (julgo que se tem que pagar 1 tarifa, mas não cheguei a saber exactamente como) e têm parques de bicicletas juntos a alguns edifícios.

Pelo que observei, pedestres e automóveis respeitam os ciclistas e não vi aquilo como sendo apenas os pobres que a utilizavam. Junto a alguns edifícios da Comissão Europeia na rue de la Loi, viam-se os parques de bicicletas cheios, pelo que suponho que funcionários das várias Direcções Gerais da Comissão Euopeia vão de bicicleta para o trabalho.

Pensando na cidade de Lisboa [que é a cidade que conheço], para mim o principal factor dissuasor de utilizar a bicicleta é a fraca possibilidade de a transportar nos transportes públicos. Isso não sei como é em Bruxelas, mas também não me lembro de ter visto bicicletas no metro.
De MC a 4 de Março de 2008 às 09:14
Cátia (já agora, Cátia da Confagri? Olá!)

Se calhar não fui suficientemente claro: o que eu quero dizer é que os pontos de partida são muito semelhantes. Todas as diferenças que descreves, vêm exactamente da política recente por parte da câmara (que eu refiro logo na primeira frase). Ou seja são tudo diferenças que facilmente poderíamos alterar.
Eu comparo apenas as restantes, como relevo, desenho da cidade, etc...
A excepção talvez seja o respeito dos condutores, mas mesmo aí não posso deixar de notar que por cá, o respeito pelo ciclista aumenta de ano para ano (experiência própria) e que por lá o comportamento está longe de ser o que acontece nas Alemanhas, Dinamarcas, Holandas.. Automóveis a 70 e 80 na cidade são comuns, por exemplo.

Bicicletas nos transportes, não vi nenhuma. Mas vi foi muitas bicicletas dobráveis (vou incluir isso no post), mais do que alguma vez tinha visto.
De Strider a 6 de Março de 2008 às 11:58
Vivi 2 anos no centro de Bruxelas e sou praticante de BTT pelo que conheço bem a realidade daquela cidade. Continuo a praticar BTT (inclui a deslocação de bicicleta até ao local onde pratico esta actividade) em Portugal (moro nos arredores de Lisboa). Sim existem inclinações (algumas até bem puxadas), mas são poucas e muitas vezes evitáveis já que o resto das ruas em Bruxelas são bastante menos inclinadas. Falando apenas de trilhos Todo-o-terreno, Lisboa e arredores (Monsanto, Serra de Sintra e Arrábida) tem trilhos com muito maior elevação técnica do que Bruxelas e arredores...



Em relação à circulação com a bicicleta na estrada, sim os condutores Belgas são muito mais respeitadores (muitas vezes parando para nos dar passagem em locais estreitos por exemplo), mas noto que em Portugal (devido ao facto de nos últimos anos o BTT explodiu cá) o respeito tem aumentado mas ainda não chegou ao ponto necessário. No entanto, ressalvo que os condutores Belgas (aliás como os holandeses) são uns autênticos "nabos" na condução e fazem asneira atrás de asneira (já que também conduzi de carro na cidade). Substitui-se portanto desrespeito por autênticos "perigos ao volante". Bruxelas é uma cidade bem planeada em termos de transportes e tem a vantagem de ser pequena pelo que é perfeitamente possível ir a pé para todo o lado (muitas as vezes o fazia, apesar de ser uma das cidades com maior índice de criminalidade na Europa).



Não esquecer também que Bruxelas é uma cidade recente (1989), aliás o reino da Bélgica nem 200 anos tem, portanto em termos de planeamento da cidade e historia de construção não se pode comparar com Lisboa/Portugal (que aliás teve a introdução do automóvel muito mais tarde).

.

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