Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Sobre o manto diáfano do desenvolvimento a nudez crua da estupidez

No DN do dia 18 de Fevereiro de 2008:

Transporte público vai crescer menos que o individual A introdução do tabuleiro rodoviário na travessia Chelas/Barreiro irá provocar um aumento de 85 mil carros no número médio diário de viaturas que atravessam as travessias do Tejo (na Grande Lisboa). Esta estimativa, com base num cenário intermédio, foi feita para o ano 2029 pela comissão independente que apoiou o Governo na decisão de colocar a componente rodoviária terceira travessia do Tejo.

A este acréscimo, dos quais 66 817 carros vão passar pela nova ponte concluída a partir de 2013, terá de somar-se o tráfego médio diário gerado pela mudança do aeroporto de Lisboa para a margem esquerda do Tejo (Campo de Tiro de Alcochete) em 2017, e que irá traduzir-se em mais 45 mil carros/dia, embora com movimentos que não coincidem sempre com a procura nas horas de ponta, explicou ao DN, José Manuel Palma, um dos membros da comissão. Contas feitas, o novo aeroporto e a ponte Chelas/Barreiro (que está a ser avaliada pelo LNEC), vão implicar um aumento de cerca de 130 mil carros/dia nas travessias do Tejo, o que representa mais 60% que o tráfego médio diário que hoje cruza o rio (cerca de 220 mil carros).

O acréscimo de capacidade entre as duas margens não se reflecte de forma igual em todos os meios de transporte. A verdade é que, apesar da componente prioritariamente ferroviária da ponte Chelas/Barreiro, a opção de juntar um tabuleiro rodoviário, que é muito reforçada pela nova localização do aeroporto, implicará a perda de quota de mercado do transporte público para o automóvel.

O relatório da comissão revela que a quota de mercado do transporte público passará de 27,2% em 2007 para 22,9% em 2029. Pelo contrário, o transporte individual sobe dos actuais 72,8% para 77,1%. Esta evolução só existe por causa da introdução do modo rodoviário na Chelas/Barreiro. Barco e autocarro são os transportes colectivos que mais perdem para o automóvel e também para o comboio, já que passa a haver duas ligações suburbanas entre as margens do Tejo. Apesar da ferrovia reforçar com a nova ligação, o comboio na ponte 25 de Abril perde quota, passando de 10,8% em 2007 para 7,8% em 2029. O autocarro desce dos 5,5% actuais para 3%. O barco sofre o maior impacto: de 10,8% para 6,2%. Em termos absolutos, só o comboio ganha passageiros (passa de 49 mil/dia para 81 mil pessoas/dia). O barco perde 12 mil pessoas/dia, o autocarro terá menos 7 mil.

O impacto no congestionamento do tráfego resultante das duas infra-estruturas dependerá de uma série de opções de Governo e autarquias, que vão desde as portagens e número de faixas, à política de estacionamento e o seu preço em Lisboa até às intervenções que sejam feitas nos vários acessos e na resolução de estrangulamentos rodoviários, para escoar os automóveis.

Apesar de considerar que qualquer aumento de capacidade rodoviária na Grande Lisboa resultará no congestionamento a médio prazo, José Manuel Palma realça que há intervenções que se podem e devem fazer para reforçar o transporte público, sobretudo no acesso ao aeroporto. A expansão do Metro Sul do Tejo do Seixal ao Barreiro e a sua ligação directa com a nova linha ferroviária suburbana são outro exemplo.
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publicado por TMC às 14:12
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1 comentário:
De MC a 19 de Fevereiro de 2008 às 18:04
Impressionante!
OITENTA E CINCO MIL....
Sem palavras

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