Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Matar um peão numa passadeira é menos grave do que falsificar notas escolares

Se prova ainda não houvesse que o peão é tratado abaixo de cão na nossa sociedade, aqui fica uma:
Homicídio de uma criança de 11 anos que atravessava a passadeira: 18 meses de prisão (suspensos)
Falsificação de notas dos exames do secundário: 36 meses de prisão (suspensos)
A única boa notícia aqui é que ao menos houve um tribunal que condenou um homicida ao volante, quando há inúmeros casos em que nem uma condenação acontece.

Nota: Eu tenho horror à defesa de longas penas de prisão (tenho muito orgulho por termos um dos limites máximos de prisão - 25 anos - mais baixos do mundo), por isso não estou aqui a defender penas de 10 anos. Também sou alérgico a comparações demagógicas e maniqueístas de decisões judiciais que apenas olham para a contabilidade dos meses na prisão. Mas por mais voltas que se dê, é impossível compreender como é que os homicidas ao volante (e os potenciais homicidas também) são tratados com tanta complacência.
publicado por MC às 13:54
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13 comentários:
De Tárique a 7 de Fevereiro de 2008 às 17:57
Aqui está um exemplo em que a existência do código da estrada impediu a justiça de ser efectivamente realizada. Se eu andar aos tiros ao lado de uma criança e "sem querer" a matar, sou condenado por assassinato.
Ora, se uma rajada de 100 balas tem menos energia cinética que um automóvel a 40 km/h, ...
De MC a 8 de Fevereiro de 2008 às 10:57
Por acaso, neste caso o assassino não foi julgado pelo código da estrada, foi sim acusado de homicídio por negligência... ou seja pelas leis "habituais".
De Tárique a 8 de Fevereiro de 2008 às 11:42
Ainda assim, o facto de ter sido condenado "por negligência" denota um enorme enviesamento relativamente à arma do crime. Se o assassino estivesse a bradir uma pistola, seria considerado "negligência" ? Se estivesse a conduzir no passeio, ou em sentido contrário, seria considerado "negligência"? O código da estrada pode não ser referido, mas a forma de pensar que este orienta está por trás da pena tão reduzida.

Recorde-se que homicídio qualificado não implica premeditação mas tão-somente consciência por parte do homicida que das suas acções poderia resultar uma morte.
De MC a 8 de Fevereiro de 2008 às 12:24
De facto não sabia qual a exacta distinção entre negligente e qualificado.
Como escrevi noutro comentário, parece-me que o problema é portanto o juiz e não a lei. E parece-me que concordamos nisto.
De anabananasplit a 7 de Fevereiro de 2008 às 22:19
Com leis assim, é normal que se perca a fé na Justiça...
De MC a 8 de Fevereiro de 2008 às 11:02
Não li obviamente o acórdão do tribunal, mas parece-me que o problema é mais dos juízes (e da mentalidade em geral de benevolência com criminosos ao volante) do que das leis... Por exemplo no caso que mencionei há umas semanas, o assassino foi perdoado explicitamente pelo juiz porque ele era importante no funcionamento da família dele. Se tivesse sido um tipo aos tiros que matasse alguém, custa-me a crer que fosse desculpado.
Mas sim concordo contigo no essencial, perdemos a fé na Justiça obviamente.
De suicidas? a 9 de Fevereiro de 2008 às 09:23
VEJAM ISTO!
http://www.youtube.com/watch?v=eJcKE91Ki7I
Os condutores são ASSASSINOS ou as pessoas é que são SUICIDAS? parece-me que quem anda a pé percisa educado, não só que conduz...em certas situacoes a culpa é mesmo do peão...
De António C. a 9 de Fevereiro de 2008 às 12:04
Esse video mostra definitivamente o fascínio absurdo que temos por automóveis. E se em 1986 ainda muita gente não tinha carro, hoje esses mesmos peões da altura estão concerteza nas nossas estradas, se ainda não se suicidaram...
De MC a 9 de Fevereiro de 2008 às 15:39
Não é preciso ser muito esperto para perceber que isso não é um peão...

Além de que o caso referido neste post, tal como tantos outros referidos neste blog, trata de um peão na passadeira.

E já agora, aconselho-lhe a ler estes posts exactamente sobre esse problema:
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/73238.html
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/79443.html
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/74425.html
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/73697.html

De Strider a 11 de Fevereiro de 2008 às 11:27
Aqui vão alguns exemplos no youtube de peão que gostam de arriscar a vida:

http://www.youtube.com/watch?v=ZISWh0WtA38
http://www.youtube.com/watch?v=Vgk_4YaxtWU
http://www.youtube.com/watch?v=twbr2f7dLl8

Sim, há peões malucos. Seria mais fácil convencer o "suicidas?" de que uma cidade sem carros a circular é muito melhor do que uma cidade cheia de carros do que convencer de que não há peões suicidas.
De dvStrider a 11 de Fevereiro de 2008 às 11:28
Aqui vão alguns exemplos no youtube de peão que gostam de arriscar a vida:

http://www.youtube.com/watch?v=ZISWh0WtA38
http://www.youtube.com/watch?v=Vgk_4YaxtWU
http://www.youtube.com/watch?v=twbr2f7dLl8

Sim, há peões malucos. Seria mais fácil convencer o "suicidas?" de que uma cidade sem carros a circular é muito melhor do que uma cidade cheia de carros do que convencer de que não há peões suicidas.
De Strider a 11 de Fevereiro de 2008 às 11:28
Aqui vão alguns exemplos no youtube de peão que gostam de arriscar a vida:

http://www.youtube.com/watch?v=ZISWh0WtA38
http://www.youtube.com/watch?v=Vgk_4YaxtWU
http://www.youtube.com/watch?v=twbr2f7dLl8

Sim, há peões malucos. Seria mais fácil convencer o "suicidas?" de que uma cidade sem carros a circular é muito melhor do que uma cidade cheia de carros do que convencer de que não há peões suicidas.
De Strider a 11 de Fevereiro de 2008 às 11:29
Aqui vão alguns exemplos no youtube de peão que gostam de arriscar a vida:

http://www.youtube.com/watch?v=ZISWh0WtA38
http://www.youtube.com/watch?v=Vgk_4YaxtWU
http://www.youtube.com/watch?v=twbr2f7dLl8

Sim, há peões malucos. Seria mais fácil convencer o "suicidas?" de que uma cidade sem carros a circular é muito melhor do que uma cidade cheia de carros do que convencer de que não há peões suicidas.

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